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Estado de Minas CONFLITO

Histórico impasse na Catalunha


postado em 01/03/2020 04:00

Miquel Strubell
Palamós – Catalunha

“Muitos se surpreendem ao saber que o movimento pela independência da Catalunha remonta há mais de um século. Os catalães aclamaram pessoas como os irlandeses e os noruegueses quando conquistaram a sua liberdade, muitas vezes nas urnas. Mas eles ainda não alcançaram esse objetivo para si mesmos. Os catalães lutaram como voluntários com os aliados na Primeira Guerra Mundial, e com a resistência francesa contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial. A Baía da Catalunha em Gibraltar ou a Cruz de Barcelona na Cornualha atestam os antigos laços com a Inglaterra. Mas os catalães foram cruelmente traídos várias vezes, como no Tratado de Utrecht, ou durante a Guerra Civil espanhola e a ditadura de Franco, quando se fizeram novos esforços para apagar todas as características, culturais e outras, que tinham forjado o povo catalão ao longo de um período de mil anos. Parece desnecessário perguntar por que um povo deve aspirar a controlar seu próprio destino. Mas perante as queixas da Catalunha, a estratégia dos sucessivos governos espanhóis tem sido dupla: 1- provocar e agravar, em vez de apaziguar e encontrar soluções; 2- desacreditar o movimento, no país e no estrangeiro, apresentando os catalães como egoístas. Isso precisa de ser corrigido. Os valores da sociedade catalã não são, evidentemente, radicalmente diferentes dos da sociedade espanhola, mas há muitas evidências de que os decisores políticos espanhóis confiaram numa economia extractiva, na pilhagem e no aumento dos impostos sobre a riqueza de outras pessoas, enquanto os decisores políticos catalães (com poderes excessivamente limitados) tendem a concentrar-se no apoio a uma economia produtiva e no reinvestimento dos lucros para criar riqueza. Durante séculos, os líderes de Castela foram guerreiros e conquistadores, e a negociação não era a sua forma de resolver os problemas. Por outro lado, a riqueza da Catalunha, mesmo antes da Revolução Industrial, vinha do comércio. Os catalães são uma nação de mercadores (como Napoleão disse dos ingleses) e, para os mercadores, sentar-se à mesa para discutir problemas é natural. O conflito entre a Catalunha e a Espanha é apanhado por esse confronto. A Espanha quer prender cada vez mais líderes catalães – com juízes que dão abertamente mais importância à unidade espanhola do que aos direitos fundamentais – e estão dispostos a reprimir a fim de esconder o problema. Pelo contrário, a Catalunha quer continuar a existir e que o problema seja resolvido nas urnas. Neste impasse, haverá poucas chances de terminar a dolorosa crise atual até que a comunidade internacional force a Espanha a negociar em torno de uma mesa.”

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