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Estado de Minas REINVENçãO

Empresas pedem ao governo a desburocratização dos negócios digitais

Comércio eletrônico e outros modelos de negócios on-line podem alcançar resultados mais satisfatórios se contarem com apoio do governo no sentido de desburocratizar os processos


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postado em 28/05/2020 13:39 / atualizado em 28/05/2020 13:56

Burocracia impede o crescimento das empresas digitais. (foto: Freepik)
Burocracia impede o crescimento das empresas digitais. (foto: Freepik)

Enquanto o cenário de incertezas persiste por causa da pandemia da COVID-19, os modelos de negócios digitais podem reduzir o impacto na queda de consumo devido ao isolamento social. Afinal, se diminui o contato físico e se mantém o faturamento. Contudo, os resultados seriam melhores se não houvesse leis arcaicas e burocracia sofrida pelo setor produtivo. Este foi o tema debatido no projeto Live Talks, que ocorreu na terça-feira (26). 
 
O debate on-line foi bastante enriquecedor. Ele foi intermediado pelo editor de Mídias Convergentes do Portal UAI/Diários Associados, Benny Cohen, com os convidados Fernando Passalio de Avelar, secretário de Estado Adjunto de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais; Flávio Roscoe, presidente da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais); Geanluca Lorenzon, diretor federal de Desburocratização no Ministeério da Economia; e Gesner Oliveira, sócio da GO Associados. 
 
Nesse sentido, a união de esforços dos governos estadual e federal com a iniciativa privada, bem como o crescimento sustentável das empresas em tempos de pandemia e a urgência da inovação com o uso da tecnologia, marcaram a conversa. Confira, portanto, os principais temas debatidos. 

Coronavírus serve como um catalisador de mudanças 


Mudanças que ainda seriam implantadas foram aceleradas na pandemia para evitar maiores perdas econômicas. “O novo coronavírus foi um catalisador de mudanças. Antes da pandemia havia uma série de projetos-piloto que agora saíram do papel. A gente tem visto o crescimento com sucesso de muitas plataformas de delivery, a telemedicina e o ensino a distância tendo bons resultados”, afirmou Gesner Oliveira.
 
Ele ainda ressalta a expansão do e-commerce. “Saiu o balanço do Magazine Luíza que mostra que houve uma expansão brutal no comércio eletrônico, o que explica o bom desempenho do setor e, assim, a atenuação dos efeitos da crise”, lembra Gesner Oliveira. 
O governo federal busca acompanhar essa mudança. “A pandemia serviu como uma gasolina para o nosso carro-chefe que é a digitalização”, comentou Geanluca Lorenzon, do Ministério da Economia. 
 
O intermediador Benny Cohen considerou que, de fato, a pandemia causou evoluções nos negócios e tirou muitos gestores da zona de conforto, mas que a internet ainda não é acessível a boa parte da população, como pôde ser visto no ensino a distância do governo estadual. 
 
Nesse sentido, Gesner Oliveira lembrou a importância de o governo acelerar o acesso da internet a toda a população, bem como a iniciativa privada consolidar a maior integração do comércio físico com o digital. “A gente percebe o grande esforço de fazer o drive-thru, os lojistas dos shoppings vendendo on-line e o cliente indo buscar. É útil e pode ficar assim permanentemente”, opina Gesner Oliveira.

Leilões eletrônicos são case de sucesso de negócios digitais na pandemia


Sendo assim, com o maior acesso ao sinal de internet, pode-se aumentar o número de consumidores e, portanto, fazer girar a roda da economia. Como prova disso está o sucesso dos leilões eletrônicos de veículos. 
 
Copart do Brasil, empresa pioneira na gestão de leilões on-line, identificou um aumento de 28,5% nas vendas de veículos desde o início do isolamento social. Isso porque os leilões presenciais têm aglomeração de pessoas, o que não é recomendado pelas autoridades sanitárias neste momento, ao passo que os leilões eletrônicos são seguros e mais práticos.
 
Assim como a venda de veículos, Gesner Oliveira lembra que o modelo serve para outros tipos de transações, impactando assim em várias cadeias produtivas.
 
Centenas de veículos esperam pelo leilão no pátio da Copart em Osasco.(foto: Divulgação/Copart)
Centenas de veículos esperam pelo leilão no pátio da Copart em Osasco. (foto: Divulgação/Copart)
 
Um estudo da GO Associados mostrou que há, em média, 876 mil leilões presenciais por ano, mas o número pode aumentar com o uso da internet. Para leilões híbridos (com a figura do leiloeiro e os lances eletrônicos), a projeção é de 1,7 milhão de leilões, enquanto que para leilões totalmente digitais, o número sobe para 30 milhões por ano. 
 
A Copart, por exemplo, realiza leilões híbridos. A demanda por veículos usados existe. “Hoje você tem 6 milhões de trabalhadores que dependem do automóvel para ir trabalhar”, acrescenta Gesner Oliveira.

Legislação


Contudo, como ele citou, a atual legislação brasileira não permite leilões 100% on-line, pois exigem a presença física do leiloeiro, de acordo com o decreto 21.981, em vigor desde 1932. 
 
Ele aponta que, com a flexibilização da legislação brasileira, o setor pode se fortalecer, assim como já ocorre no mercado de veículos usados dos Estados Unidos. “O custo de transação cai, a concorrência aumenta, além de que podemos ter leilões ininterruptos, com ofertas mais numerosas. Assim, em vez de os veículos ficarem parados no pátio você pode colocar de volta esses veículos à economia”, justifica Gesner Oliveira.
 
Nesse sentido, Geanluca Lorenzon concorda que é preciso acelerar as reformas estruturantes. “O leilão é um dos setores que tem um marco legal que está atrasado. Precisamos entender a melhor maneira de avançar”, aponta. 

Convidados do projeto Live Talks apontaram retomada gradual da economia


Live Talks: desafios enfrentados pelos empresários e governantes durante a pandemia%u200B.(foto: Divulgação)
Live Talks: desafios enfrentados pelos empresários e governantes durante a pandemia%u200B. (foto: Divulgação)

Ainda é difícil prever como será a retomada da economia em Minas Gerais e no Brasil. “Há previsões maiores ou menores, mas que mostram uma queda do PIB de 6,5%”, lembra Gesner Oliveira. 
 
O representante do governo estadual na live, secretário adjunto Fernando Passalio de Avelar, citou que os investimentos continuam. “O nosso Instituto responsável recebeu, em maio, R$ 5,4 bilhões que foram atraídos em meio à pandemia, mas tão importante quanto atrair recursos é colocá-los em prática, fazê-los saírem do papel, o que está bem perto”, comenta. 
 
Fernando Avelar lembra que o comércio parou em março, sendo que a retomada deve ser sentida entre 30 e 45 dias depois da volta da movimentação. Devido ao efeito dominó, a indústria mineira não parou, como lembra o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, mas sentiu o reflexo do fechamento do comércio. “A indústria trabalhou de forma contínua, mas teve um impacto devastador porque seus clientes pararam, e além disso, tivemos uma inadimplência em cadeia”, completa. 
 
O presidente da FIEMG lembra ainda a contribuição da indústria mineira na sociedade em tempos de pandemia, como a doação de 1 milhão de álcool gel, a fabricação de respiradores, máscaras e de um caminhão desinfectante. 
 
Gesner Oliveira concorda que a pandemia pode ser um divisor de águas nos modelos de negócio e nas legislações. “Voltamos ao statu quo de antes da pandemia ou buscamos novas soluções”, cita, lembrando que a inovação nesse cenário é fundamental. 
 
O momento, portanto, é de reinvenção. “Não estamos numa crise sistêmica, como foi em 2016, por isso temos uma chance de recuperação em V (com a volta ao patamar inicial), temos um governo federal reformista e devemos entender que a crise é dolorosa, mas é um momento de reinvenção”, considera Geanluca Lorenzon.  

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