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Vem de Abbey Road lições para bem mesclar o velho e o novo

Dos estúdios 'dos Beatles', onde gravamos pelo Skank, brotaram inovações tecnológicas em meio ao uso de aparelhos da velha guarda


18/04/2021 04:00

No primeiro semestre do ano de 1998, o Skank foi para Londres fazer algumas gravações  e finalizar o álbum "Siderado", sucessor de "O Samba Poconé". Este álbum tem as canções "Resposta" e "Saideira" como mais conhecidas. Ficamos quase um mês na capital londrina frequentando diariamente os estúdios Abbey Road. Escrevi no plural pois são muitas salas de gravação com características diferentes. O estúdio 1 é enorme e por isso é utilizado por orquestras. O estúdio 2 ficou conhecido como sendo a casa dos Beatles. O estúdio 3 foi onde o Pink Floyd registrou o clássico "The Dark side of the moon" e também onde mixamos nosso quarto álbum.

O convívio diário nesse templo da música nos deu a oportunidade de conhecer em detalhes por que ele existe até hoje. Um local que produz música de qualidade há mais de 90 anos e continua se atualizando. Para se ter uma ideia, hoje existe um hub de inovação tecnológica voltado para a indústria da música dentro de suas instalações.

Essa fome por inovação ficou mais evidente quando fizemos a masterização do nosso álbum. O estúdio utilizava equipamentos, de diferentes gerações, conectados de forma harmoniosa, pois lá se adota o que existe de melhor sendo novo ou não.

Esse ensinamento eu utilizo na minha vida até hoje, e nesta semana isso ficou mais forte ao ver um vídeo explicativo das inovações utilizadas na gravação da canção "Rain", que foi lançada em 1966 como lado B do compacto em vinil de "Paperback Writer".

Ambas foram gravadas durante as sessões do "Revolver", mas não entraram no álbum. A estratégia de lançamento utilizada na época era colocar do lado A do compacto uma música com potencial para se tornar um sucesso, e do lado B algo mais artístico ou conceitual. Aí que entra a canção “Rain”.
Algumas técnicas inovadoras utilizadas nessa gravação, se tornaram referência e foram replicadas em músicas como "Give it away", do Red Hot Chili Peppers, e "Castle made of sand", do Jimi Hendrix.

Estou falando de gravações feitas em velocidades diferentes para alterar a textura do som, chegando ao ponto de usar vocais no modo reverso. Isto é, de trás pra frente. Hoje em dia pode-se utilizar esses truques por meio de softwares chamados de plug-ins automaticamente. Estamos falando de técnicas criadas ha 55 anos.

Os Beatles aproveitaram um período libertário dentro da arte musical e buscaram novas técnicas para o seu trabalho. Ao ver o vídeo explicativo da canção “Rain”, percebi claramente que o espírito de inovação dentro do quarteto de Liverpool fazia parte do processo criativo das canções como um exercício constante e necessário.

Pra mim, a liberdade artística é ligada às tecnologias disponíveis no momento da criação. Mas saber utilizar as inovações também é uma arte.

Para quem quiser mais detalhes sobre essa história, busque no YouTube: "The radical innovations of the perfect Beatles song". Se seu inglês não estiver em dia, ative as legendas. Divirta-se!




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