Brasília – A presidente Dilma Rousseff trocou o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, nomeou interinamente o secretário-executivo Paulo Sérgio Passos, mas não se livrou do fantasma de Valdemar Costa Neto, o secretário-geral do PR e comandante em chefe do partido. "Os momentos da República se repetem. Já vivemos vários. Isso passa", disse Valdemar a um entristecido Alfredo durante encontro nessa quarta-feira na sede do PR em Brasília.. Os dois acertaram que o agora ex-ministro continuará no comando do partido, de seus 40 deputados e seis senadores e do tempo de TV de dois minutos no horário eleitoral gratuito. Assim, do alto do comando do PR, Alfredo espera pressionar Dilma e a base do governo para preservar o mandato de senador.
A bancada do PR tem clara preferência pelo nome do senador Blairo Maggi (PR-MT). Eleito para o primeiro mandato no Senado, Blairo foi duas vezes governador do estado e teve um papel essencial na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006. No segundo turno daquela eleição, atuou para reduzir a rejeição que o petista tinha entre os ruralistas. "O PR vai sempre apoiar alguém que tenha mandato, por ter mais força política", disse o deputado Luciano Castro (PR-RR). O partido luta para não ser atropelado pelo Planalto, a exemplo das substituições na Casa Civil e na Secretaria de Relações Institucionais, quando Dilma escolheu Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti, respectivamente, sem consultar a bancada do PT no Congresso.
A presidente demonstrou apreço por Paulo Sérgio no meio da tarde. Enquanto Valdemar e Alfredo selavam as pazes, a presidente se reunia com Passos e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para discutir a Transnordestina e outros temas relativos à Valec. Alfredo não havia sequer sido comunicado da reunião. "Sou um ministro desconsiderado. Não posso ficar exposto a essa situação", afirmou. De lá, ele enviou à presidente a carta de demissão.
Inoperância
Dilma aceitou sem titubear. Ela avaliou que o ministro foi inoperante nos últimos dias. Relutou em aceitar a exoneração dos subordinados citados em escândalos. No caso de Luiz Pagot, ex-diretor-geral do DNIT, a Casa Civil teve que divulgar que, tão logo ele voltasse de férias, seria exonerado caso não decidisse pedir a exoneração. Outro foco da insatisfação de Dilma foi a decisão de Alfredo de manter obras e contratos do ministério em vigor enquanto durassem as investigações. Na terça, o ex-ministro teve que divulgar novo comunicado afirmando que tudo estava suspenso por no mínimo 30 dias, tempo previsto para o término do inquérito.
O primeiro sinal de que o prazo de validade de Alfredo no ministério estava vencido foi dado no fim da manhã dessa quarta-feira. Dilma pediu à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que marcasse um almoço com caciques do PR. Ideli ligou para o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), e para Luciano Castro (RR) pedindo um encontro na casa do líder. Ela foi direta: "Sabemos que muitas das denúncias são antigas, mas o fato político está aí e precisa ser resolvido", comentou a ministra.
