O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, voltou a dizer nesta quinta-feira, 10, no Maranhão, que o grupo político do senador José Sarney (PMDB) será oposição num eventual governo seu e da candidata a vice-presidente Marina Silva. Campos disse ainda que seus dois principais adversários nas pesquisas, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB), pretendem manter esse grupo no governo.
Sobre o palanque duplo no Estado - os candidatos ao governo maranhense Flávio Dino (PCdoB) e Zé Luís Lago (PPL) -, Campos evitou se posicionar e não respondeu em quem votaria se fosse eleitor maranhense. O pessebista reforçou apenas que o Estado vive um ciclo de mudança, com a saída do grupo de poder de Sarney, e que por isso tem um valor simbólico para sua campanha e de Marina. "Estamos aqui em sinal de respeito à luta da oposição no Maranhão", disse explicando porque a campanha dos dois no Nordeste se iniciava ali.
Depois de fazer o primeiro ato de campanha no domingo ao lado de Marina na comunidade do Sol Nascente, em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília, Campos partiu para o Nordeste. Na quarta-feira iria para Fortaleza, mas desistiu após a derrota acachapante de 7 a 1 da seleção brasileira para a Alemanha na terça. Seguiu nesta quinta para o Maranhão e, na sexta-feira, 11, vai para o Rio Grande do Norte.
Campos destacou que a presidente Dilma teve votações expressivas no Norte e no Nordeste, regiões de onde vêm Marina e ele, mas que cresce nos Estados dessas regiões o desejo por mudança. Segundo Campos, o Norte e Nordeste não receberam a atenção que esperavam, a economia desacelerou e municípios quebraram por causa das políticas federais de desoneração fiscal.
Proximidade com Aécio
Questionado sobre as declarações de Aécio Neves simpáticas à sua pessoa, Campos afirmou haver diferenças políticas entre ele e o senador tucano. "Desde 1984, nas Diretas-Já, que eu e Aécio não compartilhamos o mesmo projeto nacional", disse. Campos apontou que Aécio foi da base de apoio de José Sarney e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando ele foi oposição, e quando ele e Marina fizeram parte do governo Lula, Aécio fez oposição. Apesar de marcar as diferenças políticas, Campos afirmou ter capacidade de diálogo com pessoas que pensam de forma diferente da dele.
Romário
Sobre as críticas do jogador e senador pelo PSB, Romário, à CBF, reforçadas depois da derrota do Brasil para a Alemanha, Campos evitou polêmicas e disse que o debate em torno da renovação nas federações de futebol "não é novo". "Muitas pessoas torcem pela renovação das federações no futebol e em outras modalidades", disse. "A CBF é sem dúvida um exemplo disso", completou.
Com Agência Estado
