Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

A fábula da cigarra e da formiga

São poucos os brasileiros que possuem uma reserva econômica ou renda neste momento


postado em 30/05/2020 04:00 / atualizado em 29/05/2020 21:34

Denis Forte
 Professor de finanças comportamentais do
 programa de pós-graduação em administração de empresas da Universidade Presbiteriana Mackenzie
 
Conta a fábula de La Fontaine que a cigarra bateu à porta do formigueiro para pedir comida, pois morria de fome e era inverno. As formigas lhe perguntaram o que ela tinha feito no verão, época de trabalhar e guardar. A cigarra respondeu que ficara cantando. As formigas, inicialmente, lhe negaram comida, mas a cigarra jurou estar arrependida. As formigas, então, lhe concederam a comida, certas de que a cigarra aprendera a lição.
 
Essa fábula nos ensina que se deve poupar para enfrentar os piores momentos. E fornece a noção de compartilhar com quem precisa em momentos de extrema necessidade.
Agora, e com relação ao Brasil, como podemos enxergar essa fábula? Vamos a um retrato socioeconômico do país.
 
Sobre população, emprego e renda, o Brasil tem 211.562.283 de habitantes, de acordo com o IBGE (2020). A taxa de desemprego da população economicamente ativa (PEA) está em 12,2%. A renda média mensal é de R$ 2.398 para um PIB per capita de R$ 31.833,50.
 
Segundo o IBGE, as micro e pequenas empresas geravam 30% do PIB em 2017. Sendo importante relembrar que, entre 2006 e 2019, elas geraram 13,5 milhões de empregos, enquanto as médias e grandes perderam 1,1 milhão de postos de trabalho.
 
Com relação à concentração de renda, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) classificou o Brasil como o sétimo país mais desigual do mundo em 2019, sendo que o 1% mais rico concentrava 28% da renda total e os 10 % mais ricos concentravam 42%.
 
Pensando em população empreendedora, pesquisa realizada pelo Sebrae e pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em 2018, mostrou que o Brasil tem 38% de taxa de empreendedorismo entre 18 e 64 anos, o equivalente a 52 milhões de pessoas. Essa informação coloca o Brasil entre os países mais empreendedores do mundo. Cabe uma diferenciação importante: um empreendedor pode ter a motivação de ver uma oportunidade e partir para a ação ou, então, na falta de uma alternativa de geração de renda e ocupação. Dados de 2017 dispunham que cerca de 60% dos empreendedores são movidos por oportunidade e 40% por necessidade.
 
Por último, temos dados de educação. De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica, 48.455.000 alunos estavam inscritos, em 2018, na educação básica, sendo 39.440.000 em rede pública. Já em educação infantil, eram 8.700.000; no ensino fundamental, 27.183.000; e, por fim, o ensino médio, com 7.709.000 estudantes. O restante entre educação profissional, para adultos e especiais. Sendo esse total distribuído em 182.000 estabelecimentos, com 141.000 instituições públicas, e atendidos por 2.220.000 docentes.
 
Dessa forma, são poucos os brasileiros que possuem uma reserva econômica ou renda neste momento. Por isso, todos os auxílios são muito importantes, seja a renda emergencial e os planos de sustentação dos empregos, bem como a implantação da educação a distância.
Ademais, para ser possível estabelecer uma sociedade futura que seja menos baseada no assistencialismo, torna-se fundamental auxiliar os mais fragilizados agora. Paradoxos econômicos que precisam de solução atual.
 
Afinal, nesta pandemia não são as cigarras, mas sim as formigas que precisam de auxílio.

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade