Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas editorial

Um cenário desafiador

Caso a vacinação se mantenha em marcha lenta, o Brasil só concluirá a imunização geral da população em meados de 2022


06/06/2021 04:00

Mais de uma vez, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que toda a população brasileira acima de 18 anos de idade estará vacinada contra a COVID-19 até o fim de 2021. Confirmou a previsão em entrevista aos Diários Associados na última sexta-feira. Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, na quarta, o presidente Jair Bolsonaro reforçou a promessa. “Neste ano, todos os brasileiros que assim o desejarem serão vacinados, vacinas essas que foram aprovadas pela Anvisa”, disse.

No entanto, o distanciamento entre promessa e realidade é preocupante. Principalmente, alertam especialistas, diante do temor de que o Brasil enfrente uma devastadora terceira onda de coronavírus, no momento em que ainda sofre com as dramáticas consequências da segunda onda, com altíssimo patamar diário de mortes – em torno de 1,9 mil na média semanal – e com a volta do crescimento no número de infectados.

Logo na primeira entrevista depois de assumir o cargo, em 23 de março, em substituição ao general Eduardo Pazuello, Queiroga anunciou a meta de imunizar um milhão de pessoas por dia. Contudo, esse ritmo não tem se concretizado. Em maio, por exemplo, ficou muito aquém disso. Dados do Ministério da Saúde mostram que, no mês passado, o total de doses aplicadas ficou em 16,27 milhões, o que dá uma média em torno de 543 mil inoculações diárias de imunizante, quase metade do previsto pelo ministro.

Caso a vacinação se mantenha em marcha lenta, o Brasil só concluirá a imunização geral da população em meados de 2022. Se o atraso se confirmar, as consequências serão drásticas. Tanto em perdas de vidas, a mais cruel de todas elas, quanto para o futuro de jovens que tiveram os estudos fortemente prejudicados e pelo abalo que pode provocar na economia, justamente quando o setor produtivo, a despeito de toda a desgraça, ensaia uma resiliente recuperação.

Pelas estimativas do epidemiologista Wanderson Oliveira, ex-secretário nacional de Vigilância em Saúde, se a cepa indiana se sobrepuser à variante P1 (de Manaus), o Brasil chegará ao pior cenário em 10 de julho, com cerca de 4 mil mortes por dia. “Só que não posso olhar apenas para isso. Temos de ver os usos hospitalares, com a abertura de novos leitos, que podem reduzir a estimativa”, disse, em entrevista ao Estado de Minas, em 30 de maio.

No cenário mais otimista traçado por Oliveira, o país precisaria fazer testagem em massa, otimizar a comunicação no combate à pandemia e intensificar a imunização, com a aplicação de cerca de 2 milhões de doses por dia, para chegar a 31 de outubro com toda a população adulta vacinada. “É viável? Completamente”, assevera. Se o Brasil fizer esse dever de casa, ressalta o epidemiologista, chegará bem ao Natal, ao ano-novo e ao carnaval de 2022. “Mas não se pode perder tempo”, adverte. Que venham as vacinas.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade