Diego Abreu
Brasília – Ex-presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes quer que o órgão de controle externo do Poder Judiciário tenha uma sede definitiva. Criado em 2005, mas ainda sem um edifício próprio, o conselho será repartido por três diferentes endereços de Brasília. Conforme mostrou o Estado de Minas ontem, a decisão do presidente do órgão, ministro Joaquim Barbosa, de transferir os gabinetes e a estrutura administrativa temporariamente para dois endereços na Asa Norte, desagradou conselheiros e servidores, que pressionam por uma solução alternativa. O CNJ – que hoje funciona no STF – está de mudança marcada para dois imóveis cedidos, localizados na 702/703 Norte e na 514 Norte. O plenário continuará no Anexo I do Supremo.
Entre os problemas apontados está o risco de insalubridade presente no prédio da 702/703 Norte, antiga sede da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Decisões judiciais mostram que a empresa foi obrigada a pagar adicional de insalubridade há cerca de quatro anos. Tanto a EBC quanto o CNJ disseram à reportagem que as antenas de transmissão serão retiradas do local e, ainda, que não há risco de contaminação ao pessoal que irá trabalhar no imóvel.
Sucessores dele no comando do CNJ, os ministros aposentados Cezar Peluso e Ayres Britto cogitaram transferir o órgão de endereço, mas esbarraram em resistências. O antigo prédio do TSE, por exemplo, foi destinado ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. Cogitou-se inclusive a instalação do CNJ no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), mas a negociação também fracassou. Já na gestão de Joaquim Barbosa, firmou-se um acordo para que o conselho ocupe no futuro um dos edifícios atualmente utilizados pelo TRF, que constrói uma nova sede. Como a obra levará alguns anos para ser concluída, Barbosa firmou termo de cessão de três anos com a EBC e optou pela desocupação imediata do prédio anexo ao Supremo. “O STF tem necessidade premente de reocupar a área onde outrora se localizavam os gabinetes dos ministros”, justifica a assessoria do CNJ.
Mensalão
O Supremo Tribunal Federal (STF) retomará somente na semana que vem o julgamento dos embargos infringentes apresentados pelo ex-deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado a nove anos e quatro meses de cadeia no processo do mensalão. O petista está preso há um mês no Complexo da Papuda, em Brasília. A tendência é de que os ministros anulem a condenação relativa ao crime de lavagem de dinheiro. Caso confirmada a expectativa, João Paulo terá pena final de seis anos e quatro meses e permanecerá no regime semiaberto. Na semana passada, a defesa do ex-deputado se manifestou no plenário, assim como o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que defendeu a manutenção da condenação. O voto do relator do caso, Luiz Fux, começará a ser lido no dia 13, já que não haverá sessão na Corte nesta semana. O presidente do tribunal, Joaquim Barbosa, está em viagem oficial à África.
