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Estado de Minas

Aécio e Dilma fazem campanha nas portas de fábricas

Aécio e Dilma pedem votos com apoio da Força Sindical e da CUT, respectivamente. O tucano provoca a petista e diz que ela precisa ir às ruas para verificar 'desànimo " da população


postado em 08/08/2014 07:14 / atualizado em 08/08/2014 08:14

Aécio Neves madrugou na porta de uma fábrica de máquinas e equipamentos em São Paulo e terminou carregado por trabalhadores(foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estdão Conteúdo)
Aécio Neves madrugou na porta de uma fábrica de máquinas e equipamentos em São Paulo e terminou carregado por trabalhadores (foto: Marcos Bezerra/Futura Press/Estdão Conteúdo)

Depois do tête-à-tête com o capital (Confederação Nacional da Indústria e Confederação Nacional da Agricultura), chegou a hora da caminhada ao lado do trabalho. A presidente Dilma Rousseff (PT) e o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves (MG), abriram espaço nessa quinta-feira para agendas com as duas maiores centrais sindicais: CUT e Força Sindical. Mais do que atos de campanha, ambos estão de olho em um universo que envolve 8,1 milhões de trabalhadores espalhados em 10 mil sindicatos e que movimentou, até junho deste ano, R$ 162 milhões em cinco das seis maiores centrais do país.

Com Lula, a presidente Dilma Rousseff compareceu a evento na CUT com sindicalistas aliados e disse que seu lado é o dos trabalhadores(foto: Leandro Martins /Futura Press /Estadão)
Com Lula, a presidente Dilma Rousseff compareceu a evento na CUT com sindicalistas aliados e disse que seu lado é o dos trabalhadores (foto: Leandro Martins /Futura Press /Estadão)


Em visita à fábrica de máquinas e equipamentos industriais Voith, em São Paulo, Aécio desafiou ontem a adversária a ir às ruas não apenas em eventos
programados. “Que ela vá olhar no olho das pessoas, que ela possa perceber qual é o sentimento da população brasileira hoje. E é de desânimo, de descrença, essa é uma realidade”, afirmou. O tucano fez comício em que se comprometeu a lutar pelos trabalhadores, mas evitou se comprometer com temas concretos, como o fim do fator previdenciário.

Poucas horas depois, foi a vez de Dilma comparecer, pela segunda vez em uma semana, a um evento da maior central brasileira, que contou com a presença de outras entidades sindicais que declararam apoio à reeleição da presidente. “Não fui eleita em 2010 para arrochar salário, desempregar e tirar direito do trabalhador. Não vim para isso. Tenho um lado. Meu lado é o do trabalhador, das trabalhadoras”, afirmou. E completou: “Valorização do salário, emprego e direitos trabalhistas são os 3 pilares desse governo”.

No evento organizado pela Força Sindical, que o apoia na campanha ao Palácio do Planalto, Aécio estava acompanhado do governador paulista, Geraldo Alckmin, e do antecessor dele, o agora candidato ao Senado, José Serra, e foi recebido por dezenas de trabalhadores. Aécio se comprometeu a garantir o aumento real do salário mínimo e com o reajuste da tabela do Imposto de Renda. O tucano disse que o atual governo perdeu a capacidade de retomar o crescimento da economia do país e prometeu estabelecer um clima que favoreça a volta dos investimentos.

Mais uma vez, ele provocou a adversária petista dizendo que está na hora de ela deixar o governo para quem sabe administrar. “O Brasil não merece mais quatro anos desse governo, e nós sabemos fazer”, afirmou. O candidato disse que, em um eventual governo dele, terá tolerância zero com a inflação. Segundo Aécio, além da “estagflação” – aumento de preços acompanhado de estagnação da economia –que ele já vinha apontando como herança maldita do governo Dilma, o desemprego começa a chegar ao país. “Os índices de emprego a cada mês vêm diminuindo. Portanto, é hora de termos um novo processo de crescimento no Brasil, com tolerância zero com a inflação, com regras claras que permitam a retomada do capital interno e também do capital estrangeiro”, afirmou.

Aécio aproveitou a deixa para reclamar que suas propostas apresentadas no Senado não foram aprovadas e culpar o PT por isso. “Nem uma, que seria básica, e que o PT deveria comemorar, um projeto de minha autoria que transforma o Bolsa-Família em política de Estado, para que ele saia desse terrorismo pré-eleitoral. Nem isso, que superaria essa agenda, o PT deixou votar”, afirmou.

Aos trabalhadores, o presidenciável disse que o Brasil vive uma crise de desindustrialização, pois o governo não inspira confiança. Sobre o fim do fator previdenciário, criado no governo Fernado Henrique Cardoso (PSDB), Aécio não disse qual será sua atitude. Apenas disse que o governo do PT teve a oportunidade de mudar a regra em 11 anos de gestão e não o fez. “Vou assumir o governo e, obviamente, de posse de todas as informações que tiver, vou trabalhar no sentido de valorizar o trabalhador brasileiro em todas as suas variáveis”, disse. No carro de som, Paulinho da Força defendeu o fim do fator.

Aécio chegou à porta da fábrica às 6h40, acompanhado de Alckmin, e tomou café em uma padaria próxima. Os tucanos conversaram com trabalhadores que deixavam o turno da madrugada. Em seguida, eles receberam os que chegavam para o trabalho. O tucano foi carregado por alguns funcionários da Voith.

Por sua vez, Dilma adotou o discurso do bem contra o mal para falar ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sindicalistas, no ginásio da Portuguesa. “Eles quebraram o Brasil três vezes, por três vezes eles levaram o Brasil ao Fundo Monetário Internacional. No nosso período de governo Lula, fomos lá e pagamos. Eles levaram a inflação à estratosfera antes de entregar para nós o governo - afirmou Dilma, em referência à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Assinado pelos presidentes da CUT, UGT, CTB, NCST, CSB, Dilma recebeu um documento que pede novos compromissos do governo com os trabalhadores, como a redução da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário e diálogo permanente com a classe trabalhadora.

Centrais sindicais têm pautas semelhantes


Brasília – No seleto grupo que recebeu ontem as atenções dos candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), a CUT, Força Sindical e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) escolheram um lado, embora em algumas das centrais haja dissidências. A CUT defendeu, em plenário, a reeleição de Dilma. A Força Sindical declarou apoio ao tucano Aécio Neves (PSDB) e a CGTB está ao lado de Eduardo Campos (PSB).

Apesar das divergências, a pauta das centrais é praticamente coincidente e reforça-se diante de um cenário de economia com crescimento fraco e inflação batendo o teto da meta: manutenção da política de reajuste do salário mínimo; ganhos salariais reais acima da inflação; redução da jornada de trabalho, sem redução salarial; cuidados para que os debates sobre terceirização não precarizem as relações trabalhistas e duas convenções internacionais sobre o setor.

Embora a proximidade clássica com o PT, o movimento sindical viveu momentos de distúrbio nas relações durante o mandato de Dilma. Além das diferenças nítidas no trato pessoal, se comparada à postura do ex-presidente Lula, a pauta de reivindicações não foi totalmente atendida, especialmente no tocante aos reajustes para o funcionalismo público.

Nova pesquisa


A pesquisa de intenções de voto para a Presidência da República divulgada nessa quinta-feira pelo Ibope apontou estabilidade na preferência dos eleitores em comparação com os outros levantamentos do instituto. A presidente Dilma Rousseff (PT) aparece com 38% das intenções de voto, mesmo percentual registrado no mês passado. O candidato do PSDB, senador Aécio Neves, aparece em segundo lugar, com 23%. Em julho, o tucano tinha 22%. O socialista Eduardo Campos (PSB) vem em seguida, com 9%. Na edição anterior eram 8%. O candidato do PSC, Pastor Everaldo teve 3%. Os votos em branco ou nulo somam 13%, e 11% não souberam responder. Em caso de segundo turno, Dilma, com 42%, venceria Aécio (36%) se as eleições fossem hoje. Se disputasse com Campos, a presidente ficaria 44%, e o socialista com 32%. No levantamento – registrado com o número 00308/2014 –, foram ouvidos 2.506 eleitores entre os dias 3 e 6 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais.


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