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Estado de Minas editorial

Economia e ciência

Fica cada vez mais claro que recuperar a economia depende da atitude obstinada de valorização da ciência, como sinônimo de vacinação em massa contra a COVID-19


16/04/2021 04:00




O respeitado e experiente ex-ministro e embaixador Rubens Ricupero lembrou recentemente que o mundo enfrentou sete pandemias desde o início do século 20 que deixaram marcas demográficas, políticas, socioeconômicas e culturais. Com duração média de 12 a 18 meses, foram elas as gripes espanhola (1918/1919), asiática (1957/1958) e de Hong Kong (1968/1969); aids (1982 em diante), Sars (2002/2004), Mers (2012) e a epidemia do Ebola (2014, na África Oriental).

Na economia, duas das marcas mais degradantes, e já evidenciadas, agora, pelos efeitos do novo coronavírus, são a desigualdade social e o desemprego. Segundo Ricupero, a redução desses problemas é desafio central para os próximos anos. Não se trata de pensar nisso hoje, por uma questão de sucessão presidencial. Será preciso buscar a própria recuperação firme da economia atada à busca de soluções para a falta de trabalho e de condições sociais igualitárias no país.

Fica cada vez mais claro que recuperar a economia depende da atitude obstinada, e que não se vê por parte do Palácio do Planalto e de alguns governadores e prefeitos, de valorização da ciência, como sinônimo de vacinação em massa contra a COVID-19. Além disso, claro, o país assiste à perda diária de vidas para o coronavírus, diante do preocupante descontrole sobre a pandemia. Na última semana, executivos de pelo menos quatro grandes companhias do setor privado – BRF, Usiminas, grupo Gerdau e Aperam South America – destacaram em entrevista ao Estado de Minas que agilizar a imunização contra o vírus se tornou essencial para a recuperação da economia.    

Há várias estatísticas que têm medido o ritmo da vacinação no Brasil. De acordo como Ministério da Saúde, até o último dia 6, cerca de 43,3 milhões de doses haviam sido distribuídas aos estados e municípios. No entanto, as injeções aplicadas somaram 24,2 milhões. A diferença se explica, basicamente, devido à reserva técnica da segunda dose. O governo pede que ela seja liberada, forma enviesada de acelerar a vacinação. Falta credibilidade do Planalto e do Ministério da Saúde para que essa medida seja adotada, devido ao histórico de negação desde o início da pandemia e que persiste na postura e ações do presidente Jair Bolsonaro e de alguns de seus aliados e auxiliares.

De acordo com dados acompanhados pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, quando são cruzadas as informações sobre o número de vacinas disponibilizadas e o tamanho da população, o Brasil está na 73ª posição entre 166 nações e territórios. Até o último dia 6, somente 8,4% da população foram imunizados com a primeira dose. Há também estatísticas apontando que o Brasil imunizou, até quarta-feira, com ao menos uma injeção apenas 24,956 milhões de pessoas, representando 15,5% de seus habitantes. Só 5% foram incluídos no ciclo completo de imunização, de acordo com dados das secretarias de Saúde de 26 estados e do Distrito Federal, acompanhados pelo consórcio de veículos de imprensa.

O discurso de que não há vacina disponível no mundo é usado como justificativa, quando, de fato, o governo brasileiro expôs o país ao desprezar estratégia para garantir a imunização dos brasileiros. Cabe a um chefe de Estado, a governadores e prefeitos correr atrás, trabalhar com obrigação incansável de buscar imunizantes contra a COVID-19. Não faz sentido festejar dados do IBCR (Índice de Atividade Exonômica Regional), que mostraram em fevereiro crescimento no último trimestre de 2020 entre 0,7% no Norte e 2,6% no Sudeste, e, da mesma forma, exaltar a criação de 400 mil empregos em fevereiro. São números muito fracos perante o desemprego que segue em 14,2% e o encolhimento da economia brasileira de 4,1% no ano passado.

Os próprios analistas de bancos e corretoras consultados pelo Banco Central para o Boletim Focus de indicadores econômicos elevaram a previsão para a inflação deste ano de 4,81% para 4,85% e a expectativa para o crescimento do país baixou de 3,17% para 3,08% em 2021. O gigante está de joelhos, enquanto a Nação espera por esforço efetivo por vacina contra a COVID-19.


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