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Câncer de tireoide é inimigo silencioso

Cerca de metade da população pode apresentar um nódulo na tireoide, mas, felizmente, 90% desses nódulos são benignos


27/11/2022 04:00

Flávia Coimbra
Vice-presidente da Sociedade Brasileira de 
Endocrinologia e Metabologia - 
Regional Minas Gerais (SBEM-MG)

O câncer de tireoide representa cerca de 1% dos cânceres e, de acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), ocorrerá cerca de 13.800 novos casos entre brasileiros, sendo cerca de 11.600 deles em mulheres, entre 2020 e 2022. Cerca de metade da população pode apresentar um nódulo na tireoide, mas, felizmente, 90% desses nódulos são benignos e, geralmente, não trazem nenhum problema. Contudo, aqueles nódulos que são cancerosos podem se espalhar pelo corpo e até colocar a vida em risco.

Grande parte dos pacientes não apresenta sintomas e o nódulo somente será percebido pelo médico, ao examinar e palpar a tireoide numa consulta de rotina. Outros pacientes notam a  presença de um caroço ou  inchaço que cresce rapidamente na região do pescoço, dor, tosse, rouquidão, dificuldade para engolir ou problemas respiratórios.

O diagnóstico deve ser feito por um médico com  a palpação  da tireoide, exames que avaliam a função da glândula  e a ultrassonografia. A maneira mais confiável de diagnosticar o câncer de tireoide é através da aspiração do nódulo com uma agulha fina. O procedimento usa uma agulha fina, inserida no nódulo para retirar células ou fluidos, visando análise ao microscópio. O teste é muito preciso para identificar nódulos cancerosos ou “suspeitos” e, muitas vezes, identifica o tipo de câncer.

A tireoide é uma pequena glândula em formato de borboleta, localizada na região anterior do pescoço, sendo de extrema importância para o bom funcionamento do corpo. Ela produz hormônios que fazem parte de quase todos os processos metabólicos do organismo. A desregulação na produção desses hormônios pode causar o hipertireoidismo (quando ocorre produção excessiva) ou hipotireoidismo (quando ocorre produção deficiente), doenças muito comuns e que povocam muitos transtornos.

Outro problema que pode ocorrer com frequência é o aparecimento de nódulos na tireoide, mesmo com a produção normal dos hormônios. Existem diferentes tipos de câncer na glândula, sendo os carcinomas papilífero, folicular, anaplásico e  medular, considerados os mais comuns. O primeiro é o mais frequente, sendo responsável por cerca de 70% a 80% dos diagnósticos e se desenvolve  lentamente e  com pouca agressividade. Já, o carcinoma anaplásico pode progredir muito rapidamente, com possibilidade de se espalhar pelo corpo.

O tratamento varia de acordo com o tipo de tumor, o tamanho e a presença ou não de lesões em outras partes do corpo. A cirurgia para a retirada de parte ou toda a glândula é o procedimento inicial,  podendo ser completada com uso de iodo radioativo. Quem passa pela retirada da glândula toda  terá de fazer uso da reposição de hormônio para o resto da vida. A radioterapia externa e a quimioterapia são indicadas em alguns tipos de tumores, mas não são usadas na maioria das vezes, sobretudo nos menos agressivos.

O câncer de tireoide é prevalente e preocupante entre os brasileiros e, por isso, será um dos principais temas no “XIX Congresso Mineiro de Endocrinologia e Metabologia (CONGREMEM)”, de 12 a 14 de novembro, em Tiradentes. A programação inclui palestras e mesas redondas para apresentação de novidades científicas e discussões sobre o diagnóstico e tratamento do câncer de tireoide, além de outros temas essenciais dessa especialidade médica.


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