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Estado de Minas

Governo admite desembolso maior com aposentadorias especiais e de mulheres

Objetivo seria garantir a votação de fundo dos servidores neste ano


postado em 30/11/2011 06:00 / atualizado em 30/11/2011 07:43

"O governo evoluiu bem e vamos chegar a um meio-termo sobre a alíquota da União", Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara (foto: Antônio Cruz/Abr - 1º/9/11)
Brasília – Na ânsia de aprovar o plano de previdência do servidor público federal, a equipe da presidente Dilma Rousseff cedeu a uma série de reivindicações da categoria. Depois de reuniões com os líderes da base aliada do governo, representantes do Palácio do Planalto aceitaram a possibilidade de arcar com as diferenças de custos das aposentadorias para mulheres, para servidores que desempenham atividades de risco e das especiais, que são aquelas concedidas com menos tempo de contribuição para professores e policiais, por exemplo. Além disso, o governo vai cobrir os benefícios por invalidez e criará um subfundo de longevidade para garantir o pagamento do benefício até o fim da vida dos segurados.

"O projeto inicial não garantia isso. Se o servidor vivesse acima do tempo estabelecido, na hora de definir a contribuição para o fundo de previdência complementar, ficaria apenas com o teto de quem se aposenta pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)", explicou o deputado Maurício Quintella Malta Lessa (PR-AL), relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) do Projeto de Lei 1.992/07, que estabelece o novo sistema para o funcionalismo.

Pela proposta, para garantir o teto do INSS, atualmente em R$ 3.691,74, o servidor terá de contribuir com parte de seu salário –  definida em 7,5% da remuneração – e a União fará uma contrapartida no mesmo valor. Com as concessões que o governo fez, esse percentual sobre o salário poderá subir para 8,5%, tanto para os cofres públicos quanto para o funcionalismo. “O governo evoluiu bem e vamos chegar a um meio-termo sobre a alíquota da União”, garantiu o líder do governo na  Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). "Para a União, isso é um grande negócio. Hoje, ela contribui com 22% e ainda paga o déficit", afirmou o relator. O rombo da previdência do setor público supera R$ 52 bilhões por ano.

O governo ainda está detalhando as mudanças. Apenas depois de analisar os novos custos do sistema o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá bater o martelo sobre as alterações. Mas todo o esforço é para que a votação da proposta seja concluída em até 15 dias no Congresso. Se o texto for aprovado, a nova regra só valerá para os servidores que ingressarem no serviço público após as mudanças.

No caso da aposentadoria das mulheres, o aumento bancará a diferença de cinco anos de contribuição que elas têm em relação aos homens. No que diz respeito às funções de risco, servidores que exercem atividades que ameacem sua integridade física – como policiais federais e rodoviários federais – poderão se aposentar mais cedo que outras categorias. Outra mudança em vista é a portabilidade. Um funcionário que migrar do Executivo para outro poder, por exemplo, terá considerado o tempo anterior de contribuição. (Colaborou Vânia Cristino)

 

Outras concessões

O Palácio do Planalto já havia feito outras duas concessões na proposta de previdência do servidor público. "Nada que descaracterize o projeto", observou o Secretário de Previdência Complementar, Jaime Mariz. Primeiro, ele desistiu de criar um fundo único de previdência para os Três Poderes – agora, cada um poderá ter o seu. Depois, recuou da proposta de tornar obrigatória a terceirização da gestão dos fundos. "Com as mudanças, isso será facultativo. Eles poderão ser terceirizados ou geridos pelos próprios poderes", disse o deputado Maurício Quintella Malta Lessa (PR/AL), relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

 

Descanso regulamentado

Confira as mudanças no projeto

 

O fundo complementar de previdência deverá prever o pagamento da aposentadoria a quem pedir o benefício por invalidez como se tivesse contribuído durante todo o prazo estipulado inicialmente.

Mesmo contribuindo cinco anos menos que os homens, as mulheres terão garantida a aposentadoria como se houvessem trabalhado pelo mesmo prazo que os servidores. Nesse caso e também no de professores e policiais, deverá haver contribuição adicional do próprio servidor e da União.

Funcionários que exercem funções de risco poderão parar de trabalhar mais cedo que integrantes de outras categorias.

O governo criará um fundo de longevidade para garantir o pagamento do benefício até o fim da vida dos segurados.

No lugar de um fundo de previdência único, cada um dos Três Poderes terá o seu.

Os fundos poderão ser terceirizados ou geridos pelos próprios poderes.

É prevista a portabilidade: um servidor do Executivo que migrar para o Judiciário, por exemplo, terá considerado o tempo anterior de contribuição.

O sistema deverá prever também a pensão por morte.


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