Brasília – A presidente Dilma Rousseff deixou para o último dia do ano o anúncio de que mudará o comando do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e manterá os demais 13 ministros (veja quadro) que faltavam ser nomeados para o próximo governo. O novo titular do Itamaraty será o embaixador do Brasil em Washington, Mauro Luiz Iecker Vieira. Em nota oficial publicada ontem pela Secretaria de Imprensa da Presidência (SIP), a presidente confirmou a mudança no MRE, agradeceu a dedicação dos demais ministros e os convidou para continuarem nos ministérios em que atuam. A posse dos novos integrantes do primeiro escalão ocorre hoje.
A decisão foi empurrada para a última hora por causa de impasses, principalmente no Itamaraty. A reclamação de servidores de que falta autonomia e orçamento ao ministério já evidenciava as fragilidades da pasta. A indicação de Mauro Vieira também sinaliza uma mudança no rumo da política externa brasileira, com uma reaproximação com os Estados Unidos. O ex-chanceler Celso Amorim, que deixa hoje o Ministério da Defesa, chegou a ser cotado para o cargo, o que significaria um aceno ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na nota, a presidente agradeceu a dedicação do embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, que deixa hoje o Itamaraty. Figueiredo trocará de cargo com Vieira, que deixará a embaixada brasileira nos EUA.
Embora tenham sido confirmados ontem para o segundo mandato de Dilma, alguns dos novos ministros já entram em caráter temporário. Há, ainda, uma indefinição em relação a quem assumirá o controle da Secretaria de Comunicação Social. O ministro da pasta, Thomas Traumann, já manifestou interesse em deixar o cargo. Assim como ele, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, demonstrou vontade de deixar a pasta. A manutenção da ministra Ideli Salvatti na Secretaria de Direitos Humanos enfrenta restrições de setores do PT. Integrantes da legenda reclamam que ela não tem afinidade com a área. Dentro do Planalto, entretanto, há a avaliação de que ela tem feito um bom trabalho.
O futuro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) também está indefinido. Apesar de o titular da pasta, Marcelo Neri, ter sido confirmado para o cargo em maio do ano passado, depois de mais de um ano como interino, há a expectativa de que ele deixe o posto e que a presidente acomode na SAE o ex-chefe de gabinete Giles Azevedo. Fiel escudeiro da presidente, Giles deixou o governo no início do ano passado para integrar o núcleo da campanha de reeleição da presidente.
Os anúncios da composição da nova Esplanada de Dilma foram feitos em cinco etapas. A primeira, no fim de novembro, com a nova equipe econômica, e a penúltima anteontem, com a indicação de Juca Ferreira para o Ministério da Cultura.
MADRINHA Entre as novidades na composição da Esplanada para o próximo governo, está a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que assume hoje o Ministério da Agricultura. A amizade entre ela e a presidente Dilma Rousseff será evidenciada fora do ambiente de trabalho em 1º de fevereiro. Um mês após o início do segundo mandato, a presidente será uma das madrinhas de casamento da ministra. Ela se casará com o engenheiro agrônomo Moisés Pinto Gomes, em Brasília.
