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Estado de Minas

Gestão é o melhor termômetro para qualquer negócio

O Educampo é um projeto de assistência técnica e gerencial, contínua e intensiva, que visa proporcionar ao produtor de leite, além do aprimoramento técnico da propriedade, principalmente maior ganho econômico e financeiro com a atividade


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postado em 12/12/2016 08:15 / atualizado em 12/12/2016 08:48

Na seca, o rebanho é alimentado com cana corrigida com ureia e suplementada com caroço de algodão, farelo de soja e polpa cítrica (foto: Gilson de Souza)
Na seca, o rebanho é alimentado com cana corrigida com ureia e suplementada com caroço de algodão, farelo de soja e polpa cítrica (foto: Gilson de Souza)

Para o produtor Dalton Campos Abreu, gerenciamento e produção são palavras indissociáveis e talvez seja este o principal motivo de seu êxito no projeto de assistência técnica Educampo, oferecido por meio da parceria entre o Sebrae/MG e a CCPR | Itambé. Participante da inciativa há quase oito anos, ele conseguiu saltar de 2.900 litros, média de produtividade de 15 litros por vaca, para 5.500 litros por dia neste ano, média de 18 litros/dia/animal no período da seca.

Entusiasta das transformações promovidas pela consultoria especializada, Abreu diz que no início contou com a assistência prestada por um agrônomo e por um veterinário conveniados à Cooperativa Agropecuária de Pompéu (Coopel). Para adquirir mais embasamento para avaliar as orientações técnicas que lhe eram apresentadas, investiu em capacitação. “Como para mim sempre foi muito claro que não dá para ‘colocar fogo em dinheiro’, comecei a participar de palestras, dias de campo e fiz dois cursos de média duração, um em gerenciamento e outro em produção leiteira.”

Morador da zona urbana de Pompéu, município da Região Central de Minas Gerais, faça chuva ou sol o produtor, sempre acompanhado da mãe, Irilda, vai à Fazenda Salgado todos os dias da semana, religiosamente. Lá, ele percorre a propriedade para verificar de perto o cumprimento da programação do dia junto aos funcionários. “Rodo bastante aqui porque faço questão de estar sempre próximo da equipe para prestar os esclarecimentos necessários e também para que não percamos tempo se alguma coisa fugir do programado”, diz Abreu.

O veterinário André Luís Guimarães Diogo, consultor do Educampo, avalia que a humildade e a receptividade de Abreu às proposições do projeto foram primordiais para a melhoria de importantes indicadores da fazenda. Em 2009, a produção por área era de 3.724 e hoje chega a 4.800 litros produzidos por hectare ao ano. A mão de obra, um dos principais gargalos apontados por produtores de diferentes perfis e regiões, também foi otimizada, passando de 545 para 830 litros produzidos por dia/homem.

A qualidade do leite produzido na fazenda merece destaque. De janeiro a novembro, a contagem de células somáticas (CCS) teve média de 242.000 cél./mL, a contagem bacteriana total (CBT) de 5.000 ufc./mL, matéria gorda 3,83% e proteína 3,33%. “Atendo a fazenda desde o início do ano, mas considerando os resultados de anos anteriores é possível comprovar que a atividade leiteira tem sido atrativa para o produtor. Em 2009 os números já eram bons, com 11% de taxa de retorno do capital investido, incluída a terra. Em 2014, o Dalton conseguiu alcançar 16% de retorno, o melhor resultado desde que entrou para o projeto. Para esse ano, mesmo com todas as dificuldades provocadas pelos altos custos de produção, devemos fechar em 11%, um excelente resultado visto que este ganho é real, já descontada a inflação do período”, analisa Diogo.

Dalton Campos Abreu é da Fazenda Salgado em Pompéu (MG)(foto: Gilson de Souza)
Dalton Campos Abreu é da Fazenda Salgado em Pompéu (MG) (foto: Gilson de Souza)
PRODUÇÃO A Fazenda Salgado tem área total de 500 hectares, 300 utilizados para a atividade leiteira. Atualmente, 300 vacas em lactação respondem pela produção de 5.500 litros de leite por dia. O sistema é semiconfinado, com fornecimento na seca de cana picada corrigida com ureia e suplementada com caroço de algodão, farelo de soja e polpa cítrica. A partir deste mês, os animais começam a rodar em 88 hectares divididos para pastejo rotacionado em sequeiro, com permanência de um dia por piquete. As gramíneas cultivadas são o braquiarão e o mombaça.

Para desmistificar a ineficiência da cana para alimentação de vacas de alta produção, Dalton Abreu mostra os resultados da sua propriedade. “Nossa média ficou em 18 litros por animal e a produção das vacas do primeiro lote chegou a 30 litros/dia.” Na fazenda são utilizadas duas variedades de cana, uma precoce, com corte entre os meses de maio e junho, e outra tardia, colhida de julho a novembro.

“As duas variedades promovem um equilíbrio de produção que nos permite ter as plantas chegando ao ponto ideal de consumo sempre que precisamos.” Segundo o produtor, no período seco são cortadas 20 toneladas de cana por dia, volume correspondente a cinco vagões. A produtividade por hectare chega a 90 toneladas de matéria natural e a durabilidade média do canavial é de oito anos, mas Abreu afirma que já teve plantas que chegaram a 12 cortes. O corte é mecânico e o segredo para assegurar a preservação do canavial, conta ele, “é a utilização do redutor, equipamento que diminui a rotação do trator permitindo que a planta seja cortada e não ‘puxada’”.

EDUCAMPO
O Educampo é um projeto de assistência técnica e gerencial, contínua e intensiva, que visa proporcionar ao produtor, além do aprimoramento técnico da propriedade, principalmente maior ganho econômico e financeiro com a atividade. Para o zootecnista Christiano Nascif, coordenador técnico do projeto em Minas Gerais, “o equilíbrio entre sistemas de produção viáveis tecnicamente, atrativos economicamente e com sustentabilidade ambiental é fundamental para tornar o produtor de leite um empresário de sucesso.”

Por outro lado, ele afirma que há cada vez menos oportunidades para aqueles que insistem em permanecer no amadorismo. “Historicamente, a atividade leiteira tolerou muitos desaforos em decorrência de tamanha ineficiência técnica e econômica. Mas o cenário está mudando, não há mais espaço para amadorismo. O produtor de leite que não acreditar no poder transformador da assistência técnica e gerencial, com certeza sairá do mercado. A única dúvida é saber até quando irá o seu fôlego, infelizmente”, critica.

No próximo ano, o Educampo completa 20 anos e os resultados comprovam que há muito a ser comemorado. Analisando um grupo de 366 fazendas que participam do projeto em Minas há sete anos, de um total de quase mil propriedades, os resultados apontam um crescimento médio de 56% da produção, passando de 999 para 1.567 litros por dia. Parte desse aumento, contextualiza o coordenador, se deve à melhoria da produtividade das vacas em lactação, que passou de 13,49 para 16,27 litros/dia. Com isso, a produtividade da terra no período analisado também aumentou em média 55%, indo de 3.580 para 5.562 litros por hectare ao ano.

“Não teria validade para o produtor de leite ter as suas produtividades aumentadas se não sobrasse dinheiro no seu bolso. Antes do Educampo, o negócio leite proporcionava para esse grupo de 366 produtores uma taxa de retorno sobre todo o capital empatado na atividade de 1,78% ao ano. Depois de sete anos de participação, esse percentual passou para 5,97% a.a. Ou seja, a produção de leite além de viável passou a ser atrativa economicamente, quando comparada com outras atividades econômicas”, destaca Nascif.

“O produtor não pode ficar fazendo experiência. O Educampo chegou para minimizar meus erros e por meio do projeto passei a gerenciar com mais profissionalismo. Passei a me preocupar mais com o custo e o resultado financeiro, obviamente, foi melhor. Comparando com a cana e com o eucalipto, outras opções que tenho na propriedade, avalio que para mim o leite ainda é o melhor negócio”, aponta Dalton Abreu.

ASSISTÊNCIA PARA OS COOPERADOS Uma das pioneiras no investimento em assistência técnica para o cooperado, em 2008 a CCPR | Itambé intensificou a oferta chegando a 600 produtores atendidos em Minas Gerais e Goiás. Nos últimos nove anos, os indicadores zootécnicos evoluíram bastante, principalmente em função do aumento da produtividade animal, da produção de volumosos e da substituição do maquinário por equipamentos mais modernos e eficientes.

Otimista em relação a uma mudança de postura que trará mais profissionalização à atividade leiteira, a zootecnista Tatiane Stela Pizzol, coordenadora de Projetos Agropecuários da CCPR | Itambé, mostra que o grupo que já comprou a ideia está bem mais satisfeito. “No último, ano acompanhamos a evolução da produção de leite em uma amostra de produtores com fornecimento ininterrupto e que possuem consultoria mensal contínua. No comparativo de janeiro a outubro de 2016 com o mesmo período de 2015, os produtores assistidos alcançaram crescimento de 5,7% enquanto aqueles que não participam de projetos atingiram apenas 1,9%. A diferença é significativa e merece reflexão”, sugere.

Tatiane considera que mesmo em um momento de crise como este por que passa o país as oportunidades são muito maiores do que as adversidades. “O nível de conhecimento é o que difere o produtor mal do bem sucedido. Quanto mais cedo ele se atentar para isso e começar a encarar a assistência técnica como investimento e não como custo, melhores serão seus resultados e maiores as suas chances de perpetuidade na atividade. Estamos nos aproximando do final do ano, momento ideal para avaliar os erros e traçar planos. Que tal incluir a contratação de um projeto em sua lista de desejos para 2017?, sugere”.

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