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Estado de Minas editorial

Chance inédita para o Centrão

A urgente aprovação da peça orçamentária e da PEC de Guerra é crucial para ajudar o país a enfrentar a devastadora pandemia


16/02/2021 04:00

O governo federal e a cúpula do Legislativo fecharam um acordo que impõe uma missão quase impossível aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Eles têm até março para aprovar o atrasado Orçamento de 2021 e, ao mesmo tempo, uma PEC de Guerra que, sem colocar em risco a responsabilidade fiscal, viabilize a fonte de financiamento do novo auxílio emergencial e, ainda, garanta recursos suficientes para a vacinação de toda a população. Em entrevistas ao Estado de Minas e ao Correio Braziliense, tanto Pacheco quanto a deputada Flávia Arruda (PL-DF), presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional, asseguraram que não faltará dinheiro para a vacina nem para o pagamento do benefício aos mais sacrificados pelo recrudescimento da pandemia do novo coronavírus.

Além de mostrar força, o Centrão tem uma oportunidade inédita de, num momento de extrema vulnerabilidade da nação diante do terrível avanço do coronavírus, deixar de lado, ao menos uma vez, o voraz e desmedido fisiologismo histórico que o caracteriza e, antes de tudo, pensar no Brasil. A urgente aprovação da peça orçamentária e da proposta apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sem desvios de finalidade e outros subterfúgios inconfessáveis, é crucial para ajudar o país a enfrentar a devastadora pandemia que, até agora, já infectou quase 10 milhões de brasileiros e tirou a vida de cerca de 240 mil cidadãos. Mesquinhas barganhas políticas, diante dessa trágica situação, equivalem a um crime de lesa-pátria, uma atrocidade capaz de causar danos irreparáveis a um país inteiro.

Primeira deputada a assumir a CMO, Flávia Arruda tem pela frente o espinhoso desafio de conduzir o processo de aprovação do Orçamento e sabe das dificuldades que encontrará, tanto da parte de aliados quanto da oposição, para manter o foco nas questões mais relevantes. "As prioridades são a vacina, o auxílio emergencial, para quem está passando fome, e a retomada da economia e dos empregos, que só acontecem se soubermos atender às duas primeiras prioridades, sem desorganizar a economia, sem crescer a dívida pública", afirmou. "A vacina é prioridade zero. Não pode e não vai faltar dinheiro." Parlamentar de primeiro mandato, ela chegou à presidência da CMO por aclamação, com o apoio de Arthur Lira, que resgatou o comando da Câmara para o Centrão, perdido desde a queda do até então todo-poderoso Eduardo Cunha. 

Vale ressaltar que o presidente Jair Bolsonaro apostou pesado tanto na eleição de Lira quanto na de Pacheco. E espera, agora, que ambos cumpram o acordo fechado com o governo para a aprovação urgente do Orçamento e das propostas defendidas por Guedes para viabilizar o novo auxílio emergencial e a compra de vacina contra a COVID-19, sem colocar em risco a responsabilidade fiscal. Até o momento, pelas contas do Planalto e de parlamentares, o valor do benefício deve ficar em torno de R$ 250. E a intenção é pagar de três a quatro parcelas aos beneficiados.

Em toda a sua história, o Centrão sempre pôs a pauta fisiológica acima dos interesses nacionais. E cobrou faturas exorbitantes e inconfessáveis em troca de apoio a qualquer governo de plantão. Quer fosse de esquerda, centro ou direita. Ao menos desta vez, sem ingenuidade e sem muita esperança, espera-se que faça a coisa certa: ajude, sem cair na tentação do "meu milhão primeiro", a tirar o Brasil dessa crise tão inclemente, cujo preço é cobrado pela pandemia, todos os dias, em vidas. 


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