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Estado de Minas editorial

Os riscos da infraestrutura

Foi importante ter desarmado o protesto dos caminhoneiros, que por pouco não criou vida própria


13/09/2021 04:00

O Brasil ainda é assombrado por problemas que causaram prejuízos no passado e ainda hoje representam risco para o país, mas também uma oportunidade para que se equacione definitivamente as soluções que reduzam a possibilidade de que venham a ocorrer novamente. Risco de racionamento de energia elétrica e paralisação dos transportes são eventos que mostram as dependências do país em relação à sua infraestrutura e seus gargalos. A mobilização dos caminhoneiros que aderiram às manifestações do 7 de Setembro, ocupando a Esplanada dos Ministérios em Brasília e chegando a promover bloqueios rodoviários em 15 estados antes de perder força e ser totalmente desarticulada, ameaçou comprometer o abastecimento nacional porque mais de 60% da matriz de transporte de cargas no país está no modal rodoviário.
 
Embora as reivindicações sejam diferentes e o impacto do protesto tenha sido contido pela ação do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, a paralisação trouxe à memória a greve do setor de transporte em 2018, que parou o país por cerca de 10 dias e causou queda do PIB, aceleração de preços e prejuízos para vários setores. O mesmo se dá com a energia elétrica, com a crise hídrica trazendo de volta o fantasma do racionamento. Embora a matriz energética brasileira tenha se diversificado desde 2001, quando o racionamento impôs perdas para a economia brasileira como um todo, a dependência da fonte hídrica continua.
 
Diante do risco crescente de racionamento de energia, a prolongação da manifestação dos caminhoneiros provocaria um estrondo na economia e não apenas um barulho que poderia afetar a economia este ano, como disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, ao admitir o impacto do acirramento dos conflitos de poderes em Brasília. Seria um problema a mais diante de uma inflação que deve superar a dois dígitos em setembro por causa da bandeira de escassez hídrica e das altas nos preços de combustíveis e alimentos; da estagnação da economia; dos 14 milhões de desempregados; e do aumento da população em situação de miséria.
 
Foi importante ter desarmado o protesto dos caminhoneiros, que por pouco não criou vida própria. E é importante que se tenha em mãos medidas para reduzir os efeitos de um possível racionamento, caso ele venha a ser uma imposição. Mas mais do que isso. É preciso buscar leis e medidas que atraiam investimentos para o Brasil e o direcionamento dos mesmos para projetos de outras fontes de geração de energia e de ferrovias e portos, para que num país de dimensões continentais cargas de longa distância possam trafegar por rios e pela costa brasileira ou por ferrovias.
 
Hoje, o nível de investimentos diretos no Brasil é baixo. Em 12 meses encerrados em junho, foram US$ 46,6 bilhões, ante US$ 65,8 bilhões no acumulado em 12 meses em junho do ano passado. Estudo recente mostra que o Brasil precisaria investir muito mais para colocar sua infraestrutura entre as mais eficientes do mundo. No ano passado, o país investiu pouco mais de R$ 115 bilhões, ou 1,55% do PIB, em infraestrutura, sendo que teria que aportar quase R$ 340 bilhões por ano para se colocar entre os 20 melhores do mundo. Eficiência é diversificar ainda mais a matriz energética e atuar para que o “continente” territorial chamado Brasil tenha uma logística integrada e menos concentrada em rodovias.


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