
Tucanos e petistas já admitem a possibilidade de reeditar no ano que vem a polêmica aliança que elegeu Marcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte. O presidente estadual do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, acredita que essa será uma decisão tomada quando aqueles que chama de “os profissionais da política” entrarem em campo, o que só deverá ocorrer no início do ano que vem. Já alguns petistas impõem como condição para o acordo político a garantia da cadeira de vice-prefeito para um de seus filiados. Ao tucanos, caberia o apoio informal.
“Temos de pensar com pragmatismo o que é bom para a cidade. A avaliação da administração é positiva e se não houver sectarismos e preconceitos, podemos em alto nível reeditar a aliança. Mas é o processo que dirá”, afirmou Pestana. Pestana não fala sozinho no PSDB. Igual opinião manifestou o secretário nacional do partido, Rodrigo de Castro. “Estamos em um governo de coalizão, que não é o ideal, mas temos a oportunidade de mostrar o trabalho e a marca do PSDB”.
Segundo Castro, a coalizão poderá ser mantida se essa for a melhor opção para a cidade e para o cenário político nacional que se desenha em 2014, quando o PSDB mineiro pretende lançar o senador Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República. Essa mesma preocupação têm os integrantes do PT, mas com a diferença de que o objetivo é assegurar o apoio do PSB a uma candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e a um possível candidato petista a governador de Minas Gerais.
“Há um consenso entre nós de que qualquer maneira houve evolução. Não tínhamos a Prefeitura de Belo Horizonte, que estava com o PT. Agora nessa coalizão, há partidos com os quais temos mais afinidades e outros menos”, afirmou Rodrigo de Castro, acrescentando, em seguida, que numa coalizão é preciso estar preparado para ceder e para pleitear.
O PT está dividido em relação à condução da sucessão da Prefeitura de Belo Horizonte: há quem defenda a reedição da aliança – alguns com a participação do PSDB e outros sem a presença dos tucanos. Do outro lado, está o diretório municipal do PT, comandado pelo vice-prefeito Roberto Carvalho, que não abre mão de conduzir o processo na capital mineira. Carvalho defende a candidatura própria, embora não descarte a conversa com Lacerda, desde que o socialista não seja apoiado pelos tucanos.
Nessa segunda-feira, integrantes dos diretórios estadual e municipal do PT se reuniram a portas fechadas no início da noite, a partir de uma convocação de Roberto Carvalho. Naquele que foi o primeiro de uma série de encontros, o objetivo é tentar construir um consenso em torno da sucessão na capital. No próximo dia 16, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, estará em Belo Horizonte para discutir o assunto.
O presidente estadual da legenda, Reginaldo Lopes, defende que a discussão sobre qual caminho o PT deve seguir no ano que vem seja feita em torno do governo de Marcio Lacerda e da importância da aliança com o PSB no plano federal. “O PSDB é secundário”, afirmou. Dessa forma, ele acredita que o PT deve lançar candidato próprio apenas em 2016. Caso haja uma decisão sobre as eleições 2012 que contrarie resoluções do PT, lembrou que poderá ser apresentado recurso ao diretório estadual e nacional da legenda, a quem caberá a palavra final.
Nomes na mesa
Ao mesmo tempo em que petistas voltam a se desentender para a condução da sucessão na capital, os tucanos se articulam. “O PSDB tem uma ala importante que quer candidatura própria”, afirma Pestana. São nomes potenciais o do deputado estadual João Leite, que é presidente municipal do PSDB, dos deputados federais Rodrigo de Castro e Eduardo Azeredo, além do presidente da Câmara Municipal, Léo Burguês. “Nosso problema não é falta de nomes”, afirma Pestana.
Em reunião nessa segunda-feiura à noite, o diretório estadual do PSDB avaliou as cinco linhas de ação indicadas pelo consultor do partido, o cientista político Antônio Lavareda, que prega para a legenda no plano nacional uma revitalização. “A primeira é a democracia interna. As pessoas precisam se sentir protagonistas. Sem democracia interna o partido estará fadado ao fracasso”, disse Pestana. Nesse sentido, o presidente estadual pretende organizar mais encontros dos filiados e ampliar o debate.
