Manifestantes contrários e simpatizantes ao PT se concentraram na noite desta sexta-feira (5/5) em frente ao prédio onde o ex-ministro José Dirceu está morando, em Brasília. Os dois grupos se posicionaram em lados opostos, separados por uma pista, e chegaram a trocar ofensas. Houve confusão e um grupo chegou a destruir a placa do outro. O tumulto acabou sem nenhuma agressão física, mas a PM foi chamada para conter os ânimos.
O grupo que protesta contra a soltura de Dirceu é levemente maior. Com o auxílio de panelas — que se tornaram características na época das manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff —, os manifestantes fazem muito barulho e gritam palavras de ordem contra o petista, chamando-o inclusive de assassino e dizendo que "seu lugar é na prisão". O ex-presidente Lula também é alvo de protestos, enquanto o juiz federal Sergio Moro é defendido pelos participantes. Há quem traje camisetas estampando o rosto do magistrado.
Do outro lado, os simpatizantes do PT se manifestam esporadicamente, com gritos de "Dirceu, guerreiro do povo brasileiro" e "golpistas, fascistas, não passarão". A Polícia Militar do Distrito Federal acompanha as manifestações, equipada com três viaturas.
Um morador que preferiu não se identificar se mostrou incomodado com as manifestações. O homem mora um andar abaixo de Dirceu e afirma que, desde a última quinta-feira (4/5), o barulho dos manifestantes tem incomodado e o trânsito na quadra também ficou complicado. "Eu moro com a janela virada para fora da quadra [no lado oposto ao que ficam os manifestantes]. Mesmo assim, muita gente passa na pista buzinando", conta.
Na opinião dele, o petista tem o direito de ter um lugar para morar depois que deixou a cadeia, mas o ex-ministro precisa "se dar conta" e deixar o prédio. "Ele tinha uma casa no Lago Norte, vai acabar tendo que ir para lá. Antes de ser preso, ele nem morava aqui, só vinha de vez em quando", relata. Questionado sobre sua posição política, o morador diz ser "anti-PT", mas alega não ter simpatia por nenhum partido. "Desde que me mudei para o DF [não transferi o título de eleitor e] não voto", finaliza.
