O ministro das Cidades, Mário Negromonte, pediu demissão do governo nesta quinta-feira, por meio de carta entregue à presidente Dilma Rousseff. Ele é o oitavo ministro a cair desde a posse da petista, em 2011. Desde o fim do ano passado, Negromonte foi alvo de uma série de denúncias, ainda não comprovadas pelo Ministério Público, Tribunal de Contas da União ou pela Controladoria Geral da União, vistas pelo ministro como “fogo amigo”. O titular teria dado aval a um documento adulterado, para recomendar projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e desbancar o projeto original de linha rápida de ônibus (BRT) na capita do Mato Grosso, o que encareceu a obra em R$ 700 milhões. Negromonte é acusado ainda de ter participado de um encontro na casa do deputado João Pizzolatti (PP-SC), para negociar com o empresário Luiz Carlos Garcia o resultado de uma licitação do Ministério das Cidades para a contratação de empresa de informática.
Até o momento, o ministro reafirma ser inocente e nega a irregularidade no projeto de mobilidade urbana em Cuiabá. “A idade de mentir já passou. Se tiver qualquer Bíblia para fazer juramento, eu farei”, disse Negromonte. Na carta de demissão escrita por ele para ser entregue à presidente Dilma, Negromonte afirma ser um aliado de primeira hora e sempre fiel. Ele também reiterou que as denúncias de irregularidades na pasta não comprovam nada contra ele. O provável substituto de Negromonte é o líder da bancada do PP na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
No entanto, a pedido de Dilma, pouco a pouco os homens da confiança de Negromonte no Ministério foram demitidos, conforme publicações dest semana no Diário Oficial da União. Depois da exoneração do chefe de gabinete da pasta, Cássio Peixoto, o poder do ministro foi enfraquecido.
O PP, partido ao qual Negromonte é filiado, já teria decido emplacar o deputado federal pela Paraíba, Aguinaldo Ribeiro, a ocupar o cargo. Ele é o atual líder da sigla na Câmara dos Deputados e é visto pelo Palácio do Planalto como uma “boa liderança”, por ter conseguido garantir o apoio ao governo assim que assumiu a bancada, após crise do PP com a cúpula de Dilma.
Aguinaldo responde a dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles, mais grave, por improbidade administrativa, porque ele teria dispensado licitação para a compra de vacinas contra febre aftosa durante o período em que foi secretário estadual de Agricultura da Paraíba, entre 1998 e 2002. Outra denúncia indica que o parlamentar favoreceu a irmã, a deputada estadual e pré-candidata a prefeita em Campina Grande, Daniella Ribeiro (PP-PB), no Orçamento deste ano. Aguinaldo é o autor de três emendas que somam R$ 780 mil para obras de saúde e educação no município paraibano, onde a família do ministeriável exerce forte influência.
Com informações de Marcelo Ernesto

