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Estado de Minas

Chega de crises. Basta de monstros


03/08/2020 04:00

Fábio P. Doyle
Da Academia Mineira de Letras.
Jornalista

Já cansamos. Poucos aguentam continuar a ler, ver e ouvir nos jornais impressos, visuais e falados o repetitivo e amedrontador noticiário sobre o novo coronavirus. Uma TVrepete todas as noites as cenas macabras da cova comprida cheia de caixões, com um trator jogando terra em cima. Quer aumentar o pânico?

O noticiário político comandado pela esquerda e pelos órfãos do petismo também esgota nossa paciência. Acusam Bolsonaro, seu governo, não poupam nem o competente Paulo Guedes, de tudo, até pela pandemia e pela onda de gafanhotos.

O jeito é não ler, desligar a TV, pegar um livro ou jogar buraco com a mãe, como faz uma amiga, muito amiga.

Por isso, meu assunto hoje é outro, e importante: violência contra animais. Vou mencionar casos verídicos, noticiados pela mídia, comprovados por fotos, vídeos e depoimentos.

Antes, será bom saber que animal vem do latim, "anima, animalis", tudo que tem vida, respira, tem alma. Logo, todos os seres, os chamados de racionais, porque falam e pensam, embora muitos demonstrem não ter alma, sentimento, e os ditos irracionais, pois não falam nem pensam. O que está errado, pois pensam e se comunicam pelo olhar. E têm alma.

Podem chorar
Vamos aos casos, tristes, revoltantes, registrados pela imprensa, jornais e TVs, nas últimas semanas. Não se acanhem, podem chorar.

Sansão, um pitbull manso, de dois anos, teve as duas patas traseiras arrancadas a golpe de facão, no dia 6 de julho. Monstros residentes em Matozinhos, junto da MG-424, distante 49km de BH, foram os criminosos. O pitbull pertence a Nathan Braga, 21 anos, residente em Vespasiano, que o levou para a Clínica Arnaldo, onde foi tratado com carinho e competência pela veterinária Júlia. Ele sobreviveu, mas hoje se locomove com a ajuda de um carrinho de rodas, doado à família por empresários de bom coração. Como sempre, ninguém foi preso ainda...

Os autores do crime, segundo consta, já haviam esfaqueado e quebrado a coluna de Zeus, pai de Sansão. O processo está paralisado no Ministério Público.

Ainda em julho, morreu um pequeno vira-lata que teve patas e órgão genital cortados por monstrengos ditos racionais, no Bairro Santa Clara 2, Vespasiano. Uma bondosa voluntária da ONG Bicho Loco, Lívia Almeida, o encontrou, levou para uma clínica daquela cidade, mas ele morreu antes de ser atendido. Ninguém foi preso.

A TV mostrou, também em julho, uma caminhonete numa cidade gaúcha, Montenegro, arrastando um cachorro preso por uma corda ao para-choque traseiro. O pobre cão tentava, sem conseguir, acompanhar, correndo, a velocidade do carro. Alertado pelos que estavam na rua, o motorista parou, colocou o cachorro na carroceria, alegando não saber quem amarrou o pobre animal no para-choque. Levado a uma clínica, lá ficou internado, com as quatro patas quase arrancadas.

Outro mais. Um carroceiro foi condenado a três meses de detenção, em Brasilia, por espancar uma égua com chicote de corda por mais de 10 minutos, e batido nela, ferindo-a gravemente, com uma pá. O pobre animal, depois de trabalhar sem descanso por horas seguidas, exausto, parou, não conseguia dar mais um passo, o que irritou o dono da carroça. A égua, esgotada e ferida, caiu e morreu. Tudo presenciado pelos que estavam próximos, que nada fizeram para conter o monstro. A Justiça condenou o covarde. Condenação simbólica...

Até quando?
Tudo isso causa revolta. E exige punição severa, não aquela da Lei 9.605/98, detenção por três meses, o que significa ficar solto, mas reclusão, e brava. É o que precisam os desalmados que ferem e matam cães, gatos, que têm sentimentos, sofrem com ausências, são amigos fiéis. Basta ver os que acompanham na miséria os moradores de rua, mendigos de bons sentimentos que, com seus cães e gatos, dividem trapos e alimentos.

Por que um ilustre parlamentar não propõe revisão da lei em vigor, com troca de regime e aumento da punição? Será porque cães, gatos, éguas não votam? Mas, certamente, teriam o apoio e os votos dos eleitores lúcidos.

Objetos
Mais objetivo, um deputado estadual mineiro, Osvaldo Lopes (anote seu nome), que desde criança resgatava cães e gatos nas ruas, criou e inaugurou o primeiro Hospital Público Veterinário de MG, no bairro Madre Gertrudes. Merece seus votos, eleitor de bons sentimentos.

O senador mineiro Antônio Anastasia, em 2015, e o deputado paulista Ricardo Izar, em 2019, apresentaram projetos de lei mudando a classificação legal dos animais como "objetos", "bens móveis" (!). Pelos projetos, passariam a ser "sencientes, seres dotados de natureza biológica e emocional, passíveis de sofrimento". Aprovados inicialmente, estão paralisados, porque, disse um senador, "podem causar problemas".

Insisto na sugestão. Os chamados de irracionais não o são, têm inteligência, são puros, sem maldade, amigos dos que os tratam bem.

Só não falam. Mas como meus yorkshires, o Bê que já partiu deixando saudades, e seu filho Du, sempre ao meu lado, sabem se comunicar pelo olhar carinhoso, amigo.

Vale lembrar João Guimarães Rosa: "Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?". E mais longe, com Friedrich Nietzsche: "O macaco é um animal muito simpático para que o homem descenda dele".


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