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Estado de Minas

Coluna do Baptista Chagas de Almeida


postado em 01/11/2016 12:00 / atualizado em 01/11/2016 07:40

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

Vale registrar a virtude do leitor

Escreve Wellington Azevedo Araújo: “Prezado Baptista: sou leitor assíduo e atento de sua coluna, pela qual o cumprimento. Sábado (29/10), li na seção Pinga-fogo sua crítica à utilização da expressão ‘em virtude de’ pelo TRE no sentido de ‘em razão de’. Segundo seus comentários, os dicionários não registram essa acepção. Fiquei encafifado, pois eu mesmo costumo usá-la dessa forma (não só eu, mas muita gente). Fui ao Houaiss e lá está, na página 2.870: virtude s.f. (…) em v. de 1 em razão de, em consequência de em v. das enchentes, vários moradores perderam tudo> (...) (Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) Portanto, os dicionários registram ‘em virtude de’ no sentido de ‘em razão de’. Grato pela atenção”.

Então, vale explicar: também já usei em virtude neste mesmo sentido seu, só que quem não dá o sentido de “por causa” é o Aurélio, daí a citação. Virou “briga” de dicionários”. A transcrição de virtude no Dicionário Aurélio: “1. Disposição constante do espírito que nos induz a exercer o bem e evitar o mal. 2. O conjunto de todas ou qualquer das boas qualidades morais. 3. Ação virtuosa. 4. Austeridade no viver. 5. Castidade, pudicícia. 6. Qualidade própria para produzir certos e determinados resultados. 7. Propriedade, eficácia. 8. Validade, força, vigor. 9. Conjunto dos anjos do quinto coro ou da quinta hierarquia”.

E tem mais Aurélio, é, ele mesmo usa em virtude no sentido de por causa, várias vezes. Vamos a elas: Significado de dever no dicionário Aurélio on-line de português: “Ato que tem de se executar em virtude de ordem, preceito ou conveniência. Obrigação”. Significado de Eclipsar: “6. Ocultar-se (um astro) em virtude de eclipse”. Também do Aurélio. Significado de exigir no dicionário Aurélio on-line de português: “Reclamar (em virtude de direito que se julga ter)”. Significado de Aeroplano: “1. Aparelho que, sem ser mais leve do que o ar, se mantém no espaço em virtude da pressão do vento sobre as superfícies inclinadas. “Significado de epifenômeno no dicionário Aurélio on-line de português: 1. Sintoma ou alteração que sobrevém depois de declarada a doença e em virtude de uma evolução natural desta”. Ihh! Ficou pior ainda. Epifenômeno? Que fenômeno, hein?

Ah! Não, chega de dicionário. Vamos ao que realmente interessa. Ao seu bolso, para ser mais exato. “Preços dos combustíveis ficam mais altos para o consumidor em BH e Contagem. Pesquisa do Procon da Assembleia Legislativa registra aumento médio de 1,93% no preço da gasolina, diesel e etanol. Em contrapartida, a Petrobras reduziu o preço para as refinarias”. É notícia do em.com.br, mas é preciso deixar claro, a Petrobras diminui o preço e os postos aumentam?

Lamentável é o comentário do presidente da Petrobras, Pedro Parente, que considerou “decepcionante” o preço da gasolina ter subido em 11 estados e no Distrito Federal”. Lamentável é seu comentário sem tomar providências, pressionar os postos. Enfim, Pedro é parente próximo da incompetência, da falta de iniciativa e deveria pedir demissão por ficar só lamentando. Deixa isso para os brasileiros no sufoco. Eles é que têm de lamentar. O preço de ter um ministro assim.

Ghost writer

“O novo estado de exceção” é o título. Primeiro um trecho: “Alerta o filósofo italiano Giorgio Agamben que a ‘exceção’ vem se tornando a ‘regra’. Ou seja, o “Estado de exceção” vem se configurando a cada dia como o paradigma de governo dominante no mundo de hoje. Não há mais a interrupção do antigo Estado democrático para a instauração de um Estado de exceção”. Mais um: Agamben analisa o caso da política de relações internacionais dos Estados Unidos, cujo fulcro de poder reside nas intervenções militares. E dá como exemplo o Afeganistão e o Iraque. Impressiona a cultura do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), para citar filósofo italiano publicado em site assumidamente petista. O seu currículo: direito, superior incompleto, UnB, Brasília. Direito, superior incompleto, PUC, Rio de Janeiro. Citar Giorgio Agamben? Vai ter cultura assim. Não, não o senador, falo do seu ghost writer.

Fazendo escola
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está fazendo escola, depois que recorreu à Organização das Nações Unidas (ONU) diante do risco de ser preso pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). É que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por 7 votos a 4, a possibilidade de o aposentado requerer novo benefício, se acumular a aposentadoria com salário, se continuar trabalhando. Mas o que tem a ver com Lula? É que o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical resolveu também recorrer, só não foi à ONU, foi na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em tempo: a Força alega que a medida fere a “dignidade humana do aposentado” e que se trata de “real confisco”.

Marcha a ré

Enquanto o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), declarou que a “esquerda deve olhar menos para trás e mais para frente”, em matéria do alto, aquele site assumidamente petista preferiu não seguir o bom conselho. Atacou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) de tudo quanto foi jeito. Tratou a candidatura presidencial do também tucano Geraldo Alckmin como “irreversível”, de traição ao governador Fernando Pimentel (PT) o apoio dado a João Leite pelo vice-governador Antônio Andrade (PMDB) e por aí vai. E sobrou para Alckmin, bem escondidinho. E incluiu que a vitória em Fortaleza fortalece Ciro Gomes (Rede). Ah! Para não perder o costume, atacou, como sempre, o presidente Michel Temer (PMDB). De graça! Tratou como política do “quanto pior, melhor” o déficit fiscal de R$ 85,5 bilhões. Aliás, “rombo” foi o termo.

PINGAFOGO

Em tempo: a entrevista coletiva de Aécio Neves (PSDB) sobre as eleições foi feita no Senado. E ele fez questão de frisar como um “desserviço” discutir, agora, as eleições presidenciais de 2018. Para bom entendedor...

Para ser sincero e justo com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), este escriba confessa também nunca ter ouvido falar do tal filósofo italiano Giorgio Agamben, autor do artigo que ele publicou. Então, repito: vai ter cultura assim. Não o senador, o seu ghost writer.

Giorgio Agamben é um filósofo italiano, autor de obras que percorrem temas que vão da estética à política. Seus trabalhos mais conhecidos incluem sua investigação sobre os conceitos de Estado de exceção e homo sacer. Ihh! Piorou. Homo sacer? O google ensina: é Agamben mesmo que inventou o termo. Ah! Então tá.

O que faltou de bom foi convencer o eleitor, a não ser os que estavam em dúvida se votavam em branco ou nulo. Se depender do debate, eles já decidiram. Será um ou outro. O voto em branco ou nulo, bem entendido, não para os candidatos. Uai! Repeteco?

Para registro: foi comentário da coluna sobre o debate da TV Alterosa na semana da eleição. E confirmado nas urnas. Se juntar também a abstenção, bem, melhor nem repetir sobre a preguiça do eleitor.

 


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