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Estado de Minas editorial

Basta ter vontade

Todas as pesquisas mostram que 94% da população quer ser vacinada contra a COVID-19


29/07/2021 04:00


É alvissareiro ver que São Paulo, o estado mais populoso do país, concluirá a vacinação contra a COVID-19 de todos os cidadãos adultos até a metade de agosto. Feito isso, passará a imunizar crianças e adolescentes. Esse quadro só confirma que, se o governo federal tivesse antecipado o programa de proteção contra o novo coronavírus, a população de quase todo o país estaria quase que toda imunizada. Infelizmente, sobrou incompetência e descaso ao Ministério da Saúde para atender os anseios dos brasileiros em meio à pandemia, na qual morreram mais de 550 mil pessoas.

Todas as pesquisas mostram que 94% da população quer ser vacinada contra a COVID-19. Portanto, não é mais aceitável que o governo continue cometendo erros grosseiros na distribuição de imunizantes. Nos últimos dias, pelo menos nove capitais suspenderam a vacinação de seus cidadãos por falta de doses para a primeira aplicação. Isso em meio ao espalhamento da variante Delta do novo coronavírus. Ante a emergência que vive o país, qualquer dia de atraso na proteção do povo amplia o desastre do qual ainda não se sabe quando sairemos.

A compra de vacinas, como revelou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, se deu muito mais tarde do que o desejado e do que se podia. Houve um negacionismo enorme por parte do chefe do Executivo, que chegou ao ponto de dizer que quem tomasse o imunizante contra a COVID-19, viraria "jacaré". Felizmente, uma ala do Ministério da Saúde que prima pelo bom senso conseguiu superar todos os entraves e pôs a vacinação nas ruas. Mas é preciso mais. O país sequer chegou a 20% da população com as duas doses completas.

Chamam a atenção as fortes diferenças na execução do Programa Nacional de Imunização. Se São Paulo está na fase final de vacinação de seus adultos, há regiões em que ainda estão sendo aplicadas doses em pessoas com mais de 50 anos. Isso mostra o quanto a falta de coordenação por parte do governo federal atrapalhou todo o processo. O Brasil, não é segredo para ninguém, sempre foi modelo para o mundo de vacinação em massa. Contudo, foi atropelado por decisões equivocadas, muitas delas contrariando a ciência. O mais assustador é que várias dessas posições descabidas insistem em se fazer presentes.

A vacinação em massa não desafoga apenas o sistema de saúde, abrindo espaço para que se possa tratar de outras doenças sérias, muitas delas relegadas durante este um ano e meio de pandemia. Permite, também, uma recuperação mais forte da economia, uma vez que as fábricas podem voltar a produzir a pleno vapor e o comércio, a atender tranquilamente a clientela. Hoje, ainda que algumas atividades estejam próximas dos níveis pré-pandemia, o país está longe de garantir um crescimento sustentado que seja inclusivo e reduza drasticamente o elevadíssimo desemprego, que atinge quase 15 milhões de brasileiros.

Sendo assim, em vez de ficar espalhando notícias falsas, como a de que o Supremo Tribunal Federal retirou do Executivo o poder para coordenar as ações de enfrentamento da pandemia – ontem, o STF rebateu com veemência essa fake news –, o governo deveria assumir de vez as suas responsabilidades para que os brasileiros possam ter de volta as suas vidas. Acabou a complacência da população. É de se esperar que o Centrão, que chegou ao Palácio do Planalto e dará as cartas daqui por diante, também bote a vacinação contra a COVID-19 nos eixos. É o mínimo que pode fazer pelo país.


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