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Estado de Minas Editorial

Outra endemia para o ministro


30/03/2022 04:00

Ao mesmo tempo em que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, põe em pauta a discussão sobre a possibilidade de rebaixar a classificação da COVID-19 para a condição de endemia, o que poderia dar fim a restrições como uso de máscaras e exigências de passaporte de vacinas e testes, uma nova/antiga ameaça se esgueira pelos cantos de moradias e terrenos vagos do país, multiplicando-se no terreno fértil da desinformação e da desmobilização social. O Brasil avançou na vacinação, mas ainda não se livrou dos efeitos do coronavírus (óbitos seguem sendo contados diariamente às centenas; casos novos, na casa das dezenas de milhares) e a dengue, como alertou o próprio ministério comandado por Queiroga, volta a mostrar suas garras, com crescimento de 43,9% dos casos prováveis nas primeiras 10 semanas de 2022 na comparação com igual período do ano passado.

Com 161.605 diagnósticos suspeitos do início do ano até o último dia 12, taxa de 75,8 por grupo de 100 mil habitantes no país, a Região Centro-Oeste é a que apresenta a maior incidência de dengue, com 204,2 casos a cada 100 mil pessoas, seguida das regiões Norte (97,4/100 mil); Sul (49/100 mil); Sudeste (47,9/100 mil); e Nordeste (31/100 mil). Das cidades que apresentam os maiores registros de casos prováveis, sugestivamente, Brasília, capital da República, aparece em segundo lugar, com 10.653 notificações, atrás apenas da vizinha Goiânia, líder no ranking nacional, com 16,6 mil pacientes com sintomas da virose.

Na Região Sudeste, a mais populosa do Brasil, a situação de Minas também chama a atenção, com taxa de incidência de 46,5 casos por 100 mil habitantes e aumento de 42,4% no total de diagnósticos prováveis no período analisado em relação a igual intervalo de 2021. É o maior incremento entre os estados vizinhos de Rio de janeiro (aumento de 30,8% sobre o ano passado), Espírito Santo (recuo de 17,4%) e São Paulo (redução de 21,8%, embora com a maior incidência, de 67,1 diagnósticos por 100 mil pessoas). Em território mineiro havia até a semana passada total de mais de 13 mil pacientes com sintomas da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e um avanço preocupante: 27,3% mais diagnósticos que na semana epidemiológica anterior.

A dengue é classificada como uma endemia – como pretende fazer o ministro da Saúde com a COVID-19. O termo define casos de doenças recorrentes, típicas de determinada região, mas para as quais – em tese – há resposta efetiva por parte da rede de saúde. Mas o simples fato de que a doença transmitida pelo Aedes regularmente se torna epidêmica – quadro em que ocorre um aumento considerável no número de casos em diversas regiões, estados ou cidades – demonstra que o país está longe de conseguir controlá-la. Indica mais: mudar o nome com que se classifica determinado mal não é o bastante para domá-lo. Ao contrário, a lógica necessária parece ser outra: o enfrentamento muda a gravidade, portanto a classificação da doença, razão pela qual é ele que precisa ser perseguido com obstinação.

Esse controle vem avançando no país no caso da COVID-19 a duras penas, não raro apesar da postura de autoridades federais – e não por causa delas. No caso da dengue, as ações da Saúde em vários níveis aparentemente também vêm deixando a desejar. Diferentemente da doença provocada pelo coronavírus, a transmitida pelo mosquito não tem vacina. A prevenção se dá via campanhas e mobilização, alertam especialistas como o epidemiologista Geraldo Cunha Cury, professor da UFMG. “Com a COVID, as pessoas esqueceram que existe a dengue, mas quem tem que lembrar a população disso é a prefeitura, o estado, o Ministério da Saúde”, pontua. Parece mais importante no momento reforçar junto aos brasileiros a necessidade de se prevenir contra mais uma ameaça à saúde do que discussões sobre relaxar medidas de proteção contra a pandemia (ou endemia), já que essas últimas tendem a cair em desuso naturalmente quando o coronavírus estiver – de fato – sob controle.
 


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