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Estado de Minas

Posse de Mauro Lopes divide PMDB

Ausência da cúpula nacional do partido na posse do novo ministro ontem, em Brasília, mostra acirramento dos ânimos e indica cisão em relação ao futuro do parlamentar na sigla


postado em 18/03/2016 06:00 / atualizado em 18/03/2016 07:58

Mauro Lopes (E) e o ministro da Justiça, Eugênio Aragão, foram empossados ontem em cerimônia no Palácio do Planalto(foto: Dida Sampaio/estadão Conteúdo)
Mauro Lopes (E) e o ministro da Justiça, Eugênio Aragão, foram empossados ontem em cerimônia no Palácio do Planalto (foto: Dida Sampaio/estadão Conteúdo)

Apesar do apoio da bancada federal mineira, o PMDB está dividido em relação ao destino do novo ministro da Aviação Civil, Mauro Lopes. Com a cúpula nacional ausente de sua posse ontem, que foi conjunta com a do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Civil e de Eugênio Aragão na Justiça, a direção do partido, que agora acumula sete ministérios, além do vice-presidente da República, Michel Temer, pretende discutir hoje o caso e poderá submetê-lo ao Conselho de Ética. Na convenção nacional do PMDB, no sábado passado, uma das moções aprovadas estabelecia que nenhum integrante da sigla poderia aceitar novos cargos na administração federal nos próximos 30 dias, prazo estipulado para que o diretório nacional decida se o PMDB desembarcará do governo.

“Não tenho qualquer temor de retaliação, até porque fui convidado para assumir esse cargo antes da convenção do PMDB, portanto, antes da moção”, afirmou ontem Mauro Lopes, descartando a possibilidade de sua expulsão do partido. “O convite a Mauro Lopes foi feito há muito tempo, antes da moção da convenção, e ele já havia aceitado. Dou integral apoio a ele”, disse o deputado federal Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). Antes mesmo da recondução do líder Leonardo Picciani à liderança da bancada, em fevereiro, a bancada mineira, que reclamava a pequena presença do estado na Esplanada, esperava essa nomeação.

INCERTEZAS Se de fato Mauro Lopes permanecer na legenda, o governo marcará um ponto, confirmando as incertezas em que se debate o PMDB em relação ao governo. Nem será a primeira vez que o PMDB, com o aprofundamento da crise e o impulso político ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, ameaça deixar os cargos da Esplanada. Também em dezembro passado, o vice-presidente Michel Temer deu um passo para o rompimento. Recuou depois, procurando afastar as acusações de que estaria conspirando com a oposição, para afastar Dilma e assumir a Presidência da República.

Mandando um recado ao Planalto de que considerou a posse de Lopes “uma fronta” à convenção nacional do PMDB, a ausência de Temer na posse foi sentida pela articulação política do governo, que também registrou a falta do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), do líder do partido na Casa, Eunício Oliveira (CE), e de Jader Barbalho (PA), pai do ministro Euder Barbalho (Portos). Ao mesmo tempo, emissários foram mandados para sondar o ânimo da bancada peemedebista na Câmara em relação ao impeachment. Lula telefonou a Temer. A conversa foi rápida e cordial, quando foi acertada uma reunião na semana que vem para tratar da crise. Lula também ligou a Renan Calheiros e pediu um encontro com a bancada peemedebista. Já para Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara e um dos principais antagonistas do governo Dilma, o gesto não se repetiu.

Nos bastidores, membros da cúpula peemedebista consideram que, num primeiro momento, a presença de Lula, embora não suficiente para abafar prontamente a crise, dá novo fôlego ao governo. A bancada nacional do PMDB, reunida ontem para indicar os nomes do partido para a comissão especial de impeachment, está dividida em relação ao futuro do governo. A tendência é de deixar tramitar o pedido de impeachment, para se posicionar na medida em que desenrolar os fatos.


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