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Estado de Minas

O crédito vai ficar mais caro

Com os juros básicos mais altos, o encerramento das linhas emergenciais e o apetite dos bancos menor para riscos, a tendência é um aumento nos custos


17/04/2021 04:00




Juliano Graff
Empreendedor há mais de 20 anos e fundador da Capital 
Empreendedor, marketplace de crédito para empresas, e da Master Minds, empresa de investimentos em participações, com formação em administração e pós-graduação na Universidade de Harvard
 
 
 
 
O agravamento da pandemia está impactando diretamente nas pequenas e médias empresas (PMEs). A queda nas vendas e ofertas de serviços tem levado muitas a fechar suas portas. Segundo pesquisa do Sebrae com a FGV divulgada recentemente, a queda no faturamento das PMEs em fevereiro foi de 40% em comparação com o mesmo mês antes de a pandemia começar.

Para manter seu negócio funcionando, uma opção para o empreendedor é buscar crédito. A questão é: a falta de conhecimento de parte do empresariado sobre as opções existentes no mercado e como ter acesso às melhores taxas também é um fator preponderante nesse sentido, levando muitos a procurar linhas de obtenção mais fácil com seu banco de relacionamento, mas com juros mais altos, sem comparar adequadamente com outras opções. Segundo outra pesquisa do Sebrae, apenas 12% dos empresários entrevistados já haviam solicitado empréstimo por meio de canais digitais, por exemplo.

Em 2020, durante a pandemia, houve um aumento nas linhas de crédito de recursos livres disponíveis, em especial com incentivos do go- verno, inclusive com isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), para fomentar e garantir a sobrevivência das empresas em um período tão desafiador. Ainda assim, os cinco maiores bancos do país continuaram oferecendo as maiores taxas com spread de 52% em relação à Taxa Selic, que vem mantendo um patamar mensal abaixo de 0,17% desde agosto.
 
 
 
 
 
Porém, essa fase deve terminar e agora as apostas do mercado são de um aumento de juros e de uma Selic maior até dezembro, diante da alta da inflação. Por isso, a hora de obter crédito é agora.

Em 2021, a segunda reunião do Copom já traz a Selic acima do esperado em 0,75p.p, chegando a 2,75% ao ano. No acumulado, o mercado espera uma continuidade do aumento de juros diante da alta da inflação, que fechou 2020 em 4,52% – acima do centro da meta, que era de 4%, e das incertezas em relação à retomada das atividades econômicas em razão da pandemia. Segundo o último boletim Focus, a expectativa é que a Taxa Selic dobre até o fim deste ano, podendo avançar para 5% a.a. em 2022.

Ao comparar as taxas de todas as linhas de crédito disponíveis para pequenos empreendedores, é possível verificar que a taxa média chegava em torno de 1,70% ao mês em dezembro de 2020. Em janeiro, já estava em 2,20%.

Com os juros básicos mais altos, o encerramento das linhas emergenciais e o apetite dos bancos menor para riscos, a tendência é um aumento também nos custos que envolvem empréstimos e financiamentos. Além disso, segundo pesquisa do Ibre/FGV, pequenos e médios empresários entraram em 2021 enfrentando ainda mais exigências para acessar crédito do que encontravam no fim do ano passado e com obstáculos bem mais rígidos do que no período anterior à crise sanitária.

Em um cenário no qual o crédito fica mais difícil e caro para os empresários, é cada vez mais necessário oferecer acesso a ferramentas de comparação e diversificação de crédito. O open bank- ing chega nesse movimento de facilitação e democratização de empréstimos e de uma série de produtos financeiros.

Para os bancos, especialmente os maiores, a alta dos juros continuará gerando bons negócios. Pesquisa da Febraban divulgada em fevereiro aponta uma expectativa de crescimento de quase 10% nas operações de crédito para os empreendedores neste ano. Muitos deles, por dificuldade ou falta de conhecimento, vão acabar aceitando as condições que estiverem disponíveis e que parecerem facilitadas por essas instituições.

Nesse contexto, é cada vez mais importante contar com maneiras de descobrir boas opções de crédito e financiamento. Se ao longo dos últimos meses os empresários precisaram ser resilientes para manter suas atividades, nos próximos tempos, eles precisarão ser mais atentos sobre o cenário econômico do país para continuar aproveitando as melhores opções disponíveis de crédito – e isso só se faz com informação e comparação.


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