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Estado de Minas artigo

Perseverança e esperança por parte dos bombeiros

O sentimento de esperança permanece intacto e segue sendo a principal força para encontrar as joias restantes


02/07/2022 04:00


Anderson Passos
Tenente-coronel BMMG

São mais de 1.200 dias ininterruptos nesta que é a maior operação de busca e salvamento da história do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais (CBMG). 

Desde o dia 25 de janeiro de 2019, às 12h28, data e hora do rompimento da barragem de rejeitos de minério B1, localizada na Mina Córrego do Feijão, de propriedade da mineradora Vale, no município de Brumadinho, os militares desempenham um papel fundamental para a comunidade brumadinhenses.

Ao todo, cerca de 10 milhões de m³ de rejeito de minério percorreram uma área de aproximadamente 290 hectares – equivalente a cerca de 268 campos de futebol. O rejeito passou sobre estruturas administrativas da própria Vale, áreas operacionais em funcionamento, propriedades residenciais e comerciais, sítios e fazendas, pousadas, plantações, mata nativa e rios, deslocando-se pelo leito do Ribeirão Ferro-Carvão, em Córrego do Feijão, e chegando ao Rio Paraopeba –  a uma distância de 9 quilômetros da barragem rompida.
 
 
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Minutos após o desastre, a central do Corpo de Bombeiros recebeu diversas solicitações para empenho dos militares em ações de busca e salvamento das vítimas do rompimento. Na ocasião, foram acionadas todas as unidades do CBMMG da Região Metropolitana de Belo Horizonte e várias do interior do estado, para deslocarem-se para o local. Desde então, o sentimento de esperança permanece intacto e segue sendo a principal força para encontrar as joias restantes de serem encontradas: Cristiane Antunes Campos, Maria de Lurdes da Costa Bueno, Nathália de Oliveira Porto Araújo e Tiago Tadeu Mendes da Silva. Os militares trabalham incansavelmente para, assim, iniciarem o ciclo e darem alento à família. 

A operação passou por momentos adversos que fizeram com que os militares reorganizassem suas tarefas. Os períodos chuvosos, assim como a pandemia, ocasionaram uma reestruturação nas equipes e a interrupção parcial das buscas. Mesmo com tais adversidades, serviços continuaram a ser prestados, tais como as ações de inteligência, que foram fundamentais para alcançarem a efetividade de 97,77%. Até o momento, mais de 4.200 bombeiros militares atuaram na operação, tendo resgatados 192 pessoas vivas, além de mil recuperações de corpos ou segmentos. 

Atualmente, o CBMMG está em fase de implementação da oitava fase de buscas, que conta com tecnologia para a aceleração do processo de vistoria de rejeito, doutrina advinda das análises dos especialistas bombeiros militares e que aumentará ainda mais a possibilidade de se localizar e identificar as 4 joias restantes. Nesta fase, que decorre de total mecanização das buscas, o militar não terá contato com o rejeito de minério. Tal tecnologia implementada aumentará significativamente a segurança da operação, além de ampliar a efetividade em até três vezes mais. 

Para separar o rejeito que ainda não foi vistoriado, serão utilizadas grandes máquinas capazes de realizar a segregação de materiais. Por meio dessas máquinas, frações de rejeitos serão peneiradas com intuito de melhorar a visibilidade e a localização das joias. Para aumentar a eficiência do equipamento, militares ficam, constantemente, em uma cabine, observando a passagem de rejeitos pela peneira e sinalizando caso visualizem, com precisão, algo. A título de entendimento da precisão do serviço empenhado, somente no ano passado foram vistoriados 1.909.845 m³ de rejeito de minério. Atualmente ainda resta a análise de menos de 900.568 m³, de um total de 4.860.189 m³ que foram retirados, o que representa aproximadamente 82%. 

Uma grande operação, como a de Brumadinho, trouxe vários desafios à corporação e, claro, à sociedade. Houve uma grande mobilização de bombeiros de diversas partes do Brasil, e toda dinâmica, estratégias e demais ações foram executadas de forma inédita. O CBMMG, após este ocorrido, está mais estruturado não somente de maneira material – equipamentos que passou a utilizar – mas também na organização para adversidades desse tipo. A forma de mobilização mudou, tornando-se mais eficiente, e os bombeiros, nesta operação, aprenderam a atentar-se aos detalhes que, às vezes, fugiam anteriormente, passando a ser percebido com maior celeridade.

O vínculo criado, também, com os familiares, auxiliaram enormemente no decorrer da operação, com orientações no atendimento. Tal legado é de extrema valia também para a sociedade, pois foi criado um vínculo de confiança e segurança, em que os bombeiros passaram a ouvir mais a comunidade e atuar dentro de cada singularidade e característica, de forma conjunta.

São 41 meses de empenho e fidelização com a população de Brumadinho. O compromisso do CBMMG com os mineiros seguirá intacto e permanecerá sendo, sempre, símbolo da persistência e do profissionalismo no serviço à sociedade. Todo respeito e honra às 272 vítimas do rompimento da Barragem da Vale, em Brumadinho. Seguimos juntos, intensos, nesta esperança, fortalecendo o legado.


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