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Estado de Minas

Votação da cassação de Cunha no Conselho de Ética põe base aliada em xeque

Votação do relatório no Conselho de Ética pela perda de mandato do presidente afastado da Câmara dos Deputados ameaça desestabilizar a articulação do Palácio do Planalto na Casa


postado em 06/06/2016 06:00 / atualizado em 06/06/2016 16:08

A votação do relatório que pede a cassação do mandato do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), marcada para a quarta-feira, pode alterar de vez a correlação de forças na Casa com reflexos na base governista do presidente interino Michel Temer. A imprevisibilidade do resultado — o destino de Cunha está nas mãos da deputada Tia Eron (PRB-BA) — também mergulha o cenário legislativo na incerteza, em um momento em que o Planalto comemora a rearticulação dos aliados, após duas vitórias expressivas na Câmara: a alteração do limite da meta fiscal e a prorrogação da Desvinculação dos Recursos da União (DRU).

Tia Eron tem dito, em entrevistas e conversas com aliados, que a pressão exercida pelos eleitores será maior do que a promovida pelos seus pares. E que votará de acordo com a própria consciência, levando em conta as provas existentes na investigação sobre a existência de contas em nome de Cunha no exterior, objeto do pedido de cassação do peemedebista em análise no Conselho de Ética. Se ela ficar favorável a Cunha, decide a disputa por 11 a 9. Se votar pela cassação, o placar apontará 10 a 10 e o voto de minerva caberá ao presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA) — desafeto declarado do presidente da Casa.

Caso seja aprovada a cassação no conselho, o relatório será analisado em plenário. Com votação aberta, em pleno ano eleitoral, as chances de Cunha de escapar da cassação diminuem, mas ele ainda conta com uma tropa de choque fiel e alinhada. Próximo a ele, o líder do governo na Casa, André Moura (PSC-SE), tem procurado se distanciar do padrinho e aproximar-se do núcleo palaciano desde que foi nomeado para o posto.
Temer também terá outro imbróglio para resolver hoje. Ele deve reunir-se com o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Fábio Medina Osório, hoje, e com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Medina balança no posto, ameaçado pelas reviravoltas na demissão de Ricardo Melo na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e por uma suposta carteirada para embarcar em um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) para Curitiba.

Eduardo Cunha está afastado do mandato desde o mês passado por decisão liminar do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro que entendeu haver desvio de finalidade para promover interesses espúrios. Desde março, Cunha é réu no processo que investiga se o parlamentar recebeu US$ 5 milhões de propina por um contrato de navios-sondas da Petrobras. Por unanimidade, o STF negou, na quarta-feira (1º), recurso da defesa do peemedebista contra a abertura de ação penal que o tornou réu da Lava Jato.

ECONOMIA


O Planalto não quer marolas neste momento. Especialmente porque, após as aprovações das matérias de seu interesse no Congresso e a expectativa sobre o encaminhamento da proposta que limita o teto de gastos federais — o que deve acontecer na próxima semana —, o governo Temer espera ter acalmado o mercado, algo fundamental já que ainda patina na aprovação popular. Para melhorar a situação, o presidente em exercício concedeu aumentos para diversos setores do funcionalismo e não tem demonstrado receio de recuar na fusão de pastas. “Não queremos uma Esplanada inteira buzinando contra a gente”, admitiu um interlocutor de Temer. “O presidente Temer tem se demonstrado um especialista na articulação direta, a chamada pequena política. Resta saber se terá capacidade de exercer a grande política, reservadas aos estadistas”, afirmou o professor de Ciência Política da Unicamp Milton Lahuerta.


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