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Estado de Minas

Obstrução para derrubar duas MPs causa tumulto no plenário do Senado


postado em 02/06/2011 08:18 / atualizado em 02/06/2011 08:23

Obstrução para derrubar duas medidas provisórias que perderiam a validade depois da meia noite causou cenas de agressão verbal e início de violência física no plenário do Senado. A sessão encerrada às 00h, após proclamação da perda de validade das Medidas Provisórias 520 e 521, registrou episódios que, de acordo com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), levaria grande parte dos parlamentares ao conselho de ética da Casa por quebra de decoro. "Tenho certeza de que se nós formos para o conselho de ética, muitos não estariam aqui. Foi um ato de vergonha. Voltamos ao tempo em que senadores vinham armados para o plenário".

O tumulto começou depois que integrantes da oposição se revezaram na tribuna - a partir das 21h de ontem - para deixar correr o tempo e não votar a MP 520 e MP 521, que tratam da criação de empresa pública para gerar hospitais universitários e reajusta bolsa dos médicos residentes, respectivamente. A manobra da oposição contou com o apoio da bancada do PMDB, que não se esforçou para votar as medidas que caducaram.

Após a votação da MP 517, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deixou a sessão e entregou o comando à senadora Marta Suplicy (PT-SP). %u201CSarney desapareceu%u201D, resumiu o senador Armando Monteiro (PTB-PE) ao deixar o plenário depois da confusão. A partir daí, os parlamentares iniciaram ofensiva para impedir a votação e Marta ficou sob o fogo cruzado dos descontentes com o governo que aproveitaram a sessão para mandar recado para a Presidência da República, apoiando de forma velada a obstrução da oposição. Sem a experiência política do comandante da Casa, a senadora ficou refém da manobra de obstrução e chegou a reclamar de "machismo" e desrespeito dos colegas. "Foi uma experiência inédita, nunca havia presidido situação tão polêmica. Não sei se agiriam com um homem como agiram comigo. Vejo que com o Sarney eles não se portam assim", reclamou Marta.

O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) foi escalado como protagonista da obstrução orquestrada pela oposição e parte da base aliada. O parlamentar do Pará usou todas as brechas do regimento para fazer uso da palavra e revezava longos discursos técnicos com galhofas e provocações a Marta para esticar o debate até que o relógio marcasse meia noite e as MPs caducassem. Em um dos embates com a senadora que presidia a sessão, Marta chegou a pedir a Flexa que ele não a mencionasse no discurso. "Fala o que o senhor tiver que falar, mas não sobre fale de mim". O senador Flexa se inscreveu para falar e ficou em silêncio na tribuna, argumentado que usaria o tempo da maneira que bem desejasse. Em uma de suas participações, o tucano se recusou a deixar a tribuna quando o seu tempo se esgotou e Marta deu a palavra a outro parlamentar. Diante do constrangimento da senadora, Lindbergh Farias (PT-RJ) apelou para o colega dizendo que ele estava sendo machista ao desrespeitar a presidente da sessão.

Com o clima de balbúrdia instalado, e cinco parlamentares falando ao mesmo tempo do plenário, Marta fechou os microfones e o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) decidiu apresentar requerimento para encerrar o tempo de discussão. Eram 23h20 e faltavam 40 minutos para que as MPs perdessem a validade. Irritado com o requerimento de Crivella, o senador Mário Couto (PSDB-PA) foi para cima do parlamentar do PRB. Assessores tiveram que esfriar a briga para que o plenário não protagonizasse cena de violência física. "Foi lamentável, coisas da política", disse Crivella, evitando comentar o desentendimento.

Assustado com o clima instalado no plenário, o senador Jayme Campos (DEM-MT) tentava conter os colegas e reclamava que em mais de quatro anos de legislatura nunca tinha visto tal conflito na Casa. Apesar de pertencer à oposição, Campos chamou a atenção dos tucanos mais exaltados e pediu respeito a Marta. Quando a senadora leu como aprovado requerimento para encerrar a discussão e partir para a votação, ela foi acusada de instalar a ditadura no plenário e parlamentares disseram que ela deveria ser "presidente do Senado de Cuba".

Os peemedebistas, por sua vez, não fizeram questão de encerrar a tensão. Às 23h40, quando o requerimento que , proporcionaria a votação foi aprovado, o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), que acompanhou as brigas sem fazer intervenções, solicitou cinco minutos para acalmar os ânimos, mas a partir daí, o tempo se esgotou.

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