Publicidade

Estado de Minas COLETÂNEA

Com textos enxutos, Alê Motta descreve muitos anos de vida em poucas palavras

De forma concisa e sarcástica, escritora carioca descreve velhos nada estereotipados


28/08/2020 04:00 - atualizado 28/08/2020 08:26

(foto: Alê Motta/Divulgação)
(foto: Alê Motta/Divulgação)
A escritora carioca Alê Motta é tão sucinta nas respostas quanto econômica nos textos da segunda coletânea dela, recém-lançada. “O meu Velhos é um livro de contos, microcontos, que são narrativas curtas. Eu gosto de chamar de textos curtos, onde a prioridade é a concisão. Mas chame como quiser”, explica, sem dar corda à “polêmica” levantada por Itamar Vieira Junior na orelha do livro:

“Nomear a forma narrativa presente de ‘microconto’ seria reduzir o projeto literário da autora. O prefixo ‘micro’, que muitos críticos insistem em usar para se referiar às narrativas de pequena extensão, nada acrescenta à força de seus textos, que são poderosas sínteses do nosso tempo vital, e por isso mesmo se revelam pequenas joias lapidadas por cuidadoso trabalho de ourivesaria”, escreve Itamar, autor do aclamado romance Torto arado (Todavia).

O embrião do livro foi um desafio proposto pelo escritor Marcelino Freire durante uma conversa. “Você deveria, algum dia, escrever um livro sobre a velhice”, ele disse. “Uma frase-desafio do Marcelino não pode ser ignorada”, ela pensou, e criou uma pasta chamada Velhos no computador, como um lembrete. Ela estava trabalhando em dois outros projetos, mas, de vez em quando, escrevia um texto e botava na pasta.

Quando chegou a hora de dar os últimos retoques em um daqueles dois projetos, antes de enviá-los ao seu editor desde o primeiro livro – Marcelo Nocelli, da editora Reformatório –, tropeçou na pasta Velhos e se surpreendeu com a abundância de material já depositado ali. “Não voltei ao outro projeto naquele dia, naquela semana. Fiquei absolutamente envolvida, porque descobri: era um livro. Foi nele que me debrucei, dando os retoques finais.”

Isso foi no final do ano passado. No início da quarentena, aquela pasta que se tornou livro e roubou a cena ganhou lançamento duplo – virtual, é claro. Os outros dois projetos seguem com a escritora, ainda naqueles retoques.

As histórias de velhos são sempre narradas em primeira ou terceira pessoa, tendo como protagonista uma dessas pessoas em idade mais avançada. Nenhuma delas se adequa aos estereótipos do velho fofinho ou decadente. “Acredito que o meu livro nasceu do incômodo de ver muitos velhos ignorados ao nosso redor – ativos, intensos, adaptados a modernidades, solitários, desesperançados. Vidas tão interessantes e valiosas”, reflete a autora.

“Descrevo experiências da velhice. Pequenas alegrias, limitações, fragilidades, dores. O assombro da morte e doenças, a amargura, a capacidade de ser cruel e sarcástico, independentemente da idade. Meus personagens não são todos bonzinhos e inocentes porque são velhos. Velhice não é sinônimo de doçura e gentileza. A ideia é deixar bem claro para o leitor que a vida do personagem – a velha, velho – está acontecendo. Com todas as suas pelancas, rugas, bengalas, manias, remédios, impossibilidades e possibilidades.”

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira, do Correio Brasiliense

» Velhos
» De Alê Motta
» Reformatório Editora 
» 136 páginas
l R$ 36
» À venda no site da editora: 
(https://editorareformatorio.minhalojanouol.com.br/produto/234840/velhos)


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade