Um dos últimos deputados oposicionistas que ganharam holofotes durante a CPI dos Correios, em 2005, está com os dois pés na base governista. Responsável por boa parte dos ataques na maior crise do então governo Lula, Gustavo Fruet deve anunciar a saída do PSDB para o PDT nas próximas semanas. Com a bênção do PT, seria o candidato governista à prefeitura de Curitiba no ano que vem. Em rota de colisão com o governador paranaense, Beto Richa (PSDB), o ex-deputado federal teria um petista como candidato a vice na chapa.
A sinuca do ex-deputado federal ficou configurada depois que ele perdeu a disputa pelo Senado para Roberto Requião (PMDB-PR). Sem mandato, ele almeja desde então concorrer à prefeitura. Mas o atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), é homem de confiança de Richa e tentará a reeleição. Isolado no partido, Fruet busca opções de legenda dentro da base governista. Além do PDT, correm por fora o PV e o PMDB. “É uma situação difícil de ser revertida. Cumpri meu papel de oposição, mas não tenho mais segurança política por conta da movimentação do meu partido. Uma legenda não pode ser a soma de projetos individuais”, critica Fruet.
Acordo
Pela estratégia elaborada com o PT, o ex-deputado seria o candidato governista à prefeitura de Curitiba, com um nome petista de vice. O mais forte é o deputado federal Angelo Vanhoni (PT-PR). Pelo acordo, Fruet apoiaria o PT dois anos depois, na eleição para o governo do Paraná — a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, é o principal nome do partido para 2014. “As conversas com Fruet estão avançadas e esperamos a decisão dele para julho. Assim, teremos tempo suficiente de montar uma estrutura forte de campanha. Mas isso não significa que iremos pressionar por uma decisão antecipada”, explica o deputado federal André Vargas (PT-PR).
Sobre a mesa de Fruet, pesa em favor do PDT o fato de o partido ser o único em que ele não encontraria desafetos imediatos. No PMDB, legenda à qual o ex-deputado foi filiado, haveria necessidade de composição com Requião. Nas últimas semanas, o ex-governador teria dado até aval para um armistício — e o embarque de Fruet no partido. Mesmo assim, as conversas ainda não evoluíram.
No PSC, o ex-deputado federal teria como entrave o deputado federal Ratinho Júnior (PSC-PR). Já o PV vive fase de intensa turbulência interna e deve perder seu principal quadro, Marina Silva, na semana que vem. “O PSDB tem pouquíssimos candidatos competitivos nas capitais brasileiras e até agora não tem projeto unificado. Há três meses, pedi uma resposta. Nada me foi dito até agora, mas chegará a hora em que o silêncio será uma resposta”, antecipa Fruet.
