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Cabem no Brasil mais cidadania e engenharia


05/08/2020 04:00 - atualizado 04/08/2020 20:33

Eduardo Lafraia
Presidente do Instituto de Engenharia

Não cabe mais no Brasil de hoje a frase "olha com quem você está falando". Cabe e se faz necessário mais cidadania e protagonismo da engenharia. Cabe a mão do engenheiro e da engenheira para fazer frente à pandemia, mais infraestrutura, mais empregos, mais saneamento básico, mais inovação e avanços tecnológicos tão necessários para o enfrentamento desse desafio que pode ser um dos mais importantes de nossa vida.

A pandemia do coronavírus é uma experiência compartilhada por todos os habitantes do mundo, mas não é a mesma experiência para todos. Já existem evidências de que a doença se espalha mais rapidamente em países com maior grau de desigualdade social, com bairros mais populosos, onde há moradia precária e falta saneamento básico. Não cabe mais no Brasil, também, a falta de infraestrutura, o déficit habitacional e tamanha desigualdade nas condições de moradia. Cabe a mão do engenheiro e da engenheira para levar o saneamento básico aos 35 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada e aos mais de 100 milhões sem coleta de esgoto. Permitindo, assim, que a cada R$ 1 real gasto com saneamento R$ 4 se economizariam em saúde pública.

O antropólogo Roberto DaMatta, em sua obra-prima Carnavais, malandros e heróis, afirma que a expressão "você sabe com quem está falando?" é algo enraizado na sociedade brasileira, que evidencia a dificuldade que o brasileiro tem em respeitar regras coletivas, se valendo da famosa carteirada para que um título ou posição que ocupa garanta tratamento diferenciado.

Não cabe mais no Brasil, hoje, a falta de cidadania no que se refere ao zelo pelo cumprimento da lei, das normas sanitárias e de saúde. Cabem mais engenheiros e engenheiras intervindo na sociedade para transformá-la. Cabe, também, a formação de mais profissionais da engenharia para que elevemos a proporção atual de seis engenheiros para cada 100 mil habitantes para níveis como os do Japão e Estados Unidos, onde há 25 a cada 100 mil, como mostra estudos da OCDE.

Nesta semana, Jeffrey Sachs afirmou que uma maior desigualdade leva a uma menor coesão social, menos confiança social e mais polarização política. Em um país que ocupa a 7ª posição entre os países com maior desigualdade social do mundo, cabem, ainda, valores soberanos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, voltada para efetivamente para enfrentar seus problemas e criar um pacto social em prol de atuar para a coletividade.

Mario Sérgio Cortella brilhantemente mostra a pequenez daqueles que pretendem se mostrar superiores, evidenciado a ínfima condição existencial do ser humano, diante da numerosa população mundial, em um planeta pequeno inserido dentro de um vasto universo, que hoje luta contra um inimigo comum, microscópico, chamado COVID-19.

O intuito da engenharia é colaborar com a definição de diretrizes para superar as deficiências brasileiras. A mão do engenheiro e da engenheira é imprescindível para apoiar o país no desafio de atingir os padrões internacionais na área de saneamento, de solucionar seu déficit habitacional e assim diminuir sua desigualdade social e vulnerabilidade a vírus como o novo coronavírus e outros que possam surgir. E dessa forma garantir que aqueles que legalmente têm cidadania, mas que não dispõem de condições estruturais, sociais e materiais, possam efetivamente exercê-la.


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