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Estado de Minas

Campanha à Presidência da República tem início morno

Principais candidatos à Presidência começam campanha de 111 dias ainda em ritmo lento. Aécio Neves e Eduardo Campos têm agendas rápidas de rua, enquanto Dilma inaugura site


postado em 07/07/2014 00:12 / atualizado em 07/07/2014 08:25

Brasília – Atrás nas pesquisas eleitorais e com menos tempo de televisão que a candidata à reeleição, Dilma Rousseff, os dois principais candidatos de oposição aproveitaram o primeiro dia de campanha oficial para sair à rua. Enquanto Eduardo Campos (PSB) esteve em Brasília, Aécio Neves (PSDB) escolheu São Paulo. Dilma decidiu permanecer no Palácio da Alvorada, mas o PT lançou o site oficial de campanha. Aécio e Eduardo atacaram o governo federal em suas agendas, mas com discursos diferentes. O tucano optou por questionar o discurso político atrelado à Copa do Mundo,

acrescentando que a população está madura para saber a diferença entre uma coisa e outra. Já o socialista atacou a inflação e as falhas do governo federal na área de educação. A escolha dos palcos para o início da campanha também foi estratégica. São Paulo, além de maior colégio eleitoral, é uma cidadela dos tucanos há duas décadas e também rende vitórias ao PSDB no plano nacional. Já o Distrito Federal foi o único local em que Marina Silva – vice de Eduardo Campos – venceu nas eleições presidenciais de 2010. Os socialistas acreditam que, atrelando a imagem de ambos, conseguirão subir nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República.


Largada pela internet

Em vídeo em seu site, a presidente Dilma Rousseff reforçou a aprovação do Marco Civil da Internet e prometeu debater reformas(foto: dilma.com.br/Reprodução da Internet)
Em vídeo em seu site, a presidente Dilma Rousseff reforçou a aprovação do Marco Civil da Internet e prometeu debater reformas (foto: dilma.com.br/Reprodução da Internet)
Com a promessa de universalizar o acesso à internet e a expectativa de uma disputa politizada, a presidente Dilma Rousseff preferiu a rede para dar o pontapé inicial da campanha, com o lançamento do site oficial. Em um vídeo de três minutos, ela prometeu mais interação com os eleitores e, em alguns trechos, flertou com políticas que comandou, com destaque para o Marco Civil da Internet, sancionado em abril, e a participação popular nas decisões políticas, apresentada em um decreto publicado mês passado. A exposição das vitrines eleitorais da presidente, entretanto, já vinha sendo fortalecida. Nas últimas três semanas em que pôde lançar programas antes de a legislação eleitoral entrar em vigor, a presidente reeditou o Ciência sem Fronteiras, o Pronatec e o Minha Casa, Minha Vida.


No vídeo, Dilma se comprometeu a fazer uma campanha de “alto nível”. “Ao contrário do que pensam alguns, acho que esta vai ser uma das campanhas mais politizadas da nossa história. Espero que essa politização se dê em torno da discussão, das grandes reformas que o Brasil precisa fazer para caminhar melhor e mais rápido”, disse. O principal espaço para fazer esse debate será a rede – ela afirma ter sido a “presidente que ajudou a criar o primeiro Marco Civil da Internet no mundo”. “Somos um dos países com mais acessos à internet no mundo, e uma das minhas prioridades, em um segundo mandato, será democratizar ainda mais o uso da internet no Brasil”, prometeu. A ideia da presidente é detalhar as propostas no site, “sendo a principal o projeto banda larga para todos”, que visa visa promover a universalização do acesso à rede.


Iniciada oficialmente ontem, a maratona da presidente com foco na corrida já havia começado. O estímulo à interação com a sociedade dentro do governo, que ela cita no vídeo, por exemplo, foi iniciado no fim de maio, com a inauguração do portal Participa.Br. A página ficou no ar pouco mais de um mês e foi congelada devido às regras da legislação eleitoral.


Nas últimas semanas, ela investiu no relançamento de programas com metas atuais ainda em fase de conclusão. O último foi a terceira fase do Minha Casa, Minha Vida, na quinta-feira. Apesar da pendência de 350 mil unidades para serem entregues até o fim do ano, ela abriu nova etapa, que oferecerá 3 milhões de unidades. Na semana anterior, o Ciência sem Fronteiras já havia sido reeditado, quando o governo anunciou que arcaria com os custos antes destinados à iniciativa privada, para atingir a meta de oferecer 101 mil bolsas de estudo no exterior. Sete dias antes, Dilma relançou o Pronatec, com 25% a mais de matrículas a partir de 2015 e com a possibilidade de aproveitar os créditos dos cursos já feitos. O governo alcançou 7,4 milhões, das 8 milhões de matrículas prometidas. (GC)

Sobre Copa e política

Aécio Neves, entre José Serra (E) e Geraldo Alckmin, em visita ao 17º Festival do Japão: aposta dos tucanos na capital paulista(foto: Igo Estrela/PSDB)
Aécio Neves, entre José Serra (E) e Geraldo Alckmin, em visita ao 17º Festival do Japão: aposta dos tucanos na capital paulista (foto: Igo Estrela/PSDB)
Em seu primeiro ato depois do início oficial da campanha, o candidato do PSDB ao Planalto, senador Aécio Neves (MG), afirmou ontem, em São Paulo, que pretende assistir ao jogo de amanhã em Belo Horizonte, mas critica quem tenta associar Copa do Mundo e política. “Alguns acham que podem confundir Copa do Mundo com eleição. O brasileiro está suficientemente maduro e consciente para perceber que são coisas absolutamente diferentes”, criticou o tucano.


Aécio busca um antídoto ao discurso oficial da campanha de Dilma Rousseff (PT), que usa o êxito da Copa do Mundo para responder àqueles que, antes do Mundial, afirmavam que os jogos provocariam um caos aéreo, na mobilidade urbana e uma explosão de violência por conta das manifestações de rua. “Vejo uma tentativa de uma certa apropriação desses eventos para o campo político. Vamos debater em qualquer campo todas as nossas propostas. A campanha eleitoral para mim não é uma guerra, é uma oportunidade de nós apresentarmos as nossas propostas. Vamos fazer isso com transparência”, prometeu o senador mineiro.


A escolha de Aécio por São Paulo para iniciar a campanha presidencial não é fruto do acaso. Principal colégio eleitoral do país, o estado tem dado sucessivas vitórias aos tucanos sobre os petistas durante as últimas corridas presidenciais. Em 2010, o êxito foi apertado – apenas três pontos percentuais separaram José Serra (PSDB) e Dilma.


Este ano, o staff de campanha tucana espera um resultado mais folgado. Para isso, Aécio convidou o senador Aloysio Nunes Ferreira para ser o vice e articulou para que o ex-governador José Serra concorresse ao Senado na chapa do governador paulista Geraldo Alckmin, candidato à reeleição. “Começamos aqui com o pé direito, ao lado do grande governador Geraldo Alckmin, que vai governar São Paulo por mais quatro anos. Ao lado do companheiro José Serra, ao lado do companheiro Aloysio Nunes, o meu companheiro de chapa”, enumerou Aécio.


O presidenciável visitou ontem, com os seus aliados, o 17º Festival do Japão e aproveitou para pintar um olho do bonequinho da sorte, espécie de talismã da cultura japonesa. “Espero, daqui a três meses, estar pintando outro olho (referindo-se ao boneco da sorte)”. Aécio defendeu um debate de alto nível durante a campanha. “Vamos fazer uma campanha decente, propositiva e de alto nível, acreditando na capacidade das pessoas discernirem aquilo que é correto e aquilo que não é. A nossa melhor companhia durante esta campanha é a verdade”, disse ele. Não faltaram também afagos aos japoneses, já que São Paulo é a maior comunidade nipônica fora do Japão. “A cultura japonesa está enraizada na nossa. São seis gerações de japoneses e descendentes, que vêm ajudando o Brasil a ser o que é hoje, seja no agronegócio, na indústria e nos seus valores”, elogiou. (PTL)

Discurso contra descaso

Ao lado de Marina Silva, Eduardo Campos criticou o descontrole da inflação e o abandono do Estado, em comunidade irregular no DF(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Ao lado de Marina Silva, Eduardo Campos criticou o descontrole da inflação e o abandono do Estado, em comunidade irregular no DF (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Cenário de abandono do poder público, com sacos de lixo espalhados nas esquinas e esgoto escorrendo a céu aberto, o Sol Nascente, em Ceilândia, serviu de ponto de partida para o presidenciável Eduardo Campos (PSB), ao lado da vice Marina Silva, iniciar ontem a disputa eleitoral. Atacando o descontrole da inflação e a ausência de políticas públicas na região, o pernambucano disse que o PT deveria ter “humildade de admitir que fracassou”.  O partido “nem disputar as eleições”, alfinetou o candidato, após o corpo a corpo com moradores e comerciantes na caminhada pela terra vermelha de Ceilândia.


Localizada a 35 quilômetros do Palácio do Planalto, a comunidade ainda irregular no Distrito Federal enfrenta problemas de urbanização. O asfalto é precário, não há rede de esgoto nem coleta de lixo. Os moradores entulham os resíduos no canteiro central, à espera do caminhão de recolhimento. “Uma força política que governa Brasília junto do governo federal e não consegue retirar o lixo do meio da rua das comunidades pobres não deveria nem disputar a eleição, deveria ter a humildade de dizer: ‘olha, eu fracassei, eu não consegui fazer as entregas’”, atacou Eduardo Campos.


Para Campos, a situação do Sol Nascente reforça as diretrizes do programa de governo do PSB. “Aqui fica muito claro que a prioridade anunciada por nós, quando botamos o foco na educação integral, é, sem sombra de dúvida, a prioridade de toda a sociedade”, frisou. “Vi mães reclamando da ausência de escolas de nível médio, uma comunidade de 100 mil pessoas, onde a população tem que sair daqui para completar seus estudos, não tem escola fundamental, não tem creche”, pontuou Campos.
“Queremos basear a nossa campanha numa carta dos brasileiros. Aqui, temos um retrato dos brasileiros. A ausência de urbanização numa cidade a poucos metros de Brasília, que precisa de ajuda do poder público para poder viver melhor”, completou a vice. No primeiro ato oficial, Marina Silva contou com o reconhecimento de pessoas na rua. Em 2010, quando tentou a Presidência da República, Marina, que à época era PV, venceu as eleições no DF, com 41,96% dos votos, contra 30% de Dilma Rousseff (PT) e 24% de José Serra (PSDB).


Em meio a pouco mais de 100 pessoas, Campos e Marina ouviram cobranças e reclamações. “O pessoal foi unânime ao dizer que estava indo à feira buscar os mesmos produtos e sentiu que o dinheiro que levava não dava para comprar a mesma quantidade”, relatou. “Tudo que nós não precisamos no Brasil é descuidar da inflação e esse governo descuidou da inflação. Temos que conter a inflação, que corrói o recurso e a renda, sobretudo dos mais pobres”, criticou. Hoje, Eduardo visita Águas Lindas (GO), no Entorno do DF, às 9h. Às 14h, o candidato encontra lideranças do PSB na sede da legenda, na 304 da Asa Norte. (NT)


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