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Estado de Minas EDITORIAL

A diversidade sai das urnas


30/11/2020 04:00

A diversidade étnica e de gênero mudarão, em 2021, a composição das câmaras municipais. Nas eleições deste ano, as mulheres, os negros (pretos e pardos), indígenas e os LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais) ampliaram a representação nos legislativos das cidades. Apesar de sub-representados, em relação ao eleitorado, foi um sinal de mudança. Pequenas trincas no preconceito e no racismo.

As mulheres somam 52% do eleitorado, mas seguem como minoria na representação política. Neste ano, 9.196 foram eleitas vereadoras (16%) contra 48.265 vereadores (84%). Em três capitais – Curitiba, Goiânia e Vitória –, pela primeira vez, três mulheres negras foram eleitas vereadoras. Em Joinville, a primeira negra eleita para o legislativo local foi vítima de racismo e ameaçada de morte por um grupo neonazista. Na disputa por prefeituras, no primeiro turno das eleições, as mulheres conquistaram 651 (12,1%) municípios dos 5.568 em disputa, enquanto os homens vão governar 4.750.

Pela primeira vez, também, os negros superaram o número de candidatos brancos, respectivamente, 49,9% e 48,1%. Entre os mais de 5,4 mil prefeitos eleitos no primeiro turno, 1,7 mil se declaram pretos ou pardos, ou seja, 32% do total de eleitos – aumento de três pontos percentuais em relação a 2016. Para o cargo de vereadores, eles somaram 6% dos eleitos.

Vítimas constantes de discriminação e violência, a comunidade LGBTI+ lançará cores nas casas legislativas do país. Desde 1980, integrantes desse segmento que soma mais de 20 milhões de brasileiros tentam ingressar na política. Neste ano, chegaram organizados e conquistaram mais de 80 cadeiras de vereadores. Embora o número não seja tão expressivo, representa um avanço, em uma conjuntura machista e homofóbica.

As populações indígenas estarão representadas nas câmaras municipais com 182 vereadores eleitos. Oito municípios serão administrados por indígenas. Um avanço para os povos originários, desde sempre depreciados pelos não indígenas. Entre as comunidades tradicionais, a maior comemoração foi a de quilombolas, hoje distribuídas em cerca de 500 quilombos. Elas conseguiram eleger 58 vereadores em todo o país.

Chamaram a atenção as candidaturas coletivas e compartilhadas, que representaram movimentos de segmentos invisíveis ao poder público, como as comunidades da periferia e quilombolas. O movimento começou em 2012, com três coletivos. Neste ano, foram 216 candidaturas compartilhadas. O maior número foi no Psol (99), seguido do PT (51) e PC do B (23). O sistema atual só prevê candidatos individuais. Mas, na avaliação de cientistas políticos, a modalidade deverá crescer e merecer análise pela Justiça Eleitoral.

O resultado que emergiu das urnas foi a resposta à desconstrução de políticas públicas específicas para cada um desses segmentos da sociedade brasileira, e tende a ser novo ponto de partida para ressuscitar avanços sociais e econômicos, e, o mais importante, resgatar o respeito devido a todas as pessoas, independentemente da cor da pele, da orientação ou identidade de gênero e da origem étnica. Todos são brasileiros.


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