O PT do Recife promete resistir à intervenção da executiva nacional do partido no processo sucessório da cidade. Nos próximos dias o grupo político do prefeito João da Costa vai se encontrar para discutir os rumos a serem tomados após a cúpula do PT impor o nome do senador Humberto Costa à eleição para prefeitura de Recife.
Buscar o diálogo; entrar com recurso na direção nacional em prol do direito à reeleição de João da Costa; buscar a justiça comum para restabelecer o direito do prefeito de postular um segundo mandato. Estas são algumas das alternativas que serão discutidas em um encontro ainda sem data e horário definidos. "Será depois do feriado", limitou-se a dizer o presidente do PT do Recife, Oscar Barreto, ao defender que o assunto deve ser tratado sem cabeça quente. A militância do prefeito se prepara para recebê-lo com festa nesta quinta à tarde, no Aeroporto dos Guararapes, onde ele desembarca, vindo de São Paulo.
O problema, de acordo com os aliados do prefeito, foi a intervenção realizada pela executiva e não o nome de Humberto Costa, que seria tranquilamente acatado se ele aceitasse disputar e saísse vencedor de uma nova prévia. "Foi uma violência", resumiu o deputado federal Fernando Ferro.
O grupo político do prefeito está convicto de que a decisão da executiva nacional nada tem a ver com uma suposta negociação feita com o PSB - Humberto candidato no Recife em troca do apoio a Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo. "Isso não existe, é desculpa para justificar uma intervenção que o governador Eduardo Campos (presidente nacional do PSB) não exigiu".
"Esta história é apenas uma justificativa para a violência do PT neste processo", reforçou Fernando Ferro. "Pura especulação, o governador podia ter suas preferências, mas sempre deixou claro que acataria a decisão do PT do Recife", acrescentou a deputada estadual Teresa Leitão, apoiada pelo presidente do PT na capital Oscar Barreto.
