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Caso Backer: justiça tardia não é justiça


21/06/2021 04:00

Rômulo Belfort 
Presidente da Associação de Moradores do Bairro Buritis (ABB)

"Mesmo após um ano do fim do inquérito policial, famílias das vítimas da Backer aguardam respostas, tanto em âmbito cível como no criminal. E o que elas têm? Processos praticamente parados "


Quarenta e duas pessoas intoxicadas, 11 mortas. Há quase dois anos, familiares das vítimas da cerveja Backer aguardam a decisão judicial. A ação foi distribuída em janeiro 2020. Em 8 de junho do ano passado, o inquérito foi concluído, ou seja, há mais de um ano. Três meses depois, em 8 de setembro, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia. As famílias das vítimas continuam sem respostas.

Os investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), brilhantemente direcionados pelo delegado que presidiu o inquérito, analisaram, estudaram e produziram os mais de oito volumes que foram entregues à Justiça, com todas as provas que ninguém jamais havia coletado, indicando diretamente os responsáveis. Afinal, morte de pessoas por intoxicação com dietilenoglicol em cerveja foi algo inédito no Brasil.

Infelizmente, foi-se o tempo em que as pessoas não morriam envenenadas ao tomar cerveja. No final do mês passado, um policial militar da reserva morreu, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, após ingerir cerveja. Dessa vez, a intoxicação pode ter sido provocada por dimetilglicol. Um inquérito foi instaurado.

Em abril deste ano, um homem foi preso em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, acusado de tentar matar a própria esposa. Como ele agiu? Colocando dietilenoglicol na cerveja que ela bebeu.

A morte do policial militar e a intoxicação da mulher seriam resultados da certeza da impunidade?

Mesmo após um ano do fim do inquérito policial, famílias das vítimas da Backer aguardam respostas, tanto em âmbito cível como no criminal. E o que elas têm? Processos praticamente parados, cujas movimentações se resumem em precatórias e mandados que vão de um lado para o outro.

Em consulta ao site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por meio do número do processo, percebe-se que em 27 de outubro do ano passado houve movimentação concluindo para julgamento. E depois disso? Mandado vai, mandado vem. Conclui-se para despacho e mais mandados.

E aí, podem tentar explicar que a demora esteja relacionada ao número de vítimas. Não justifica. Todas morreram pelo mesmo veneno, jorrado no tanque de produção por irresponsabilidade, imperícia, descaso dos produtores e donos da mesma empresa.

Inquérito concluído há um ano. Processo parado há oito meses. E mais nada. O resultado disso? A certeza da impunidade e a multiplicação da dor dos que perderam seus entes queridos.

 A Justiça mineira não pode virar as costas para esse caso, que abalou as estruturas econômicas e sociais do povo belo-horizontino.

Nós, da Associação do Bairro Buritis, acompanhamos todos os acontecimentos, sentimos a dor dos envolvidos – nossos vizinhos e amigos. Vamos vigiar e cobrar uma solução justa para as vítimas, com a devida punição dos responsáveis.


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