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Estado de Minas editorial

Trânsito: uma outra epidemia

Os acidentes, no ano passado, além de ter diminuído pouco, foram mais letais


29/09/2021 04:00

Com a aproximação do fim do ano e a programação de festas e férias, que tende a sofrer forte influência da melhora nos índices da COVID-19, é importante que usuários de rodovias e autoridades olhem pelo retrovisor para avaliar um indicador que destoa das quedas de atividades em quase todos os setores do país em 2020. Mesmo com o Brasil desacelerando diante da pandemia, o número de mortes nas rodovias se manteve praticamente estável em relação a 2019, ainda que as estatísticas de acidentes tenham mostrado relativa queda.

Os dados são do painel de acidentes rodoviários da Confede- ração Nacional dos Transportes (CNT). Com base em registros da Polícia Rodoviária Federal, o estudo mostrou que as estradas fe- derais brasileiras registraram 63.447 desastres em 2020 – uma queda modesta de 5,9% em relação aos 67.427 do ano anterior. O número de pessoas que perderam a vida nessas ocorrências, porém, se manteve praticamente o mesmo: 5.287 em 2020, ante os 5.332 de 2019.

Isso indica que os acidentes no ano passado, além de ter dimi- nuído pouco, foram mais letais. Ocorreram nada menos que 14 mortes a cada um dos dias de 2020, em média – mais do que uma a cada duas horas, e isso consideradas apenas as vítimas em BRs.

Ainda segundo dados compilados pela CNT, foram 81 desastres com vítimas, em média, a cada 100 quilômetros de estradas sob monitoramento da União. Embora a maioria desses registros esteja concentrada no Sul e Sudeste do país, o Distrito Federal se destaca negativamente com cinco vezes mais acidentes do que a média nacional, considerando a mesma extensão de rodovias. E Minas Gerais, com a maior malha viária do Brasil, corredor entre o Norte e o Sul, surge com o maior número absoluto de ocorrências e de mortos.

A quantidade de vidas perdidas por uma das chamadas causas evitáveis já tem custos sociais e emocionais enormes, especialmente em um país já enlutado por centenas de milhares de mortes provocadas pela COVID-19. Mas a tragédia nas estradas tem também repercussões financeiras diretas. A CNT estima que o impacto total das ocorrências em BRs seja de R$ 10 bilhões apenas em 2020, a maioria esmagadora desse valor proveniente de desastres fatais (cerca de R$ 4 bilhões) ou com feridos (cerca de R$ 5,8 bilhões).

Mudar os números dessa tragédia nas estradas que cortam o país de norte a sul é tarefa de um esforço nacional. Ela passa por obras que tornem rodovias mais seguras, por mecanismos de controle de velocidade que não sejam meras máquinas de arrecadar multas, mas que sejam empregados com eficiência, em locais que realmente sejam necessários, e por fiscalização eficaz. Mas nada disso será suficiente se os motoristas, profissionais ou não, não se conscientizarem e fizerem sua parte. O país parece caminhar para o controle da pandemia do novo coronavírus, após um sofrido combate cheio de reveses. Já passa da hora de encarar também a verdadeira “epidemia do cotidiano” que ceifa vidas em nosso trânsito, e para a qual ainda não há vacina.


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