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Estado de Minas

O ex-moralista

A bandeira da ética se perdeu com a saída de Moro e, sobretudo, por causa do caso Fabrício Queiroz


05/08/2020 04:00

Sacha Calmon
Advogado, coordenador da especialização em direito tributário da Faculdades Milton Campos, ex-professor titular da UFMG e UFRJ


O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, informou que testou positivo para o novo coronavírus. Os outros quadros foram o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Milton Ribeiro (Educação).

Quem transmitiu? O "Jair gripezinha", com seu diploma em cloroquina.

Segundo Guilherme Peixoto, "o presidente Jair Bolsonaro agiu completamente errado no combate ao novo coronavírus". Perdeu a guerra!

Desde a gripe espanhola, não havia uma emergência sanitária desse patamar. "O presidente fez oposição ao próprio Ministério da Saúde dele", afirmou Mandetta em entrevista por telefone ao Estado de Minas.

Contrário às regras rígidas adotadas por estados e municípios, o presidente é publicamente favorável à plena retomada das atividades econômicas. "As decisões políticas foram as piores possíveis em uma pandemia desse porte", disse o médico filiado ao DEM. Após a saída de Mandetta, o cargo foi ocupado pelo também médico Nelson Teich, que, no entanto, durou menos de um mês no posto. O terceiro ministro da Saúde desde o início da pandemia é o general Eduardo Pazuello, que assumiu, interinamente, após o pedido de demissão de Teich. E tudo virou um armazém de cloroquina.

A gestão do "interino efetivo" Pazuello é chamada de "ocupação militar" por Mandetta. "Ele fez uma ocupação militar no ministério e deu a ordem para que não se falasse mais de doenças e ignorasse o coronavírus, ao ponto de o ministério ter flertado com a não divulgação dos próprios números. Teve que tomar uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para fazer a função básica do ministério, que é consolidar os números", disse ele. Só faz isso!

Luiz Carlos Azedo, a seu turno, comenta: "Armou-se em Brasília um cerco à Operação Lava-Jato, cujas forças-tarefa de Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília estão com os dias contados. As polêmicas declarações do procurador-geral da República, Augusto Aras, contra a atuação de seus integrantes foram tão categóricas que não lhe permitem um recuo sem que se transforme numa espécie de rainha da Inglaterra no Ministério Público Federal (MPF).

Além disso, foram coadjuvadas pela proposta apresentada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, que propôs uma quarentena de oito anos para magistrados e procuradores ingressarem na política, tema que prontamente o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), se dispôs a pôr em pauta no Parlamento".

A proposta do ministro Toffoli, que parece estapafúrdia e foi desdenhada pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, mira a candidatura de Moro, sem dúvida. No sentido de tomar inelegível o ex-titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex de Guarujá. Nova lei sobre inelegibilidades para magistrados e procuradores não pode ter efeito retroativo. Há no Congresso lei que tira das eleições de 2022 magistrados e procuradores da Lava-jato que vierem a deixar carreira para mergulhar de cabeça na luta política". Não vai a plenário por vergonha.

É muito difícil tomar a bandeira da ética de seus protagonistas, procuradores e juízes que promoveram o maior expurgo de políticos enrolados em escândalos de corrupção da vida nacional da nossa história, pois Bolsonaro, o suposto "moralista", hoje inaugura até posto de saúde e dorme junto com Ciro Nogueira, no Piauí...

Embora não se tenha registro de nenhum grande escândalo de corrupção na administrarão federal, a bandeira da ética se perdeu com a saída de Moro e, sobretudo, por causa do caso Fabrício Queiroz, amigo do presidente da República e ex-assessor do seu filho mais velho, senador Flávio Bolsonaro (Progressistas-RJ), investigado no escândalo das rachadinhas na Assembleia Legislativa fluminense. E tem esse concubinato com o centrão.

Ciro Nogueira, assim como Jefferson, o parlapatão do Rio que só trabalha a soldo, são dois dos mais notórios corruptos do Brasil, com várias ações (e prisões) por corrupção, hoje fiéis aliados do Bolsonaro no Congresso ou nas redes sociais.

O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), fechou acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e pagará R$ 189 mil como prestação pecuniária em troca do encerramento da investigação a respeito de crime de caixa 2. Ele é réu confesso, admitiu que recebeu propina da JBS, do grupo J&F, em suas campanhas eleitorais de 2012 e 2014. O acordo foi assinado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e regulamentado na Lei Anticrime, aprovada no fim do ano passado, que estabelece a possibilidade de entendimento para crimes realizados sem violência.

A corte presidencial não é tão imaculada, honesta e moralizante como se diz por aí, tanto é que semana passada o regulador das redes sociais descobriu uma quadrilha de bolsonaristas de fake news e baniu as contas do sistema.


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