A condenação do ex-presidente do PT José Genoino é motivo de constrangimento extra para o governo. Além de enfrentar o peso político do veredicto desfavorável aos ex-dirigentes de seu partido, a presidente Dilma Rousseff ainda terá que decidir o que fazer com Genoino, único réu do mensalão que ocupa cargo na administração federal. Desde março do ano passado, ele atua como assessor especial do Ministério da Defesa, com salário bruto de R$ 9 mil. Oficialmente, a pasta informa que não tomará nenhuma providência antes do encerramento do julgamento, mas a expectativa dos militares é que Genoino peça a exoneração do cargo, para evitar o desgaste de uma demissão. Caso isso não ocorra, a Defesa vai realizar um estudo jurídico sobre a situação do servidor, condenado por corrupção ativa pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
José Genoino está de licença médica e isso impede a sua demissão durante o período de validade do atestado. A licença, no entanto, acaba hoje. Em setembro, ele foi submetido a um cateterismo no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, para análise das artérias coronárias. O exame apontou que o sistema circulatório do ex-presidente do PT é normal para sua idade. Genoino, que é fumante há mais de quatro décadas, recebeu a indicação para tomar remédios anti-hipertensivos.
O advogado de José Genoino, Luiz Fernando Pacheco, afirmou ontem que não sabe se seu cliente deixará o cargo no Ministério da Defesa e não quis adiantar se apresentará embargos ao Supremo para questionar a condenação do ex-presidente do PT. “Por enquanto, ainda estou perplexo. Depois a gente vai ver o que fazer”, afirmou Pacheco.
Repercussão internacional
As condenação de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares repercutiram na imprensa internacional. A edição on-line do The Washington Post destacou que o “ex-braço direito do popular ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi considerado culpado por corrupção”. Já o francês Le Monde afirmou que, apesar dos veredictos, as penas do trio só serão conhecidas no fim do julgamento. O periódico ressaltou ainda que o julgamento dos petistas, que ocorre paralelamente às eleições municipais, não abalou a expressiva popularidade de Dilma Rousseff. O espanhol El País lembrou que, após condenar os “corrompidos”, o STF declarou culpados os “corruptores”.
