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Estado de Minas pensar

Maria Esther Maciel e a origem das espécies

Escritora mineira conta como nasceram os verbetes de "Pequena enciclopédia de seres comuns", livro que reúne animais e plantas reais e imaginários


28/05/2021 04:00 - atualizado 28/05/2021 16:06

Esther Maciel une pesquisa e invenção no novo livro:
Esther Maciel une pesquisa e invenção no novo livro: "Queria animais existentes, animais possíveis" (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

A escritora, pesquisadora e ensaísta mineira Maria Esther Maciel, há tempos, entende as plantas e os animais como seres que têm muito a dizer sobre o mundo. Durante a pandemia, essa proximidade ficou maior graças ao jardim que ela cuida no terraço do apartamento, em Belo Horizonte. Passou a temporada recolhida e prestando atenção nas plantas, insetos, pássaros.

Nesse período, ela escreveu a maior parte dos verbetes do livro “Pequena enciclopédia de seres comuns” (Todavia), lançado em uma live no último dia 25, com a participação da ilustradora do livro, Julia Panadés. A paixão da ficcionista por seres do mundo animal e vegetal vem de longe. Ela brinca que é um pouco bióloga; levou a curiosidade acerca da natureza para o trabalho acadêmico e para a literatura. Começou a escrever os verbetes de forma despretensiosa. Mas, quando publicou alguns deles nas revistas Serrote e piauí, a recepção foi muito positiva. Surgiu, então, a ideia de organizar os verbetes em uma enciclopédia idiossincrática que faz uma paródia aos antigos manuais naturalistas e incluir até um certo peixe-banana, alusão à criação que aparece em um dos contos mais celebrados de J. D. Salinger: “Segundo um escritor americano de renome, ele também tem um apetite invejável, que o leva a mergulhar num buraco cheio de bananas, com as quais se refestela para além dos limites de sua fome. E então, tomado por uma febre terrível, ele morre”, descreve Esther no verbete.

Os seres do livro foram batizados inicialmente com nomes próprios. Primeiro vieram as Marias: Maria-boba, Maria-farinha, Maria-mole, Maria-vai-com-as-outras. Depois, chegaram as viúvas e as viuvinhas: Viúva-negra, Viúva-rabilonga, Viuvinha-regateira... A própria escritora, que perdeu o companheiro em 2013, virou verbete: Viuvinha-humana. Depois, chegaram os seres híbridos: Cavalo-marinho, Cobra-papagaio, Tartaruga-jacaré. Os últimos foram os Joões, João-de-leite, João-grilo e João-baiano. Ao todo, escreveu 76 verbetes. Mas poderiam ser muito mais, como ela mesmo relata.

Os bichos fascinam a mineira há um bom tempo. Ela também é autora de “Literatura e animalidade” (Record), em que apresenta essa relação a partir de filósofos (Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Giorgio Agamben) e escritores (Franz Kafka, Jorge Luis Borges, J. M. Coetzee); de “Pensar/escrever o animal: Ensaios de zoopoética e biopolítica” (2010); “O animal escrito – Um olhar sobre a zooliteratura contemporânea” (Lumme, 2008) e “Pensar/escrever o animal: Ensaios de zoopoética e biopolítica” (Editora da UFSC, 2011).

Nesta entrevista ao Pensar, Esther Maciel conta como nasceu a sua “pequena enciclopédia”, que se inicia com uma advertência da autora: “Este livro talvez não exista. Ou melhor: sua inexistência é o que, provavelmente, o justifica enquanto livro”. O aviso é seguido por uma explicação: “Os seres vivos incluídos têm uma realidade irrefutável: seja pela ciência, pela lite- ratura ou por nenhuma das duas.”   


O livro é uma leitura deliciosa, sensível, linda. Como foi o processo de criação?
Já tinha um projeto de anos atrás, quando comecei a minha pesquisa sobre animais, de fazer algo nessa linha, uma espécie de animalário, com verbetes e tal. Mas fiquei um tempão sem poder es0crever em decorrência de algumas adversidades. Então, suspendi esse projeto e continuei só com o meu trabalho acadêmico. E foi no início da pandemia que, vasculhando as minhas coisas, encontrei algumas anotações que já tinha feito para este trabalho. Mas não eram esses bichos, não; eram outros. Resolvi, então, fazer, seguindo até a lógica de “O livro dos nomes” (Companhia das Letras), tenho muito apreço pela questão onomástica. Pensei que faria uma série a partir de nomes. São tantos animais com nomes próprios de humanos que resolvi fazer essa pesquisa pegando os mais comuns, que são Maria e João. Aliás, João veio depois. Comecei com as Marias, depois com as viuvinhas. Até por uma questão pessoal, que eu passei por essa experiência da viuvez, queria lidar com isso de uma forma mais lúdica, mais leve, até para tirar esse peso da palavra viúva da minha vida.

Você brinca com a viuvinha humana…
A Julia Panadés ainda pegou uma foto minha [para ilustrar o verbete].  Então, é claro, há esse elemento de ordem pessoal que impulsionou a pesquisa sobre viúvas e viuvinhas, mas exatamente para dar uma leveza. Alguns verbetes têm muito humor. E os Joões vieram por último; eu tinha feito os verbetes das Marias, das viúvas e já tinha começado dos híbridos, sempre fui muito fascinada pelos híbridos. Os animais híbridos, geralmente, aparecem na literatura como seres fantásticos. E não queria, neste livro, animais fantásticos. Queria animais existentes, animais possíveis. Eu resolvi, então, pegar também pelo nome, assim, as misturas, porque tem muitos. Tantos que, se houver uma segunda edição, eu amplio; a cada dia descubro uma viuvinha, uma Maria, um João... Sigo um site e uma página no Facebook de zoologia e de curiosidades zoológicas (uma só sobre insetos). Então, recebo fotos de alguns. Penso: ‘Gente, esse poderia ter entrado.’

Os híbridos são legais demais. Tartaruga-jacaré, Rato-toupeira-pelado... Não parecem seres de verdade. Parecem imaginários.
A natureza tem os seus seres fantásticos. Não precisa de tanto esforço assim para ficar imaginando seres completamente fora da realidade. Muitos estão por aí, têm essas características. E eles existem, o que é o mais interessante.

Uma bióloga que não é bióloga. Fiquei curiosa. As descrições trazem as características desses bichos, desses animais. A pesquisa começa pelo nome ou pelos bichos? Ou as duas coisas?
As duas coisas. Comecei a procurar viuvinhas, sabia que existia um passarinho chamado viuvinha. Eu vou falar os nomes científicos também. Eu tenho vários livros, porque eu sempre gostei de zoologia. Sou uma espécie de bióloga frustrada. Eu queria ter, de alguma forma, uma formação como bióloga. Não tive, mas sempre fui curiosa em relação às ciências da vida. Então, eu tenho livros de zoologia, inclusive uma coleção de um brasileiro, um zoólogo brasileiro muito interessante, que publicou, até pela Itatiaia, aqui de Belo Horizonte, uma série. Ele se chama Eurico Santos. Tenho praticamente todos os livros dele de zoologia. Com descrição de animais de todas as espécies. Só que esses livros têm uma linguagem muito diferente, uma linguagem científica. As enciclopédias antigas da natureza me inspiraram em termos de estilo. Essa coisa sem muito cientificismo.

Como você realizou a pesquisa das características dos seres?
Eu tive também uma coisa meio de paródia desses verbetes. Na internet, tem um site muito interessante, o Wikiaves, que tem um monte de informação, até gravações dos sons das aves. Então, eu ouvia os sons das aves nesse site, e isso me ajudava a pensar também nos verbetes. Aliás, tem muitos sites com vozes animais. A gente pode ouvir, exatamente, para saber como é o som e apresentar esse próprio som na própria composição do verbete para dar mais sonoridade para os verbetes.

E há muito do som e da imagem na maneira como você descreve.
Tem um outro livro que li, muito importante para mim, “A grande orquestra da natureza”, de Bernie Krause, sobre a música do mundo selvagem. É um livro que me inspirou também. Até no meu livro anterior fiz uma homenagem a ele com uma lista de sons da natureza. Então é isto: essa é a minha paixão pelos bichos e pelas plantas.

Como você olha para esses seres da natureza, a partir de uma compreensão do que eles têm a nos ensinar? O quanto podemos aprender com eles...
Sim, porque eu vejo esse seres como sujeitos, como indivíduos que têm uma experiência de vida deles, bem particular. Eles têm um olhar sobre o mundo. Todos esses seres têm saberes sobre o mundo. E aí, a gente fica imaginando o que falariam, como eles se sentem em determinados lugares, em determinadas situações. Então, é um exercício de imaginação também. Ficar imaginando o que se passa com esses seres.

Como foi o processo de produção com a ilustradora Julia Panadés? 
Fazia muito tempo que tínhamos o desejo de fazer um trabalho conjunto. Para dar uma ideia de enciclopédia, os textos precisam ser ilustrados, devem ser acompanhados de imagem. Aí liguei pra Julia e perguntei se ela topava. Mandei alguns textos e ela topou imediatamente. Fui enviando aos poucos, até completar o conjunto. E os Joões foram os últimos.

É um olhar tão generoso, tão bonito, que nos aproxima tanto desses seres da natureza. Acho que os zoólogos devem gostar.
Mas não sei se, cientificamente, eles vão encontrar uma série de equívocos ou não.

Mas a literatura permite essa liberdade, não é mesmo?
Exatamente. Então, deixa pra lá, porque é pesquisa e invenção ao mesmo tempo. Inclusive, alguns seres foram inventados. Mas poderiam existir, porque são plausíveis. Tem um, inclusive, que vem de uma obra literária (o conto “Um dia perfeito para os peixes-banana, de J. D. Salinger, autor de “O apanhador no campo de centeio”).

Não dá nem para saber quais são os reais e quais são os imaginários…
O peixe-banana foi inspirado no conto de Salinger. E tem um lá que foi sugestão do meu filho, que ele escreve literatura de fantasia. Ele sugeriu que eu fizesse um ser plausível, mas com características dos seres que aparecem nos livros dele. Então, escrevi uma lagarta que é uma dama: a lagarta-dama-do-mato (“Sua boca tem grandes lábios, que escondem dentes afiados e longos. Quando está no cio, fica tão excitada que todo o seu rabo abre em flor. Isso assanha as abelhas e os colibris, que dela se aproximam com o desejo aceso. Entretanto, avessa a tais assédios, ela se enfurece e captura, com a língua pegajosa, todos os bichos inoportunos que merecem.”).

“Pequena enciclopédia de seres comuns”
.De Maria Esther Maciel
.Ilustrações de Julia Panadés
.Editora Todavia
.112 páginas
.R$ 56,90
.R$ 34,90

Alguns verbetes

MARIA-ROSA
(Syagrus macrocarpa)
É uma palmeira solitária, de beleza rara. Ainda sobrevive em terras de Minas, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, mas sua existência corre perigo por causa dos desmatamentos indiscriminados. Esguia, se impõe aos nossos olhos mesmo de longe. É também chamada de “jururá” e “baba-de-boi-grande”, e adora solos bem drenados, ricos em matéria orgânica. Dá um fruto de polpa doce e carnuda (de sabor meio coco, meio manga), com uma amêndoa saborosa. Fica alegre sob o sol pleno ou nas sombras porosas, e não perde o prumo em dias de tempestade. Não sei por quê, mas há quem pense que ela possui uma alma acanhada.

MARIA-VAI-COM-AS-OUTRAS
(Maria mariensis)
É uma humana solidária. Se ela vai com as outras marias, é sobretudo para ajudá-las. E não importa que as outras sejam aves, insetos, plantas ou crustáceos, pois todas as criaturas lhe são caras. Por outro lado, se ela ensina a todas o que pode, com cada uma aprende o que não sabe. Juntas, enfrentam qualquer situação complicada. E mesmo quando está só, o que ela aprendeu com as outras deixa sua vida mais calma.

JOÃO-GRANDE (ilustração acima)
(Ardea cocoi)
É uma garça morena e solitária, com altura de um metro e oitenta centímetros, que vive nas margens de lagos, rios e pequenos riachos. Também aprecia áreas pantanosas. De corpo branco e listras pretas verticais no pescoço, tem olhos amarelos envoltos em azul e bico de cor pálida com base negra.  Come peixes, rãs, caramujos, pererecas e outros bichos. Emite sons espessos e duros. Discreta, adora subir de mansinho sobre as pedras à beira d’água; quando excitada, alça voos retos, ritmando as asas. Não se sabe por que tem nome de homem.  Mas há quem prefira chamá-la de “garça-moura” ou “garça-parda”. De sua parte, qualquer um de seus nomes vale. A nenhum deles faz ressalvas.  

VIUVINHA-HUMANA
(Homo sapiens viuvensis)
Ela está triste, mas não é triste. O desamparo que lhe é atribuído por outros humanos não existe senão como uma saudade doída do que foi irreversivelmente perdido. De resto, persiste e se mantém altiva. “Contra a solidão, ouvir Bach é um antídoto”, uma já me disse ao sair do luto. Outra, menos afeita às coisas líricas, me contou que o trabalho foi sua forma de recusa ao tédio inapelável dos dias. Sei, ainda, daquela que (para conter a melancolia) se rendeu às vertigens da escrita. Cada uma com seu recato. Ou sua malícia.

BESOURO-RINOCERONTE
(Oryctes nasicornis)
Famoso pela força, é um inseto com chifre curvo no meio da testa que vive na Europa, sobretudo entre os carvalhos portugueses. Mas só o macho é cornudo. Por gostar de carne podre, ele tem também um quê de abutre. Alimenta-se, ainda, de troncos e raízes sem vida. A despeito da aparente ferocidade, é calmo e inofensivo. Seu peso e tamanho só se comparam ao de outro besouro, a vaca-loura (Lucanus cervus) — que tem algo de cabra e também atende pelo nome de escaravelho-veado.  De antenas laminadas, ele só faz barulho quando bate as asas.  

TREPADEIRA-ELEFANTE
(Argyreia nervosa)
É uma planta vigorosa. De ramagem longa e raízes profundas, sobe pelos caramanchões, muros e cercas. Uma fina penugem aveludada cobre os ramos e a parte inferior de sua folhagem. Por isso o seu verde adquire um tom prateado. Dá flores em forma de orelhas de elefante, o que legitima sua ligação com o paquiderme. Mas o que nela mais atrai os humanos são os efeitos alucinógenos de suas sementes, consideradas sagradas graças a seus poderes xamânicos. Entretanto, como nem tudo é perfeito, ela está sempre com os nervos à flor da pele. Lenhosa e manhosa, odeia geadas e se aconchega ao calor úmido dos solos férteis. 

Inventário de vidas

A pedido do Pensar, Maria Esther Maciel indica – e comenta – livros de escritores latino-americanos que reúnem descrições de seres reais e fantásticos

Toda uma tradição literária “zoo” 
composta de seres reais e fantásticos, pode ser traçada nas artes e na literatura do Ocidente desde os tempos mais remotos. Sobretudo a partir das fábulas de Esopo e dos compêndios zoológicos do mundo antigo, como “A história dos animais”, de Aristóteles, a presença dos animais sempre se manteve viva no nosso imaginário cultural. “O asno de ouro”, de Apuleio, e “As metamorfoses”, de Ovídio, se somam a esse repertório, além de outras obras mais enciclopédicas, a exemplo da “História natural”, de Plinio, o Velho, do início da era cristã. Logo depois, na Idade Média, surgiram os bestiários – manuscritos ilustrados, cheio de descrições de animais reais e fabulosos, com uma explícita carga simbólica (religiosa e moral). Para não mencionar os relatos zoológicos dos viajantes europeus do século 16, que se deslumbraram com a fauna e a flora do chamado Novo Mundo.  No século 20, essa tradição foi retomada, com novos matizes fantásticos, pelo escritor argentino Jorge Luis Borges no livro “Manual de zoologia fantástica”, de 1957, que abriu espaço para o surgimento de inúmeras “zoocoleções”, que, por vias inventivas e irônicas, passaram a povoar, com seus verbetes poético-descritivos, a literatura em diferentes países, em especial na América Latina. 

“Manual de zoologia fantástica”, de Jorge Luis Borges (com a colaboração de Margarita Guerrero, 1957)
Trata-se de um inventário descritivo de seres incomuns, que reinventa a tradição “zooliterária” dos séculos passados. O mais curioso é que, no prólogo do livro, o escritor se refere à “desatinada variedade do reino animal” para falar da existência de dois tipos de zoológicos: o da realidade e o das mitologias (ou dos sonhos). Mesmo considerando o segundo mais pobre que o primeiro, ele opta por levar às páginas de seu manual os seres híbridos, fabulosos e monstruosos, valendo-se do legado mitológico, erudito e literário de diversas tradições do Ocidente e do Oriente. Esse repertório foi ampliado, posteriormente em “O livro dos seres imaginários”, de 1969, com a inclusão de vários outros seres fabulosos não circunscritos à esfera animal.

• “Álbum de zoologia”, de José Emilio Pacheco (edição bilíngue espanhol/inglês, 1993)
À luz da epígrafe “os animais sabem”, de Samuel Beckett, o mexicano José Emilio Pacheco levou os saberes dos bichos da água, do ar, da terra e do fogo para esse luminoso álbum poético-descritivo, cheio de animais existentes e alguns imaginários, com 28 ilustrações do grande artista Francisco Toledo, também do México. Os textos que atravessam o livro não prescindem do olhar ético e ecológico sobre a fauna que os povoa. Do caranguejo às baleias, do falcão ao colibri, do tigre ao porco, além da salamandra e da ave fênix, o repertório é vasto e variado. Uma ho- menagem à vida, aos viventes e à natureza. Infelizmente, não existe uma tradução desse livro no Brasil. Fica a dica para as editoras. 

• “Jardim zoológico”, de Wilson Bueno (Iluminuras, 1999)
O paranaense Wilson Bueno (1949-2010) sempre transitou em diferentes culturas e linguagens, com erudição e inventividade. Entre seus livros sobre animais está o instigante catálogo ficcional “Jardim zoológico”, que reúne 34 seres imaginários, de caráter híbrido, muitas vezes marcados pelos cruzamentos transnacionais advindos do contato entre os países do continente sul-americano e com as culturas ameríndias. Dotados de uma espécie de saber poético sobre a vida humana e o território que habitam, esses animais dialogam tanto com os monstros do imaginário zoológico dos cronistas europeus do século 16 quanto com os seres fantásticos de Borges e as lendas indígenas brasileiras. Uma belezura de livro. 


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