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Estado de Minas

PT reage a ameaça de demissão da Prefeitura de Belo Horizonte

Para Roberto Carvalho, exoneração de servidores filiados à legenda, anunciada por Lacerda, pode prejudicar "trabalhadores inocentes"


postado em 10/10/2012 06:00 / atualizado em 10/10/2012 08:43


O vice-prefeito e presidente municipal do PT, Roberto Carvalho, criticou nessa terça-feira declarações do prefeito Marcio Lacerda (PSB) de que filiados à legenda deverão ser exonerados dos cargos que ocupam na Prefeitura. O petista classificou o fato como um exemplo de “intolerância” que poderá “prejudicar pessoas inocentes e trabalhadoras” em razão do que ele considera uma perseguição política. A alegação é de que os funcionários que estão na mira do prefeito não chegaram aos cargos por indicação partidária e não têm histórico de militância.

Desde o rompimento entre PT e PSB – que estiveram juntos na disputa de 2008 –, 375 petistas já teriam deixado cargos na prefeitura, inclusive de primeiro e segundo escalão. Não há uma estimativa de quantos ainda ocupam cargos na administração socialista. “O partido não responde pelas pessoas que ainda estão na prefeitura”, afirmou o vice-prefeito, que a princípio tem orientado os funcionários a “manterem a calma” e permanecerem nos cargos se julgarem ser essa a melhor opção.

Lacerda e Carvalho estão rompidos oficialmente desde o início do ano passado, mas a relação entre os dois se tornou problemática ainda no primeiro ano de governo. O estopim para o racha entre PSB e PT foi a decisão dos socialistas de não se coligarem aos petistas na disputa pelas vagas da Câmara Municipal. A cinco dias do registro das candidaturas, o PT optou por lançar candidato próprio – movimento liderado pelo atual vice-prefeito. O indicado foi o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias.

Dias depois, foi exonerada a “primeira leva” de petistas, quando 13 nomeados – entre os quais seis secretários municipais – assinaram um documento entregando seus cargos. Para Roberto Carvalho, a decisão de Lacerda mostra que a administração municipal é tratada como um “curral” e que está a serviço de quem ganha as eleições. Ele lembrou ainda que durante a campanha eleitoral chegou a denunciar o “clima de terror” a que estavam sujeitos os petistas que permaneceram na PBH.

Pelo menos a princípio, a direção do PT não vai interferir na polêmica. “É direito dele (Lacerda) demitir pessoas que ocupam cargos comissionados. Agora, se quiserem sair antes, será uma decisão individual de cada um”, disse o vereador e vice-presidente do PT municipal, Arnaldo Godoy. Ao comentar sobre a retirada de petistas da prefeitura na segunda-feira – um dia depois de conquistar a reeleição –, Marcio Lacerda afirmou que alguns funcionários filiados ao PT adotaram posturas “agressivas e desleais”. O temor do prefeito é de que eles possam prejudicar a sua gestão por pertencerem a um partido que já anunciou que fará oposição a ele.

Nos bastidores, o que circula é que no lugar dos petistas que deixarão os cargos serão nomeados integrantes dos partidos que apoiaram a reeleição de Lacerda. No total, 19 legendas se coligaram com o PSB. A assessoria de imprensa da PBH foi procurada pela reportagem e informou que ninguém falaria sobre o assunto.

e mais...
Apoio do PMDB
» Em reunião com o vice-presidente Michel Temer, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou ontem o apoio do PMDB à candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. A aliança, porém, só será oficializada hoje. O encontro foi promovido na casa do vice-presidente, na capital paulista, e foi acompanhado também por Haddad e Gabriel Chalita, que ficou em quarto lugar nas eleições. Ainda ontem, ciente do peso que o julgamento do mensalão e a condenação de estrelas petistas no processo deverão ter no segundo turno, Lula defendeu que o PT não deixe sem resposta o uso do processo nos ataques feitos por adversários nas campanhas. A orientação foi passada durante discurso do ex-presidente em reunião do partido em São Paulo com prefeitos eleitos e candidatos que ainda disputam prefeituras nesta segunda fase das eleições. Petistas creditam ao uso eleitoral do tema por rivais de campanha o fato de a legenda não ter alcançado a meta de conquistar mil prefeituras – o PT ficou em terceiro lugar em número de prefeitos eleitos, com 626, atrás do PMDB (1.020) e do PSDB (693).

Novos partidos

» De volta à ativa em ritmo lento e quórum baixo para votar até propostas de menor complexidade, a Câmara dos Deputados pretende aprovar hoje um projeto polêmico, que vai limitar a criação de novos partidos. A proposta impede que parlamentares que migrarem para legendas criadas após as eleições levem consigo os recursos do fundo partidário e o tempo de propaganda no rádio e na TV. Incluída na pauta às pressas, a pedido de partidos que perderam filiados com a fundação do PSD, a matéria deve enfraquecer iniciativas já em curso para fundar agremiações políticas. O Brasil tem 30 partidos registrados e há mobilização para que sejam criados, pelo menos, mais dois: Partido Pirata e Democrata Progressista.


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