A escolha de quem vai pisar no acelerador já foi feita, mas a potência que o motor dará como resposta ainda é uma incógnita. Depois da eleição do comando do PSDB nacional, que deixou o senador Aécio Neves mais perto de ser o candidato do partido à Presidência da República em 2014, a cúpula tucana em Minas Gerais definiu como prioridade o aumento da presença da legenda no estado, sob pena de se ver em situação constrangedora: abrigando o principal nome do PSDB de todo o país e, ao mesmo tempo, restringindo-lhe a capacidade de voo. Se as eleições fossem hoje, Aécio, sem depender de aliados, teria guarida em apenas 325 dos 853 municípios de Minas Gerais. O número corresponde ao total de diretórios tucanos no estado. Os prováveis adversários do senador em 2014, PT e PMDB, estariam mais bem servidos, com 475 e 654, respectivamente.
A comparação intriga os próprios tucanos, sobretudo quando levado em conta o fato de que o PSDB governou o estado entre 1995 e 1998, com Eduardo Azeredo, e entre 2003 e março de 2010, com os dois mandatos de Aécio Neves, que deixou o cargo para tentar viabilizar candidatura ao Palácio do Planalto, e, desde então, com Antonio Augusto Anastasia, que se reelegeu no ano passado. Por sua vez, o último governador eleito pelo PMDB em Minas foi Itamar Franco em 1998. Antes, a legenda havia vencido a disputa com Newton Cardoso, que ocupou o Palácio da Liberdade entre 1987 e 1991. Já o PT nunca ganhou eleição para o governo de Minas.
Se contabilizado o número de pedidos enviados à sede do PSDB para criação de comissões provisórias, a representatividade dos tucanos aumenta. O partido em Minas Gerais analisa hoje 243 dessas solicitações. Se todas forem confirmadas – o que depende de averiguação de documentos feita pela própria legenda –, o partido teria condições, nas eleições municipais do ano que vem, de lançar candidatos em 568 municípios, já que, pela legislação eleitoral, podem concorrer apenas filiados a partidos que tenham diretório ou comissão provisória instalados na cidade.
O número é bem inferior ao do PMDB, que poderá disputar cargos em 744 cidades (654 diretórios mais 90 comissões provisórias) e pouco menor que o do PT, habilitado a concorrer em 580 municípios (475 diretórios e 105 comissões provisórias). O prazo para instalação de comissões provisórias termina em junho de 2012.
Por outro lado, o PSDB comanda um número maior de cidades em Minas, 160. PMDB vem logo atrás, com 120. Já o PT tem 101 prefeitos. Em relação ao total de vereadores, os tucanos estão em segundo lugar, com 770 parlamentares, contra 1.056 do PMDB e 661 do PT.
Na avaliação do professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Ranulfo, apesar dos números, os tucanos não têm com o que se preocupar. Segundo o acadêmico, o volume de diretórios nem sempre indica força do partido. No caso dos tucanos, diz, a ausência de representação nos municípios afeta ainda menos. “É uma legenda de elite. Ao contrário do PMDB e PT, no PSDB não há vida partidária. Todas as decisões são tomadas pela cúpula.”
O professor afirma ainda que, depois de tantos mandatos à frente do Palácio da Liberdade, o PSDB é o principal partido de Minas Gerais, independentemente da ausência de capilaridade que vive no estado.
Inversão de prioridade
O vice-presidente do PSDB estadual, deputado federal Domingos Sávio, porém, não está satisfeito com o desempenho dos tucanos em Minas. O parlamentar avalia que, por seguir no comando do estado ao longo dos últimos anos, o número de prefeitos eleitos pelo partido em 2008 pode ser considerado “uma mixaria”. Escolhido como um dos articuladores do partido para as eleições do ano que vem, o parlamentar defende uma mudança de estratégia da legenda no que se refere às alianças construídas para a briga nas últimas eleições municipais.
Para Domingos, o partido precisa se candidatar, como cabeça de chapa, em todos os municípios em que tiver condições de ganhar. “Muitas vezes o PSDB tem sido generoso, e às vezes a recíproca não é verdadeira. A gente deve ter carinho com aliados, mas onde houve chance de vitória, temos que disputar”, argumentou.
O tucano acredita que, com Aécio como candidato a presidente da República, é fundamental ter o PSDB com mais força em Minas Gerais. “Para chegarmos no cenário nacional com o nome do senador bem respaldado é importante que o partido esteja bem estruturado em Minas”, diz o vice-presidente do PSDB de Minas
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PSDB ampliar presença no interior de Minas para sustentar candidatura de Aécio em 2014
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