Durou menos de 24 horas a certeza do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, de que a presidente Dilma Rousseff não poderia demiti-lo do cargo após as recentes denúncias de irregularidades na pasta. Um dia depois da entrevista coletiva em que afirmou que só deixa o cargo “abatido a bala”, Lupi foi enquadrado pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Ela deixou claro ao colega de Esplanada quem realmente manda em um sistema presidencialista. “Qualquer ministro sabe que quem convida ou demite um ministro de Estado é o presidente da República, no caso a presidente Dilma Rousseff”, disse a ministra, durante reunião com Lupi no Palácio do Planalto.
Lupi entendeu o recado. Após a abertura do encontro sobre estratégia de inclusão produtiva urbana do Programa Brasil sem Miséria, no Centro de Convenções Brasil 21, o ministro afirmou que, em nenhum momento, quis desafiar o poder da presidente Dilma. Alegou que, na verdade, o desafio lançado havia sido mal interpretado.
O ministro disse que, de fato, estava questionando a onda de denuncismo existente no país. “Eu estou desafiando aqueles que maculam a honra das pessoas sem direito de defesa. Estou desafiando aqueles que mentem. Estou desafiando aqueles que fazem da mentira um instrumento para acabar com a reputação das pessoas”, declarou Lupi.
Leitura dos jornais
Antes mesmo da conversa com Gleisi, Lupi havia admitido aos aliados no partido que tinha falado mais do que devia na véspera. Ele percebeu o erro em questionar o poder presidencial logo pela manhã, durante a leitura dos jornais. “Lupi me ligou e disse que o calor do debate e as reiteradas manifestações de apoio o tinham deixado entusiasmado e, por isso, não medira as consequências do que havia dito”, afirmou o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP).
Apesar do enquadramento palaciano, o ministro manteve o tom arrogante nessa quarta-feira, ao dizer que já havia dado todas as respostas que tinha que dar, apresentado os documentos necessários para sua defesa e que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, já havia dito que nenhuma das atuais acusações estão ligadas diretamente a ele. E ainda brincou, ao responder se ele poderia ser a bola da vez das demissões ministeriais: “Só se for a bola sete, que é a bola que dá a vitória”, provocou. O ministro vai nesta quinta-feira à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara para defender-se das denúncias que atingem a pasta. Por um acordo de lideranças governistas, ele não foi convidado nem convocado. Vai por livre e espontânea vontade.
