Ana Vitória Lopes
Jornalista e assessora de imprensa
Estamos à beira de completar meio milhão de vidas perdidas na pandemia. Entre rico, pobre, preto, branco, criança, idoso, cada um navegando em águas tortuosas no seu bote, barco ou iate. Mas a verdade é que estamos todos em uma canoa furada, no meio da tempestade, à deriva, esperando a terceira onda chegar, entregues ao negacionismo de outrem; negacionismo que está sendo o grande ator da devastadora tragédia que a COVID-19 vem causando pelo Brasil.
O excesso de informação mais atrapalha do que ajuda o cidadão, que se perde entre o que é fato e o que é fake, preferindo acreditar no que é disseminado nos grupos de WhatsApp a procurar a credibilidade da informação, do que acontece verdadeiramente. É mais fácil negar as perdas e brindar a vida no bar da esquina a lutar por um país mais justo e igualitário. É mais fácil também achar que a contaminação pelo coronavírus nos faz “mais fortes e resistentes”, quase impedindo a reinfecção.
Países europeus, assim como o resto do mundo, têm aprendido a duras penas a lidar e conviver com a COVID-19. Os EUA seguem firmes no comando de Biden, vacinando seus cidadãos em massa – até hoje (25/5), 39,8% da população está totalmente vacinada, com as duas doses – já na terra do samba e onde tudo acaba em pizza, temos 9,89% da população totalmente vacinada em meio à CPI da COVID, falta de vacinas, furto de vacinas, e sabe Deus mais o quê acontece com as doses que não estão sendo utilizadas para imunizar um país que não aguenta mais viver as mazelas cada vez maiores da sociedade do pão e circo. Aliás, em tempo: ultimamente sem pão nem circo, pois o brasileiro não tem mais como ser feito de bobo.
A diminuição do contágio pelo coronavírus se dá, obviamente, pela vacinação, mas a vacina não é a única protagonista nesta página que não vemos a hora de virar e iniciar um novo capítulo da história mundial. O comportamento da população também está diretamente relacionado ao maior ou menor número de infectados, assim como a condução da pandemia pelos governantes. O caminho para controlar o caos na saúde vem de cima para baixo, pois dependemos sim de como as lideranças políticas irão agir para barrar a propagação do vírus e de suas variantes.
Basta analisar, por exemplo, como as coisas estavam acontecendo nos Estados Unidos de Trump e o rumo que tomaram com a chegada de Biden. O país chegou a liderar o ranking de contaminados pela COVID-19 no ano passado e hoje acompanha a queda de contaminados e mortos à medida que a vacinação avança. Já a Índia, infelizmente, já passou dos 300 mil mortos, enquanto o Brasil detecta os primeiros contaminados com a variante indiana e superou os 450 mil óbitos. Chego à triste conclusão de que quanto mais pobre o país, mais a corrupção e a ignorância o assolam, e quanto mais nos mantivermos em nossa zona de (des) conforto, mais fundo é o buraco onde estão tentando nos colocar. Acorda, Brasil!
