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Estado de Minas

Kalil e João Leite mantêm acusações e ataques no último debate

O ex-presidente do Atlético enfatizou a falta de experiência administrativa do adversário. Já o tucano, destacou as criticas de Kalil às mulheres


postado em 29/10/2016 00:10 / atualizado em 29/10/2016 08:16

(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press )
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press )


O último debate entre os candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Alexandre Kalil (PHS) e João Leite (PSDB), na TV Globo, seguiu o mesmo roteiro de ataques dos confrontos anteriores entre os dois. O ex-presidente do Atlético enfatizou a falta de experiência administrativa do adversário. Já o tucano destacou as críticas de Kalil às mulheres. Kalil voltou a acusar o tucano e o partido dele pelas mazelas na área da saúde, por integrantes da legenda terem estado à frente da pasta nos últimos anos. Já Leite bateu novamente na tecla das dívidas do adversário com IPTU e com direitos trabalhistas dos seus empregados.

No primeiro bloco, temas de saúde, transporte e troca de acusações sobre dívidas de impostos deram o tom. O primeiro a perguntar foi João Leite (PSDB). O tucano questionou Kalil sobre saúde. Para o empresário, o principal problema é a falta de investimento. “Temos que priorizar a saúde, canalizando o dinheiro”, afirmou, acrescentando que cerca de R$ 2 milhões deixaram de ser investidos pela prefeitura.

O tucano defendeu o acompanhamento individualizado dos pacientes. “Vamos dobrar as consultas e os exames especializados”, disse. Na tréplica, Kalil citou hospitais que teriam sido prometidos pela atual administração, mas que os partidários de Leite não teriam executado no comando da Secretaria Municipal de Saúde.

A Companhia Urbanizadora (Urbel) da capital voltou a ser citada pelos candidatos. Kalil indagou João leite sobre a importância do órgão. O tucano destacou a importância da companhia e frisou a necessidade de se firmar parcerias com o Ministério das Cidades para garantir recursos. Ele disse ainda que, se eleito, fará o maior programa de habitação.“Vamos acompanhados de arquitetos e engenheiros da prefeitura para que as casas de vilas e favelas sejam mais seguras”, disse.

Kalil, por sua vez, disse que a Urbel na atual gestão está “abandonada e largada”, mas ficará em outro patamar na gestão dele. “A Urbel é a vida do aglomerado, é a vida da favela, é a vida da população mais carente”, destacou.

Ainda no primeiro bloco, o candidato do PHS frisou que seu adversário não tem pouca experiência administrativa. “Nunca teve uma loja de suco de vitamina. Na minha empresa, passaram 150 mil empregados. Essa empresa, que ele já foi lá pedir dinheiro. Essa empresa que ele cospe no prato e honrada, limpa e tocada por gente limpa. Nunca se envolveu em nenhum escândalo”, disse.

Em sua defesa, João Leite disse que, quando foi pedir dinheiro ao adversário, estava sem receber do Atlético havia cerca de quatro meses, mas que, mesmo assim, “nunca deixou de cumprir suas obrigações de atleta”. O tucano ainda afirmou que mudou sua percepção sobre Kalil. “Quando começou esta campanha, eu tinha respeito por ele, agora tenho decepção”, afirmou. Propostas sobre transporte público encerraram o primeiro bloco. Para Kalil, as ocupações não serão retiradas.

Ele citou que a PBH não foi capaz de acionar na Justiça a construtora e os responsáveis pela queda do Viaduto Batalha dos Guararapes, mas judicializou a situação quem mora nas ocupações. “Isso é uma covardia”. Você que está aí nas ocupações, vamos cuidar de você”, afirmou. Já João leite afirmou que fará com que as decisões judiciais sejam cumpridas, como as que determinaram as desocupações, mas buscará entendimento. “Essa cidade tem marcos legais que precisam ser respeitados”.

Segundo bloco


Sobre saúde, o tucano afirmou que vai implantar seu programa de saúde e destacou iniciativas voltadas à saúde das mulheres, como programas pré-natais. Leite ainda disse que o partido dele ficou à frente da Secretaria da Saúde, mas a pasta teria tido recursos enviados para outros fins. A afirmação de Leite foi em resposta à declaração de Kalil, de que o PSDB, partido do adversário, esteve no comando da secretaria e não foi capaz de ampliar o atendimento. Kalil ainda negou que tenha dito que faltam recursos. Para ele o que falta é qualidade do investimento.

Kalil disse que a educação passa por “uma crise profunda”, com alunos que não sabem ler, escrever nem fazer contas. Ele defendeu que haja valorização das professoras para que a educação possa virar o jogo para ter mais qualidade. Já Leite disse que é “lamentável” a forma que Kalil trata as mulheres. “Nos confiamos em você que cuida educação”, afirmou o tucano. Para Kalil, política de emprego de sucesso é quando a “prefeitura dá paz para o empresário”. Segundo ele, o prefeito deve dar a oportunidade para que comércio, indústria e serviços possam executar o seu trabalho e, assim, gerar empregos.

Por outro lado, João Leite disse que a prefeitura vai “trabalhar com as empresas”. Ele lembrou sua passagem à frente da Secretaria de Trabalho declarou que vai aproveitar a tecnologias das startups nas ações da prefeitura. Ele ainda disse que vai melhorar a emissão de licenças para diminuir a burocracia. Na tréplica, Kalil lembrou setores como turismo e polo de móveis, que precisam ser incentivados.

 

Terceiro bloco


No terceiro bloco, Kalil afirmou que no orçamento da PBH, apesar de ter sofrido redução, é necessário “racionalizar” a prefeitura. “Vamos fazer com o que tiver, mas vamos fazer”, afirmou Kalil. João Leite afirmou que a dívida do candidato do PHS daria para alimentar 12 mil crianças durante um ano. “Vamos fazer um cerco aos grandes sonegadores”, disse. Já Kalil, pediu que o adversário “não se destempere” e negou que a dívida dele seja tão importante.

Na sequência, o ex-presidente do Atlético citou uma série de nomes aliados de João leite que estão em cargos da prefeitura. Kalil perguntou se o senador Aécio Neves (PSDB) seria referência moral de João Leite. O tucano respondeu dizendo que as referências dele são os pais. “Minha referência é meu pai e minha mãe. É Deus”, afirmou o tucano. Ele ainda disse que respeita as mulheres e que o adversário “xingou a mãe dele”. Já Kalil respondeu fazendo críticas à atuação do tucano como deputado na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. "Mais grave que isso é soltar estuprador”, atacou.

João Leite acusou Kalil de copiar propostas dele, principalmente da área de segurança pública, como a de dobrar o efetivo da Guarda Municipal. Kalil respondeu dizendo que a proposta relacionada à Guarda está em seu plano de propostas desde o início da campanha. Sobre a contas de campanha, João leite disse que tudo está listado na prestação. “Tudo que está declarado está lá”. Ele ainda acusou Kalil, dizendo que ele se mostrava pobre no início da campanha, mas acabou investindo mais de R$ 2 milhões na campanha.

Já Kalil disse que fez apenas uma campanha e teve que vender apartamento, já o adversário fez nove campanhas e tem apartamento em Orlando (EUA). “Tudo que eu fiz saiu do meu bolso, não do dinheiro publico ou lista de Furnas”, alfinetou. O tucano, por sua vez, afirmou que o dinheiro veio de sua vida como atleta. “Tudo veio do meu suor. Tá tudo declarado”.

Considerações finais


Nas considerações finais, Kalil afirmou que sai “enriquecido” de experiência de ser candidato.”Eu quero te agradecer, eleitor, eu me tornei um cara que sabe o que você está sentindo”, disse. Ele ainda acrescentou que viver o cotidiano dos eleitores o fez se tornar uma pessoa que sabe entender melhor o outro. Vocês me fizeram um homem melhor. Independemente de tudo, vocês me mudaram definitivamente”, concluiu.

Leite também agradeceu e disse que ele é muito diferente do adversário. “Eu tenho uma ficha limpa, por isso posso ser candidato tantas vezes”, declarou. O tucano disse que os eleitores têm a oportunidade de escolher o prefeito como alguém que escolhe um síndico. E terminou dizendo que sua vocação é “cuidar das pessoas”.

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