Alessandra Mello
Criado em 2004 a partir de uma dissidência do PT, o PSOL enfrenta uma crise em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país. O partido está praticamente sem comando no estado e deve perder boa parte de seus filiados para a Rede Sustentabilidade, legenda em processo de criação, liderada pela ex-senadora Marina Silva. Alguns de seus filiados estão ocupando cargos de comissão em governos de partidos fora do arco de aliança aceito pelo PSOL nacional, entre eles PSDB, PSB e PT.
Grande parte das 28 coligações com partidos de direta e centro feitas pelo PSOL nas últimas eleições municipais teria sido articulada pelos integrantes do grupo ligado ao PRTB e ao DEM. Muitos ainda permanecem no partido, alguns em postos de comando na direção estadual e também nos diretórios municipais. O partido, que chegou a representantes em cerca de 750 dos 853 municípios mineiros, hoje está organizado em apenas cerca de 70 cidades.
Para tentar reverter a situação, o grupo de históricos do PSOL convocou para hoje um encontro. Uma das exigências é a destituição de João Batista, que se licenciou do cargo e colocou em seu lugar Luiz Carlos Ferreira, candidato do partido ao governo de Minas em 2010, e a expulsão de todos os filiados que não comungam dos ideais da legenda e daqueles que aguardam apenas a regularização do partido, de Marina para se desfiliar.
Um dos insatisfeitos com os atuais rumos do partido é Carlos Campos, um dos fundadores. Segundo ele, há uma tentativa de desconstrução da legenda no estado organizada por pessoas ligadas à direita que se infiltraram na legenda. Para ele, um dos principais responsáveis por isso é o atual presidente que “quase entregou a legenda para a direita”. A reportagem tentou falar com João Batista, mas ele não respondeu o pedido de entrevista. Ricardo Takayuki, do PSOL de Uberlândia, disse que o partido enfrenta essa crise há dois anos sem que haja uma solução, apesar dos apelos para que haja algum tipo de intervenção do comando nacional. “Se nada for feito o partido vai acabar em Minas Gerais”, alerta.
