A primeira sessão no Supremo Tribunal Federal (STF) para análise do mandado de segurança que pede o arquivamento do projeto de lei que estabelece regras para migrações partidárias foi marcada por um desencontro na Procuradoria Geral da República (PGR). Apesar de o procurador-geral, Roberto Gurgel, ter se manifestado favorável ao mandado de segurança há duas semanas e ter alertado que o projeto criaria um “precedente perigoso” e que “agride a Constituição”, a vice-procuradora da PGR, Deborah Duprat, divergiu dele e condenou o uso do instrumento pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para suspender a tramitação da matéria no Congresso. Os ministros se posicionaram sobre o tema na quarta-feira.
Deborah sustentou que o STF não pode impedir que o projeto seja analisado pelas duas Casas do Legislativo e que as interferências por meio de “controles preventivos” devem ser reservadas a condições excepcionais. A vice-procuradora é uma das candidatas à sucessão de Gurgel e representou a PGR na sessão de ontem porque o procurador-geral está em viagem à Europa.
O advogado-geral rebateu críticas ao projeto feitas por advogados de parlamentares e partidos no início da sessão, que consideraram as mudanças aprovadas no Câmara “casuísticas” e “contra as minorias”. "Não se pode usar o argumento maniqueísta ‘maioria contra minoria’ e estabelecer uma definição prévia da pauta legislativa", argumentou Adams.
Na primeira fase da sessão, a advogada do senador Rollemberg, Maria Cláudia Pinheiro, defendeu o mandado de segurança afirmando que a proposta de mudanças nas regras de migração partidária são uma forma “de a maioria opressora manter seu espaço dominante”.
Ela questionou a rapidez da tramitação do texto e afirmou que dificultar a participação de minorias no processo eleitoral representará um “esmagamento no sonho de várias forças políticas”. "De repente, quando forças se articulavam em torno da oposição e uma ex-seringueira começa a ganhar força, o Congresso quer escolher quem pode ou não participar da disputa”, disse, em referência à ex-senadora Marina Silva, fundadora do partido Rede Sustentabilidade. A advogada citou a decisão da Corte em benefício do PSD, como um antecedente favorável às atuais regras para novos partidos.
O projeto do deputado Edinho Araújo (PMDB-SP) impede que parlamentares que mudem de legenda durante o mandato transfiram recursos do fundo partidário e do tempo de rádio e TV da sigla de origem. O tema já foi debatido no STF no ano passado, quando o PSD obteve o direito de receber recursos do fundo proporcionais à bancada formada por deputados e senadores que migraram de outros partidos. O texto foi aprovado na Câmara, mas sua apreciação foi suspensa no fim de abril por decisão liminar do ministro do STF Gilmar Mendes.
