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Estado de Minas

'Aqui não é Senado nem Câmara', diz advogado ao acusar desembargador de pedir propina

O advogado disse ter recebido 'contraproposta' financeira de R$ 700 mil e quase foi preso por ordem do relator do processo pela acusação


postado em 04/08/2017 09:08 / atualizado em 05/08/2017 07:19

O advogado se exaltou ao dizer que o julgamento havia sido comprado(foto: Reprodução)
O advogado se exaltou ao dizer que o julgamento havia sido comprado (foto: Reprodução)

Uma acusação de pagamento de propina, com direito a confusão e pedido de prisão do acusador, levou à suspensão de um julgamento em Santa Catarina nessa quinta-feira (4). Em meio aos xingamentos do advogado Felisberto Odilon Córdova ao desembargador Eduardo Gallo, relator do caso que estava sendo avaliado, sobrou até para o Congresso Nacional.



“Isso aqui não é o Senado, isso aqui não é a Câmara dos Deputados, isso aqui é um tribunal de Justiça. E é preciso que a moralidade surja e que venha a tempo, e que a promotoria, inclusive, assuma a investigação desse processo”, afirmou Córdoba, que chamou o desembargador relator de “descarado”.

O advogado disse que o julgamento havia sido comprado, pois, segundo ele, o desembargador receberia R$ 500 mil por uma decisão favorável à parte interessada, sendo R$ 250 mil antes e R$ 250 mil depois.

Córdoba disse que seu escritório recebeu uma “contraproposta” do Rio de Janeiro, para cobrir a oferta com R$ 700 mil. “Tudo está sendo nulo aqui”, disse exaltado. De acordo com o jornal Diário Catarinense, a causa envolve uma disputa de R$ 35 milhões.

'Safado'

Chamado de “safado” e “vagabundo”, o desembargador Eduardo Gallo disse que estava havendo “nítido excesso” e pediu a prisão do advogado.

“Não vou admitir que um advogado me chame de vagabundo e vossa excelência não tome providência, nunca passei por isso em 25 anos de magistratura. Eu requeiro a prisão do advogado”, disse, enquanto Felisberto Córdova era retirado da sala por colegas.

Investigação


Em nota, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina lamentou o episódio e informou que vai acompanhar o caso. Segundo o TJSC, já foi instaurada investigação.

"O Tribunal de Justiça lamenta profundamente o inusitado episódio e destaca que está a merecer análise acurada no sentido do esclarecimento da verdade, já tendo sido instaurada investigação preliminar. Por fim, reitera seu compromisso com a estrita observância da ordem jurídica e com os postulados éticos inerentes à atuação dos operadores do direito", diz a nota.


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