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Coworkings nichados ganham espaço


28/09/2021 04:00

Leo Benjamin Fischer
CEO da Law Works, coworking jurídico. Mestrando 
em direito civil pela PUC-SP
 
O acesso a coworkings por profissionais autônomos e pessoas jurídicas é uma realidade mundial consolidada que, a despeito da pandemia, não para de crescer. Isso porque espaços de trabalho compartilhados fazem sentido econômica e socialmente, na medida em que eliminam os custos de administrar a sede do local de trabalho, permitem escolher endereços mais valorizados e próximos da clientela, além de superar a segregação social provocada pela atuação profissional exclusivamente a partir do home office.

Atualmente, o mercado oferece duas espécies de coworkings: os multiusuários e os de nicho. Os primeiros, também conhecidos como coworkings genéricos, são abertos a pessoas físicas e jurídicas, independentemente de suas atividades profissionais ou comerciais. Não raro, são grandes, têm muitas unidades e ambientes neutros ou “descolados” (bar na recepção, mesa de pingue-pongue, rede, espaço pet etc.). Já os segundos, também conhecidos como coworkings especializados, buscam um público selecionado com necessidades específicas (setores da saúde, engenharia, arquitetura, financeiro, alimentação etc.). Esses coworkings em geral recriam a atmosfera típica do local de trabalho da profissão que se propõem a servir e, frequentemente, colocam à disposição de seus membros as ferramentas necessárias ao exercício profissional (e.g., consultórios dentários equipados).

Recentemente, um dos maiores coworkings genéricos do Brasil, referindo-se a um espaço especializado em profissionais do direito e afins, afirmou nas redes sociais que a maior vantagem de estar em um espaço multiusuário para o advogado seria captar clientes no local. Esse coworking, exatamente por ser genérico, obviamente desconhece o fato de que o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB orienta uma postura passiva aos advogados quanto à abordagem de pessoas com interesse em seus serviços profissionais nesses locais. Vale dizer, juntar-se a um ambiente multiusuário com o objetivo de captar clientes ativamente é vedado aos advogados.

O exemplo acima ilustra muito bem o fato de que, por vezes, o coworking especializado conhece melhor as exigências, dificuldades e impedimentos profissionais de seus membros, o que lhe permite endereçar melhor suas necessidades. No caso de advogados autônomos ou bancas, por exemplo, o ambiente deve ser sóbrio e discreto, de maneira a satisfazer as exigências de decoro, confidencialidade e o sigilo próprios da profissão. Além disso, se fazer conhecer pelos colegas ainda é a forma mais ética de aumentar a clientela. O direito é uma profissão altamente especializada e setorizada. Nenhum causídico sério se aventura a singularmente assessorar seus clientes em todos os ramos dessa profissão tão multifacetada.

A polêmica entre coworkings genéricos e especializados parte de uma falsa premissa. Possivelmente, no futuro, os coworkings de nicho se somados atrairão mais clientes que os multiusuários. Seja lá como for, a coexistência entre ambos é positiva, na medida em que permite a cada pessoa física ou jurídica eleger aquele espaço que melhor se amolda ao seu perfil e melhor contribui na consecução de seus objetivos. 


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