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Estado de Minas

'Mineirinho' e 'Novo Canário' são destinatários de propina da Odebrecht

"Mineirinho", "Grisalho", "Crente", "Novo Canário" e até "Jacaré" estão entre os nomes dos destinatários que receberam recursos do grupo Odebrecht , inclusive, durante as eleições de 2014


postado em 23/03/2016 11:01 / atualizado em 23/03/2016 11:26

São Paulo - Ao avançar sobre o intricado esquema de pagamento de propinas a agentes públicos e políticos das empresas do grupo Odebrecht, os investigadores da Lava-Jato se depararam com uma nova leva de apelidos e nomes cifrados para se referir aos destinatários de pagamentos milionários da empreiteira.

"Mineirinho", "Grisalho", "Crente", "Novo Canário" e até "Jacaré" estão entre os nomes dos destinatários que receberam recursos, inclusive, durante as eleições de 2014.

Na noite desta terça-feira, 22, os executivos da empresa, incluindo Marcelo Odebrecht, anunciaram que decidiram fazer uma colaboração "definitiva" com a Lava-Jato. Com isso, a expectativa é de que os nomes cifrados acabem vindo à tona.

Até o momento, ao menos 21 nomes de destinatários dos pagamentos ilícitos feitos no Brasil a mando de executivos da empreiteira foram identificados pela Polícia Federal, que suspeita que eles sejam em vários casos meros intermediários dos destinatários finais da propina.

Alguns nomes não identificados, contudo, chamaram a atenção dos investigadores, sobretudo pelo grande volume de recursos que teriam recebido, como é o caso de "Mineirinho", apontado como destinatário de R$ 15 milhões entre 7 de outubro e 23 de dezembro de 2014. As entregas, segundo as planilhas, teriam sido feitas em Belo Horizonte.

A quantia foi solicitada pelo diretor superintendente da Odebrecht Infraestrutura para Minas Gerais, Espírito Santo e Região Norte, Sérgio Neves, à secretária Maria Lúcia Tavares, que fez delação e admitiu operar a "contabilidade paralela" da empresa a mando de seus superiores. O pedido foi intermediado por Fernando Migliaccio, ex-executivo da empreiteira que fazia o contato com Maria Lúcia e que foi preso na Suíça.

A solicitação foi encaminhada no dia 30 de setembro de 2014, 13 dias após o então presidente da holdin Marcelo Odebrecht conversar com o presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Junior sobre a "viabilização" de "15" a um destinatário que até então não estava claro para a PF.

"Diante das novas informações ora colacionadas, resta claro que os '15' representam, na verdade, R$ 15 milhões, o total de recursos disponibilizados a Mineirinho, via Sérgio Neves", assinala a Polícia Federal no relatório que embasou a 26ª fase da operação.


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