Aliados do governo saíram publicamente em defesa do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, mas, na prática, a situação dele é cada vez mais delicada. O PT já está decidido a não divulgar nenhuma nota oficial de apoio a Palocci, mesmo depois das explicações do ministro – em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite de sexta-feira – sobre a multiplicação por 20 de seu patrimônio nos últimos quatro anos. O isolamento junto aos petistas se soma à informação que partidos aliados fizeram circular de que, recém-chegado de uma viagem a Bahamas, Cuba e Venezuela, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontraria ainda ontem com Dilma. Na pauta, o destino de Palocci, cada vez mais fragilizado no cargo.
Um deputado petista resumiu a situação do ministro no governo: “Essa é uma situação difícil, que chegou ao limite.” A expectativa dentro do PT é sobre a extensão de eventuais mudanças no núcleo político do governo de Dilma. Uma mexida na Casa Civil pode se estender à Secretaria de Relações Institucionais, hoje comandada pelo petista Luiz Sérgio. Palocci assumiu a linha de frente das negociações políticas, reservando a Luiz Sérgio um papel secundário. “Ainda não dá para saber se eventuais mudanças atingiriam Luiz Sérgio ou ocorreriam apenas na Casa Civil”, diz o deputado ouvido pelo Estado de Minas.
As explicações dadas por Palocci sobre a evolução de seu patrimônio, as primeiras desde o início da crise na Casa Civil, não foram convincentes, na opinião de setores do governo. O ministro negou ter praticado tráfico de influência, dissociou os ganhos de sua empresa – a consultora Projeto – de recursos de campanha, negou que Dilma soubesse quem foram seus clientes e manteve em sigilo a lista de clientes e o faturamento da empresa. Somente no ano passado, a Projeto faturou R$ 20 milhões com as consultorias dadas por Palocci. “Não me peçam para revelar, porque há cláusulas contratuais”, declarou o ministro.
No que depender de tucanos e democratas, o cerco se fechará cada vez mais para o lado de Palocci. A avaliação é de que o ministro terá um começo de semana difícil. Lideranças da oposição voltarão a trabalhar pela aprovação de requerimentos de convocação para que o ministro vá depor na Câmara ou no Senado. Em outra frente, insistirão na coleta de assinaturas para a aprovação de uma CPI contra Palocci.
O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), avalia que Palocci “calculou mal” ao dar as entrevistas na sexta-feira. “Ele imaginou que as entrevistas pudessem encerrar a crise. Mas, na verdade, realimentaram a crise, já que ele se recusou a citar as empresas e valores.” Na avaliação do tucano, não há mais clima para que Palocci continue no cargo. “Cabe à presidente somente afastá-lo”, sugere. O senador acredita que com “a situação insustentável” é provável que membros da base aliada do governo revejam suas posições iniciais de barrar a convocação do ministro para um depoimento na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.
O vice-presidente da República, Michel Temer, que discutiu asperamente com Palocci em uma reunião interna na semana retrasada, avalia como satisfatória e convincente a entrevista do ministro. “Ele veio à público dizer o que tinha de dizer, acho que ele foi muito convincente e teve muita lealdade profissional com seus clientes e com aqueles que serviu”, afirma
Para o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), as explicações dadas por Palocci foram “consistentes”. “Foi feito tudo conforme a lei e caberá, agora, à Procuradoria-Geral da República se posicionar.” O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), também afirma que o sigilo das atividades profissionais é um “direito” de Palocci. “Isso é delicado, mas ele explicou por que não pode revelar seus clientes.”
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Palocci será alvo da oposição e também de fogo amigo
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